Ibovespa sobe quase 3% na semana com volta de estrangeiros; veja os destaques

Após três semanas de perdas, o índice subiu 2,71% no balanço semanal, fechando em 177.664 pontos.

Publicado em 29/08/2026 às 11:36h Publicado em 29/08/2026 às 11:36h por Matheus Silva
Já a moeda americana subiu 1% na semana, cotada a R$ 5,19 (Imagem: Shutterstock)
Já a moeda americana subiu 1% na semana, cotada a R$ 5,19 (Imagem: Shutterstock)
📈 O Ibovespa (IBOV) encerrou a semana com ganho acumulado de 2,71%, aos 177.664,62 pontos, interrompendo uma sequência de três semanas seguidas no negativo. 
O retorno do capital estrangeiro foi um dos principais motores da recuperação. O dólar à vista, por outro lado, fechou em alta de 1% na semana, a R$ 5,1965.
Segundo o Bank of America, os estrangeiros injetaram cerca de R$ 3,2 bilhões no mercado à vista na semana, revertendo parte das saídas de quase R$ 22 bilhões acumuladas no mês. No ano, o saldo estrangeiro segue positivo em R$ 16 bilhões.

IPCA-15 surpreende com deflação

No cenário doméstico, o clima eleitoral dominou boa parte da semana, com pesquisas mostrando redução da vantagem de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno.
Os dados de emprego trouxeram boas notícias. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. 
O Caged, porém, mostrou geração de 58.568 vagas com carteira assinada em julho, abaixo do esperado pelo mercado.
O IPCA-15 de agosto trouxe outra surpresa positiva, com recuo de 0,40% no mês e acumulado de 12 meses em 4,24%, melhor do que a expectativa do mercado. 
O resultado pressionou a ponta curta da curva de juros, reforçando as apostas de novos cortes na Selic, atualmente em 14% ao ano. O DI para janeiro de 2027 fechou a semana em 13,610%.
No noticiário corporativo, a Braskem (BRKM5) entrou em recuperação extrajudicial com dívidas somando cerca de US$ 11 bilhões, o que levou a B3 (B3SA3) a excluir os papéis da petroquímica dos principais índices, incluindo o Ibovespa.

Mercado antecipa alta de juros nos EUA

No exterior, o governo Trump intensificou a pressão sobre o Irã com novas sanções e anunciou tarifas adicionais de 50% sobre veículos e autopeças fabricados no Canadá, que passam a valer em janeiro de 2027. 
O Canadá já sinalizou retaliação com tarifas entre 15% e 50% sobre produtos americanos a partir de janeiro.
O evento de maior repercussão, porém, foi o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole. 
Warsh afirmou que o Fed "terá trabalho a fazer" caso a inflação não avance rapidamente rumo à meta de 2%, destacando que "o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto". 
O PCE, medida de inflação preferida pelo Fed, subiu 3,7% em agosto, acima da meta e das expectativas.
As declarações de Warsh anteciparam as apostas do mercado para uma alta de juros já em setembro, em vez de outubro. 
A ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a apontar 57% de chance de elevação de 25 pontos-base, para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano, ante 35,7% antes do discurso.

Yduqs dispara 12% com fusão à vista

Entre as ações do Ibovespa, a Yduqs (YDUQ3) liderou os ganhos da semana, impulsionada pela confirmação de tratativas para uma combinação de negócios com a Afya. 
Segundo o Itaú BBA, a fusão faz sentido estratégico pela complementaridade geográfica das operações. 
"As operações de ensino médico das companhias parecem ser geograficamente complementares, com a Afya tendo uma presença mais forte nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a divisão de medicina da Yduqs possui maior exposição ao Sudeste", avalia o banco.
O BBA estima que uma plataforma combinada, com 5.888 vagas de medicina, representaria cerca de 15% do mercado, tornando a empresa resultante a maior do país em número de vagas médicas.

Maiores altas da semana

Brava Energia lidera perdas

Do lado negativo, a Brava Energia (BRAV3) liderou as quedas da semana, pressionada por incertezas sobre os planos da controladora colombiana Ecopetrol, que assumiu o comando da empresa neste mês. 
Durante teleconferência com investidores, a administração ofereceu poucos detalhes concretos sobre a estratégia futura.
O BTG Pactual classificou os comentários como preliminares. "A falta de clareza em relação a futuras mudanças na administração, à possível integração com os ativos brasileiros existentes da Ecopetrol, às prioridades de alocação de capital e até mesmo à metodologia de consolidação contábil significa que vários elementos importantes da tese de criação de valor permanecem indefinidos", avaliou o banco.
Analistas do Bank of America chegaram a conclusão semelhante. "A visibilidade sobre a alocação de capital e a composição do Conselho de Administração da Brava também permanece limitada. 
📉 A própria Ecopetrol parece ainda estar desenvolvendo uma compreensão mais profunda da Brava, o que pode levar meses", escreveram Leonardo Marcondes, Caio Ribeiro e Nicolas Barros.

Maiores quedas da semana