Banco do Brasil (BBAS3) despenca 8% em agosto; veja o que esperar do 2T26

Nesta terça (11), a ação caiu 3,74% no menor nível do ano e acumula perda de 8% em agosto, sinal de que o mercado antecipa um balanço fraco.

Publicado em 11/08/2026 às 18:48h Publicado em 11/08/2026 às 18:48h por Matheus Silva
As despesas com previsão devem seguir estáveis no 2º trimestre (Imagem: Shutterstock)
As despesas com previsão devem seguir estáveis no 2º trimestre (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Banco do Brasil (BBAS3) divulga seus resultados do segundo trimestre de 2026 nesta quarta-feira (12), após o fechamento do mercado, em meio a um cenário de cautela crescente entre analistas. 
Nesta terça-feira (11), as ações recuaram 3,74%, chegando à mínima do ano, e já acumulam queda de 8% em agosto, movimento que pode indicar que o mercado começou a precificar antecipadamente um resultado mais fraco.
As principais instituições consultadas convergem para um resultado modesto. O Bank of America projeta lucro líquido de cerca de R$ 3,6 bilhões, queda de 3% na comparação anual e retração de 7% frente ao primeiro trimestre. 
Goldman Sachs e JPMorgan estimam R$ 3,5 bilhões, queda de 6% em relação ao 2T25, enquanto o consenso compilado pela Bloomberg aponta para R$ 3,1 bilhões.
O BofA espera que o resultado antes de impostos fique abaixo das estimativas, pressionado por despesas com provisões maiores do que o projetado. O crescimento da carteira de crédito também deve permanecer em um dígito baixo, refletindo a fraca concessão no segmento rural e a desaceleração do consumo. 
O Goldman ainda aponta que contingências legais devem elevar as despesas operacionais na comparação trimestral, criando mais uma barreira para a recuperação dos lucros. O ROE projetado pelo Goldman fica em 8,4%, recuo de 1,06 ponto percentual na comparação anual.

Inadimplência rural segue como o principal obstáculo

O agronegócio continua sendo o calcanhar de Aquiles do BB. Desde 2024, a deterioração da inadimplência no setor rural pressiona os indicadores de qualidade da carteira. 
Dados da Serasa mostram que a inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. As provisões devem seguir elevadas diante da espera dos produtores pela regulamentação das medidas de renegociação de dívidas.
A Medida Provisória 1.376/2026, que prevê a renegociação de dívidas rurais, representa um possível alívio para o banco, mas seus efeitos ainda devem demorar a se materializar nos resultados. 
O BTG Pactual avalia que a medida pode funcionar como uma "ponte para uma recuperação gradual", embora o impacto relevante no balanço só deva aparecer a partir do quarto trimestre de 2026.
O banco público já confirmou que iniciou os procedimentos para operacionalizar as linhas de renegociação previstas, voltadas a produtores afetados por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços agrícolas. A implementação, porém, ainda depende de regulamentação complementar do CMN (Conselho Monetário Nacional) e do Ministério da Fazenda.
Para o BTG, a iniciativa reduz a incerteza no setor e melhora o fluxo de caixa dos produtores elegíveis, mas o volume de operações efetivamente renegociadas ainda é uma incógnita. 
📊 No segundo trimestre, as despesas com provisões devem permanecer em níveis próximos aos do primeiro trimestre, com as perdas de crédito caminhando para o teto do guidance do banco. O BTG mantém recomendação neutra para as ações do BB, com preço-alvo de R$ 25.

BBAS3

Banco do Brasil
Cotação

R$ 19,32

Variação (12M)

3,47 % Logo Banco do Brasil

Margem Líquida

3,88 %

DY

2.72%

P/L

8,75

P/VP

0,58