🚀 O
Ibovespa (IBOV) encerrou o primeiro semestre de 2026 com alta acumulada de 6,76% no ano, mas o caminho foi turbulento.
Junho representou o quarto mês seguido de queda, com recuo de 1,01%, puxado em parte por uma nova rodada de saída de recursos estrangeiros. Só no segundo trimestre, as perdas chegaram a 8,24%.
O intervalo entre os extremos revela um mercado profundamente dividido por setor e por tese de investimento. Enquanto quatro ações subiram mais de 30%, treze caíram mais de 20%, com onze papéis acumulando ganhos superiores a esse patamar.
Usiminas lidera altas
A
Usiminas (USIM5) encerrou o semestre como o maior destaque positivo do Ibovespa, com valorização de 41,30%, apesar de ter chegado a acumular avanço superior a 60% em determinado momento antes de perder tração nas últimas semanas do período.
O motor da alta foi a melhora do cenário para o mercado brasileiro de aço. O Goldman Sachs elevou a recomendação do papel para compra perto do fim do mês, apostando na inflexão da dinâmica de oferta e demanda no setor doméstico.
Dados compilados pelo banco mostram que as importações de aço recuaram 42% na comparação mensal em abril, movimento atribuído a um conjunto de barreiras comerciais adotadas pelo Brasil, como elevação de tarifas, cotas e medidas antidumping, combinadas com o encarecimento logístico global.
O Itaú BBA também contribuiu para o sentimento positivo, elevando o preço-alvo do papel de R$ 9 para R$ 11 com recomendação de compra, apostando em eventuais ganhos fiscais relacionados a JCP não distribuídos no passado.
Já o Bradesco BBI manteve postura mais cautelosa, com recomendação neutra, por enxergar uma relação risco-retorno menos atrativa no nível atual de preços e incerteza sobre os investimentos ligados à extensão da vida útil das minas de minério de ferro.
Copasa avança 39% após privatização
A desestatização da
Copasa (CSMG3) marcou o semestre da companhia mineira de saneamento e rendeu valorização de 39,47% nos primeiros seis meses do ano. O processo foi concluído em 11 de junho, com o bookbuilding encerrado e o follow-on precificado a R$ 49,03 por ação.
Os analistas do Safra veem a privatização como catalisador para destravar valor ao longo do tempo, citando potencial de redução de custos de até 60% em algumas linhas, queda na inadimplência em comparação a outras utilities e possível ampliação do escopo das concessões, incluindo serviços de esgoto além do fornecimento de água.
O Bradesco BBI foi mais além e elevou a recomendação de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 73.
Com a
Equatorial (EQTL3) adquirindo participação de 30% na companhia após a privatização, o banco passou a enxergar a Copasa como veículo eficiente para capturar crescimento de lucro por ação com CAGR projetado de 13% entre 2026 e 2033, além de geração de
dividendos crescente sustentada por corte de custos e execução de investimentos para universalizar o saneamento em Minas Gerais até 2033.
Eneva e Copel completam o pódio
A
Eneva (ENEV3) encerrou o semestre com avanço de 33,47%, em grande parte reflexo do leilão de energia realizado em março.
A companhia contratou 5,0 GW de capacidade no certame, sendo 1,5 GW de ativos existentes e 3,5 GW de novas usinas termelétricas, superando as expectativas.
O investimento total projetado alcança R$ 18,2 bilhões entre 2026 e 2031, com potencial de geração de valor presente líquido de até R$ 18 bilhões caso parceiros minoritários entrem em alguns projetos. Houve contestação do leilão pelo TCU no fim de maio, mas sem desdobramentos relevantes.
A
Copel (CPLE3), outra recentemente privatizada, avançou 27,94% no semestre, beneficiada também pelos resultados do mesmo leilão.
O JPMorgan mantém recomendação overweight para o papel, destacando equilíbrio na alocação de riscos, balanço confortável e dividendos estimados acima de 5% entre 2026 e 2029. Os preços de energia no Brasil seguiram firmes no período, acima de R$ 220 por MWh, com surpresas positivas especialmente no segmento hidrelétrico.
