Ibovespa a 250 mil pontos? Bancão traça rota do otimismo para o pós-eleição

A instituição financeira considera a corrida eleitoral um ponto de virada para os rumos da economia nos próximos anos.

Publicado em 29/08/2026 às 07:55h Publicado em 29/08/2026 às 07:55h por Matheus Silva
No cenário considerado base pelo banco, o dólar deve fechar em R$ 5,25 (Imagem: Shutterstock)
No cenário considerado base pelo banco, o dólar deve fechar em R$ 5,25 (Imagem: Shutterstock)
📈 O Morgan Stanley traçou três cenários distintos para a economia brasileira em 2027, com resultados que variam drasticamente dependendo do rumo do ajuste fiscal após as eleições de outubro. 
No cenário considerado base pelo banco, o dólar deve fechar em R$ 5,25, o DI de longo prazo em 15% e o Ibovespa em 215 mil pontos ao final de 2027.
Já no cenário otimista, caso o próximo governo implemente um ajuste fiscal crível capaz de estabilizar a dívida pública, o dólar poderia recuar a R$ 4,50, o DI de longo prazo cair para 12% e o Ibovespa saltar para 250 mil pontos. 
No extremo oposto, sem um ajuste crível, o banco projeta dólar a R$ 6, DI de longo prazo em 18% e Ibovespa desabando para 130 mil pontos.
Para o Morgan Stanley, o canal de transmissão de um plano fiscal crível seria mais rápido do que normalmente se imagina. 
"O cenário otimista está mais alinhado ao consenso, mas vemos um canal de expectativas mais rápido: um plano crível de vários anos poderia reduzir os prêmios de risco, fortalecer o real e abrir espaço para uma flexibilização monetária antes mesmo de uma melhora do resultado primário", explica o banco, batizando o fenômeno de "choque de gradualismo".

Lula defende continuidade fiscal, Flávio propõe regras mais rígidas

O banco descreve a disputa eleitoral como um divisor de águas para a política econômica dos próximos anos. 
As pesquisas apontam corrida acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com segundo turno cada vez mais provável.
Segundo a leitura do Morgan Stanley, Lula representa a continuidade ampla do arcabouço fiscal atual, com papel mais ativo do Estado na economia. Flávio, por sua vez, defende regras fiscais mais rígidas, redução da máquina administrativa, privatizações e maior abertura comercial. 
O banco pondera, porém, que a execução de qualquer uma dessas agendas dependerá não apenas do resultado presidencial, mas também da composição do Congresso e do mapa dos governos estaduais.

Credibilidade do regime fiscal será o fator decisivo

"Em nossa visão, a principal distinção no período pós-eleição será, portanto, a credibilidade do regime fiscal de médio prazo do novo governo", afirma o Morgan Stanley. 
Na leitura do banco, um programa de ajuste gradual visto como crível e politicamente viável poderia reduzir rapidamente as expectativas de inflação e os prêmios de risco fiscal, melhorar o trade-off da política monetária e iniciar um ciclo virtuoso de retroalimentação macrofinanceira, mesmo antes de o resultado primário apresentar melhora concreta.
📊 O risco inverso também é destacado pelo banco. A percepção de um sinal fiscal fraco poderia provocar deterioração não linear das expectativas, das condições financeiras e da dinâmica da dívida, mesmo que o desvio fiscal de curto prazo permaneça contido.