JPMorgan elege XP como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa

Os analistas estimam que a XP pode distribuir até R$ 5,5 bi em dividendos, gerando um rendimento de 12% a 13% aos acionistas.

Publicado em 30/06/2026 às 14:45h Publicado em 30/06/2026 às 14:45h por Matheus Silva
Em um cenário mais otimista, a distribuição total pode chegar a R$ 8 bilhões (Imagem: Divulgação)
Em um cenário mais otimista, a distribuição total pode chegar a R$ 8 bilhões (Imagem: Divulgação)
💰 Longe dos setores tradicionais de dividendos como mineração, petróleo ou energia elétrica, a XP desponta como uma das maiores pagadoras de proventos da Bolsa, segundo o JPMorgan. 
Em relatório, o banco elegeu a corretora como uma de suas preferidas dentro de sua cobertura, estimando um dividend yield que pode chegar a 13%.
Segundo os analistas, a geração de capital da companhia abre espaço para uma forte distribuição de recursos aos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações. As ações são negociadas a cerca de 7,7 vezes o lucro estimado para 2026 e 7,1 vezes o projetado para 2027, além de um múltiplo de 1,6 vez o valor patrimonial e um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) próximo de 23%. 
Atualmente, a empresa trabalha com ROE de cerca de 21% e projeta encerrar 2026 com esse indicador entre 16% e 19%.

Banco estima entre R$ 5 bi a R$ 5,5 bi entre dividendos e recompras

"Com base em nossos cenários, estimamos que a XP possa desbloquear entre R$ 2,5 bilhões e R$ 8 bilhões em capital excedente", afirmam os analistas. 
No cenário-base, a companhia poderia distribuir entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões aos acionistas, o equivalente a um rendimento de aproximadamente 12% a 13%, descrito pelo banco como "um dos mais altos em nosso universo de cobertura."
Os cenários do JPMorgan para a XP em 2026 variam entre lucro estável em relação a 2025 no quadro mais pessimista, crescimento de 7% no cenário-base e alta de 13% na projeção mais otimista. 
Dependendo do cenário, a distribuição total pode variar entre R$ 3 bilhões e R$ 8 bilhões. No longo prazo, o banco ressalta que o dividend yield tende a se normalizar na faixa de 7% a 8%, ainda entre os mais elevados de sua cobertura.
Neste ano, a XP já anunciou US$ 500 milhões em dividendos e lançou novo programa de recompra de até R$ 1 bilhão. Desde 2022, a companhia recomprou cerca de 50 milhões de ações, reduzindo o total em circulação de 559 milhões no segundo trimestre de 2022 para 519 milhões no primeiro trimestre de 2026. 
"Nos níveis atuais de preço das ações, acreditamos que a administração poderá continuar priorizando as recompras em detrimento dos dividendos", afirma o relatório. O banco projeta payout recorrente próximo de 60% no futuro.

JPMorgan avalia que XP atravessou seu pior momento

Na avaliação do banco, a XP enfrentou um período desafiador entre 2025 e 2026, marcado por uma combinação de fatores que pressionaram o desempenho das ações. E
ntre os principais obstáculos estiveram a divulgação de um relatório de vendedor a descoberto, a queda do índice de satisfação dos clientes (NPS), afetada pela liquidação do Banco Master e por perdas relacionadas a crédito privado e COEs, e o impacto da abertura da curva de juros sobre o sentimento dos investidores. 
O NPS da companhia caiu de 74 pontos no terceiro trimestre de 2024 para 61 pontos no primeiro trimestre de 2026.
Como resultado, as ações da XP acumularam queda de 1,5% no ano, enquanto o ETF EWZ avançou 9% no mesmo período.
Para os analistas, a trajetória dos juros continua sendo o principal catalisador para uma recuperação dos papéis, embora isso dependa de uma sinalização fiscal mais favorável durante o processo eleitoral.

JPMorgan mantém compra com preço-alvo de R$ 136

Apesar das dificuldades, o JPMorgan vê fatores que sustentam uma visão positiva para a empresa, como o elevado dividend yield, crescimento dos ativos sob custódia em linha com o restante do setor, expectativa de recuperação do NPS, ambiente de juros potencialmente mais favorável e avaliação considerada descontada. 
O banco manteve recomendação de compra para as ações da XP e preço-alvo de R$ 136 para as BDRs, o que representa potencial de valorização de cerca de 61%.
📊 O JPMorgan ressalta que, embora o BTG Pactual continue sendo a instituição preferida do banco entre as empresas de mercados de capitais, a XP apresenta relação risco-retorno favorável e potencial de distribuição extraordinária que a coloca entre as mais atrativas de sua cobertura.

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