Petrobras sobe 32% com guerra no Oriente Médio
A
Petrobras (PETR3) terminou o semestre com valorização de 32,30%, impulsionada pela escalada do petróleo durante o conflito entre EUA e Irã, que chegou a levar o
Brent acima de US$ 120 o barril.
No encerramento do período, a commodity recuou para a faixa dos US$ 70 o barril, o que reduziu o ímpeto das ações nas últimas semanas.
Mesmo assim, a visão do mercado sobre o papel segue construtiva. A XP mantém Petrobras e
PRIO (PRIO3) como principais recomendações do setor, com preços-alvo de R$ 63 e R$ 78, respectivamente.
O banco de investimento estima que, mesmo com o Brent na casa dos US$ 90 por barril no segundo semestre, o rendimento de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) permanece em torno de 15% para a Petrobras, um dos mais altos entre as grandes globais do setor.
O JPMorgan corrobora essa leitura, reiterando recomendação de compra e classificando a recente queda das ações como oportunidade de entrada.
CSN e Magalu lideram o lado negativo
Na ponta oposta, a
CSN (CSNA3) acumulou desvalorização de 46,90%, a pior do índice no semestre. A alta alavancagem da siderúrgica e a incerteza sobre a venda de ativos, incluindo a possível alienação da CSN Cimentos no terceiro trimestre, mantiveram os papéis sob pressão durante todo o período.
A Genial Investimentos avalia que a conclusão dessas vendas poderia reduzir a relação dívida líquida/Ebitda de 3,4 vezes para a faixa superior a 2 vezes, gerando uma economia de até R$ 800 milhões ao ano em despesas com juros. Entre os analistas que cobrem o papel, sete têm recomendação de manutenção e três de venda.
O
Magazine Luiza (MGLU3) ficou a poucos décimos do pior desempenho, com queda de 46,51%. O resultado negativo reflete o impacto dos juros elevados sobre as despesas financeiras da companhia e a perda de terreno no comércio eletrônico.
No primeiro trimestre, o volume do e-commerce caiu mais de 10%, tanto nas operações próprias quanto no marketplace, e as vendas totais recuaram 5,6% na comparação anual, para R$ 15,2 bilhões. O Citi chegou a elevar a recomendação do papel de venda para neutra, entendendo que a queda acumulada já incorporava um cenário de juros altos e consumo mais fraco.
A MRV sofreu com o encarecimento do crédito, a inflação da construção e as dificuldades da subsidiária americana Resia.
A Minerva foi pressionada por sua elevada alavancagem em ambiente de juros altos, enquanto a Cogna enfrentou desaceleração nas matrículas, especialmente no ensino a distância.
📈 Veja as maiores altas do semestre:
| Ticker |
Preço (R$) |
Variação no 1º semestre |
| USIM5 |
R$ 8,44 |
+41,30% |
| CSMG3 |
R$ 59,93 |
+39,47% |
| ENEV3 |
R$ 26,72 |
+33,47% |
| PETR3 |
R$ 41,78 |
+32,30% |
| CPLE3 |
R$ 15,02 |
+27,94% |
| PETR4 |
R$ 37,79 |
+26,21% |
| PRIO3 |
R$ 52,15 |
+24,88% |
| UGPA3 |
R$ 26,06 |
+24,27 |
| CXSE3 |
R$ 19,71 |
+24,04% |
| ASAI3 |
R$ 8,74 |
+21,39% |
📉 Veja as maiores baixas do semestre:
| Ticker |
Preço (R$) |
Variação no 1º semestre |
| CSNA3 |
R$ 4,62 |
-46,90% |
| MGLU3 |
R$ 4,68 |
-46,51% |
| MRVE3 |
R$ 5,28 |
-31,61% |
| BEEF3 |
R$ 3,71 |
-30,39% |
| COGN3 |
R$ 2,25 |
-29,91% |
| HAPV3 |
R$ 10,21 |
-29,88% |
| AZZA3 |
R$ 17,88 |
-29,58% |
| CSAN3 |
R$ 3,70 |
-29,52% |
| TOTS3 |
R$ 28,70 |
-29,31% |
| VIVA3 |
R$ 22,88 |
-29,08% |