Os heróis e vilões do Ibovespa no 1º semestre: veja quem ganhou e quem perdeu

A Usiminas liderou o Ibovespa no semestre com alta de 41%, enquanto a CSN e Magalu despencaram mais de 46% em um período que o índice subiu 6,76%.

Publicado em 30/06/2026 às 19:54h Publicado em 30/06/2026 às 19:54h por Matheus Silva
Em junho, o índice caiu 1,01%, engatando o 4º mês de baixa consecutiva (Imagem: Shutterstock)
Em junho, o índice caiu 1,01%, engatando o 4º mês de baixa consecutiva (Imagem: Shutterstock)
🚀 O Ibovespa (IBOV) encerrou o primeiro semestre de 2026 com alta acumulada de 6,76% no ano, mas o caminho foi turbulento. 
Junho representou o quarto mês seguido de queda, com recuo de 1,01%, puxado em parte por uma nova rodada de saída de recursos estrangeiros. Só no segundo trimestre, as perdas chegaram a 8,24%.
O intervalo entre os extremos revela um mercado profundamente dividido por setor e por tese de investimento. Enquanto quatro ações subiram mais de 30%, treze caíram mais de 20%, com onze papéis acumulando ganhos superiores a esse patamar.

Usiminas lidera altas

A Usiminas (USIM5) encerrou o semestre como o maior destaque positivo do Ibovespa, com valorização de 41,30%, apesar de ter chegado a acumular avanço superior a 60% em determinado momento antes de perder tração nas últimas semanas do período.
O motor da alta foi a melhora do cenário para o mercado brasileiro de aço. O Goldman Sachs elevou a recomendação do papel para compra perto do fim do mês, apostando na inflexão da dinâmica de oferta e demanda no setor doméstico. 
Dados compilados pelo banco mostram que as importações de aço recuaram 42% na comparação mensal em abril, movimento atribuído a um conjunto de barreiras comerciais adotadas pelo Brasil, como elevação de tarifas, cotas e medidas antidumping, combinadas com o encarecimento logístico global.
O Itaú BBA também contribuiu para o sentimento positivo, elevando o preço-alvo do papel de R$ 9 para R$ 11 com recomendação de compra, apostando em eventuais ganhos fiscais relacionados a JCP não distribuídos no passado. 
Já o Bradesco BBI manteve postura mais cautelosa, com recomendação neutra, por enxergar uma relação risco-retorno menos atrativa no nível atual de preços e incerteza sobre os investimentos ligados à extensão da vida útil das minas de minério de ferro.

Copasa avança 39% após privatização

A desestatização da Copasa (CSMG3) marcou o semestre da companhia mineira de saneamento e rendeu valorização de 39,47% nos primeiros seis meses do ano. O processo foi concluído em 11 de junho, com o bookbuilding encerrado e o follow-on precificado a R$ 49,03 por ação.
Os analistas do Safra veem a privatização como catalisador para destravar valor ao longo do tempo, citando potencial de redução de custos de até 60% em algumas linhas, queda na inadimplência em comparação a outras utilities e possível ampliação do escopo das concessões, incluindo serviços de esgoto além do fornecimento de água.
O Bradesco BBI foi mais além e elevou a recomendação de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 73. 
Com a Equatorial (EQTL3) adquirindo participação de 30% na companhia após a privatização, o banco passou a enxergar a Copasa como veículo eficiente para capturar crescimento de lucro por ação com CAGR projetado de 13% entre 2026 e 2033, além de geração de dividendos crescente sustentada por corte de custos e execução de investimentos para universalizar o saneamento em Minas Gerais até 2033.

Eneva e Copel completam o pódio

A Eneva (ENEV3) encerrou o semestre com avanço de 33,47%, em grande parte reflexo do leilão de energia realizado em março. 
A companhia contratou 5,0 GW de capacidade no certame, sendo 1,5 GW de ativos existentes e 3,5 GW de novas usinas termelétricas, superando as expectativas. 
O investimento total projetado alcança R$ 18,2 bilhões entre 2026 e 2031, com potencial de geração de valor presente líquido de até R$ 18 bilhões caso parceiros minoritários entrem em alguns projetos. Houve contestação do leilão pelo TCU no fim de maio, mas sem desdobramentos relevantes.
A Copel (CPLE3), outra recentemente privatizada, avançou 27,94% no semestre, beneficiada também pelos resultados do mesmo leilão. 
O JPMorgan mantém recomendação overweight para o papel, destacando equilíbrio na alocação de riscos, balanço confortável e dividendos estimados acima de 5% entre 2026 e 2029. Os preços de energia no Brasil seguiram firmes no período, acima de R$ 220 por MWh, com surpresas positivas especialmente no segmento hidrelétrico.

