Braskem (BRKM5) avança com recuperação extrajudicial na Justiça

A Justiça de São Paulo aprovou o pedido da petroquímica para renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas.

Publicado em 28/08/2026 às 14:01h Publicado em 28/08/2026 às 14:01h por Marina Barbosa
Braskem terá 90 dias para conseguir o apoio de 51% dos credores ao plano (Imagem: Shutterstock)
Braskem terá 90 dias para conseguir o apoio de 51% dos credores ao plano (Imagem: Shutterstock)
A Justiça de São Paulo aprovou nesta sexta-feira (28) o pedido de recuperação extrajudicial da Braskem (BRKM5). Com isso, a petroquímica ganhou um novo prazo para a renegociação e o pagamento de suas dívidas.
De acordo com a Braskem, a decisão judicial suspende por mais 120 dias as cobranças e execuções de dívidas. Além disso, a petroquímica terá um prazo de 90 dias para conseguir o apoio de ao menos 51% dos seus credores ao seu plano de recuperação extrajudicial.

O plano

💲 A Braskem pediu recuperação extrajudicial na última segunda-feira (24), para tentar renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras. Isto é, quase R$ 57 bilhões na cotação atual.
A maior parte dessa dívida diz respeito a títulos de renda fixa emitidos no exterior. Por isso, bancos estrangeiros figuram entre os maiores credores da Braskem.
O BNY Mellon (BNY), por exemplo, atua como representante legal dos detentores de bonds da Braskem. Por isso, tem cerca de R$ 19 bilhões a receber da petroquímica.
Diante disso, a Braskem tenta renegociar e alongar os prazos de vencimento dessas dívidas. O plano de recuperação extrajudicial ainda abre espaço para a conversão de parte dessa dívida em participações na empresa e prevê um possível apoio financeiro dos seus principais acionistas.
A Petrobras (PETR4), por exemplo, já elevou de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões o limite de crédito concedido à Braskem, para aquisição de matérias-primas fornecidas pela estatal.
Por outro lado, a DPU (Defensoria Pública da União) elevou a pressão sobre a petroquímica por causa dos danos decorrentes da exploração de sal-gema em Maceió, ao abrir uma ação contra a empresa, citando um prejuízo de R$ 5 bilhões ao patrimônio mineral da União.

Objetivos

📊 De acordo com a Braskem, o plano de recuperação extrajudicial já conta com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos envolvidos, além dos seus dois principais acionistas: o fundo de investimento Shine I e a Petrobras.
Ao pedir recuperação, a petroquímica disse que o objetivo era "assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias".
"O Plano é um avanço significativo para a Companhia objetivando uma estrutura de capital sustentável de longo prazo das Devedoras e reflete o objetivo comum da Companhia e dos seus principais stakeholders de alcançar uma reestruturação consensual conforme os parâmetros de negociação acordados com os Credores Signatários", afirmou.
A Braskem ressaltou também que o plano envolve apenas dívidas financeiras. Logo, não abrange as obrigações mantidas com fornecedores, clientes e demais stakeholders, que permanecem vigentes.

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