BB (BBAS3) supera projeções do mercado e lucra R$ 3,9 bilhões no 2T26

O lucro superou os R$ 3,5 bilhões previstos pela Bloomberg, trazendo um alívio positivo em um trimestre considerado difícil para o banco.

Publicado em 12/08/2026 às 19:33h Publicado em 12/08/2026 às 19:33h por Matheus Silva
O balanço quebra seis trimestres seguidos de queda no lucro (Imagem: Shutterstock)
O balanço quebra seis trimestres seguidos de queda no lucro (Imagem: Shutterstock)
📊 O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% frente ao mesmo período do ano anterior e de 13,9% sobre o primeiro trimestre. 
O número superou o consenso da Bloomberg, que esperava R$ 3,5 bilhões, representando uma surpresa positiva em um período que os analistas descreviam como desafiador para a instituição.
O resultado encerra uma sequência de seis trimestres consecutivos de piora, pressionados pela deterioração da inadimplência no agronegócio e pelas exigências mais rígidas de provisionamento introduzidas pela Resolução CMN nº 4.966/2021, que obrigou os bancos a elevar as reservas para potenciais calotes.

Agronegócio ainda pressiona

O setor rural segue sendo o principal ponto de atenção. Os dados mais recentes da Serasa apontam 474 pedidos de recuperação judicial no agronegócio, alta de 21,9% na comparação anual, reflexo de uma crise que se aprofunda com o endividamento dos produtores e a queda nos preços de algumas commodities.
A própria administração do banco já havia alertado o mercado para esse cenário. "O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado", afirmou a CEO da instituição.
O ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) avançou 1,07 ponto percentual, encerrando o trimestre em 8,4%, acima da estimativa da Bloomberg de 7,3%. 
Apesar da melhora, o banco permaneceu mais um trimestre abaixo dos 20% de rentabilidade, patamar considerado referência pelo mercado, e segue distante dos pares privados: o Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o período com ROE de 24% e o Bradesco (BBDC4), com 16,1%.

Inadimplência acima de 90 dias chega a 5,61%

A deterioração da qualidade da carteira segue sendo o capítulo mais preocupante do balanço. A inadimplência acima de 90 dias encerrou o trimestre em 5,61%, alta de 1,65 ponto percentual na comparação anual. 
A inadimplência curta, medida em 30 dias, apresentou movimento ainda mais intenso, com salto de 2,14 pontos percentuais, sinalizando que novos calotes ainda estão por vir nos próximos trimestres.
No agronegócio, o índice de inadimplência chegou igualmente a 5,61%, com alta de 1,65 ponto percentual no ano, reflexo de um setor que atravessa uma onda crescente de recuperações judiciais. Dados da Serasa apontam 474 pedidos no período, avanço de 21,9% frente ao mesmo intervalo de 2025. 
A própria CEO do banco havia alertado o mercado ainda no início do ano: "O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado."
Para se proteger dos calotes, o banco elevou as provisões em 15,4% na comparação anual, para R$ 33 bilhões, e 3,4% frente ao trimestre anterior, movimento que acompanha o comportamento observado em outros grandes bancos diante da piora do cenário macroeconômico. 
O custo do crédito subiu 16% no ano, alcançando R$ 18,5 bilhões, embora tenha cedido 2,1% na comparação com o primeiro trimestre.

Tesouraria puxa margem financeira para R$ 27,5 bi

Do lado positivo, a margem financeira bruta avançou 9,6%, para R$ 27,5 bilhões, puxada pelas receitas com tesouraria. As receitas de prestação de serviços somaram R$ 9,1 bilhões, alta de 4,2% na comparação anual e de 3,4% frente ao primeiro trimestre, com destaque para administração de fundos (+6,3%), conta corrente (+7,6%) e operações de crédito e garantias (+4,7%). 
As despesas administrativas totalizaram R$ 10,1 bilhões, avanço de 4,1% no ano e de apenas 0,6% no trimestre.
Mesmo em um ambiente adverso, o banco manteve a carteira de crédito expandida em crescimento, com alta de 1,5% em 12 meses, totalizando R$ 1,3 trilhão. 
Na pessoa física, o saldo chegou a R$ 357,6 bilhões, expansão de 4,4% no ano, puxada pelo crédito consignado, bandeira do governo para estimular o crédito para trabalhadores formais e servidores públicos. No trimestre, porém, houve retração de 1,2%.
Na pessoa jurídica, o movimento foi de contração. A carteira encolheu 2,5% no ano, para R$ 456,2 bilhões, com reduções nas linhas destinadas a médias, pequenas e grandes empresas. 
📈 No agronegócio, a carteira cresceu 4,1% tanto no ano quanto no trimestre, encerrando o período em R$ 421,6 bilhões.

BBAS3

Banco do Brasil
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