Petrobras sobe 32% com guerra no Oriente Médio

A Petrobras (PETR3) terminou o semestre com valorização de 32,30%, impulsionada pela escalada do petróleo durante o conflito entre EUA e Irã, que chegou a levar o Brent acima de US$ 120 o barril. 
No encerramento do período, a commodity recuou para a faixa dos US$ 70 o barril, o que reduziu o ímpeto das ações nas últimas semanas.
Mesmo assim, a visão do mercado sobre o papel segue construtiva. A XP mantém Petrobras e PRIO (PRIO3) como principais recomendações do setor, com preços-alvo de R$ 63 e R$ 78, respectivamente. 
O banco de investimento estima que, mesmo com o Brent na casa dos US$ 90 por barril no segundo semestre, o rendimento de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) permanece em torno de 15% para a Petrobras, um dos mais altos entre as grandes globais do setor.
O JPMorgan corrobora essa leitura, reiterando recomendação de compra e classificando a recente queda das ações como oportunidade de entrada.

CSN e Magalu lideram o lado negativo

Na ponta oposta, a CSN (CSNA3) acumulou desvalorização de 46,90%, a pior do índice no semestre. A alta alavancagem da siderúrgica e a incerteza sobre a venda de ativos, incluindo a possível alienação da CSN Cimentos no terceiro trimestre, mantiveram os papéis sob pressão durante todo o período. 
A Genial Investimentos avalia que a conclusão dessas vendas poderia reduzir a relação dívida líquida/Ebitda de 3,4 vezes para a faixa superior a 2 vezes, gerando uma economia de até R$ 800 milhões ao ano em despesas com juros. Entre os analistas que cobrem o papel, sete têm recomendação de manutenção e três de venda.
O Magazine Luiza (MGLU3) ficou a poucos décimos do pior desempenho, com queda de 46,51%. O resultado negativo reflete o impacto dos juros elevados sobre as despesas financeiras da companhia e a perda de terreno no comércio eletrônico. 
No primeiro trimestre, o volume do e-commerce caiu mais de 10%, tanto nas operações próprias quanto no marketplace, e as vendas totais recuaram 5,6% na comparação anual, para R$ 15,2 bilhões. O Citi chegou a elevar a recomendação do papel de venda para neutra, entendendo que a queda acumulada já incorporava um cenário de juros altos e consumo mais fraco.
MRV (MRVE3), Minerva (BEEF3) e Cogna (COGN3) completam a lista das maiores quedas, com recuos de 31,61%, 30,39% e 29,91%, respectivamente. 
A MRV sofreu com o encarecimento do crédito, a inflação da construção e as dificuldades da subsidiária americana Resia. 
A Minerva foi pressionada por sua elevada alavancagem em ambiente de juros altos, enquanto a Cogna enfrentou desaceleração nas matrículas, especialmente no ensino a distância.
📈 Veja as maiores altas do semestre:
Ticker Preço (R$) Variação no 1º semestre
USIM5 R$ 8,44 +41,30%
CSMG3 R$ 59,93 +39,47%
ENEV3 R$ 26,72 +33,47%
PETR3 R$ 41,78 +32,30%
CPLE3 R$ 15,02 +27,94%
PETR4 R$ 37,79 +26,21%
PRIO3 R$ 52,15 +24,88%
UGPA3 R$ 26,06 +24,27
CXSE3 R$ 19,71 +24,04%
ASAI3 R$ 8,74 +21,39%
📉 Veja as maiores baixas do semestre:
Ticker Preço (R$) Variação no 1º semestre
CSNA3 R$ 4,62 -46,90%
MGLU3 R$ 4,68 -46,51%
MRVE3 R$ 5,28 -31,61%
BEEF3 R$ 3,71 -30,39%
COGN3 R$ 2,25 -29,91%
HAPV3 R$ 10,21 -29,88%
AZZA3 R$ 17,88 -29,58%
CSAN3 R$ 3,70 -29,52%
TOTS3 R$ 28,70 -29,31%
VIVA3 R$ 22,88 -29,08%