Duplo tarifaço, guerra e Petrobras (PETR4) nas alturas; confira os destaques da semana

Apesar de tarifas dos EUA e tensões com petróleo a US$ 100, o Ibovespa subiu 0,19% na semana aos 174.041 pontos, com alta de blue chips.

Publicado em 25/07/2026 às 10:17h Publicado em 25/07/2026 às 10:17h por Matheus Silva
O principal evento da semana foi a sequência de anúncios de tarifas pelo EUA (Imagem: Shutterstock)
O principal evento da semana foi a sequência de anúncios de tarifas pelo EUA (Imagem: Shutterstock)
📊 O Ibovespa (IBOV) encerrou a semana com leve valorização de 0,19%, aos 174.041,95 pontos, sustentado pelo desempenho das blue chips em um período marcado por dois anúncios de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, escalada das tensões no Oriente Médio e o retorno do petróleo Brent ao nível de US$ 100 o barril.
dólar à vista terminou a semana a R$ 5,08, com queda de 0,59% no acumulado do período.
O principal evento da semana no cenário doméstico foi a sequência de anúncios de tarifas pelo governo Trump. Na quarta-feira (22), entrou em vigor uma alíquota de 25% sobre produtos brasileiros. Já nesta sexta-feira (25), foi anunciada uma sobretaxa adicional de 12,5%, elevando a cobrança total para 37,5%.
Setores fundamentais para a balança comercial brasileira, como petróleo e gás, componentes aeronáuticos, celulose, carne bovina, café e suco de laranja, foram temporariamente poupados. Ao todo, cerca de 147 itens ficaram fora da nova sobretaxa de 12,5%.
Segundo cálculos da Global Trade Alert, o Brasil passou a ser o segundo país com a maior tarifa efetiva média entre todos os parceiros comerciais dos EUA, com alíquota de 17,7%, atrás apenas da China, cuja tarifa efetiva média alcança 27,2%.
Na tentativa de conter os impactos, o governo federal anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas, por meio do Programa Brasil Soberano. Do total, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES.
Na avaliação de especialistas, os impactos do tarifaço na bolsa foram limitados, pois o movimento já estava precificado pelo mercado.

Brent avança 9,58% na semana e supera US$ 101 pela 1º vez desde maio

No Oriente Médio, os ataques entre EUA e Irã continuaram, em meio aos esforços do Paquistão, com apoio da China, para retomar as negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerã. O petróleo Brent para setembro avançou 9,58% na semana, encerrando a última sessão a US$ 96,78 o barril, na ICE, em Londres.
Durante a semana, o barril chegou a superar US$ 101 pela primeira vez desde maio.

CSN Mineração e Vale lideram altas; WEG e Petrobras também se destacam

As ações da CSN Mineração (CMIN3) e da CSN (CSNA3) lideraram os ganhos do índice em meio à expectativa em torno da venda da divisão de cimentos do grupo.
Segundo a coluna de Lauro Jardim, do Globo, a italiana Cementir surgiu como candidata à aquisição dos ativos da CSN Cimentos. O Safra estima o negócio de cimento em mais de R$ 10 bilhões, valor relevante diante dos cerca de R$ 22 bilhões em vencimentos concentrados entre 2026 e 2028.
Na avaliação do banco, uma eventual monetização parcial do ativo pode aliviar as preocupações de liquidez e melhorar as condições de refinanciamento da dívida.
O destaque da semana, porém, ficou com a Vale (VALE3), que acumulou alta de mais de 3% após a divulgação de sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026, da eleição do novo presidente do conselho de administração e da destituição de Marcelo Gasparino da Silva do cargo de conselheiro, em decisão do colegiado por vazamento de informações confidenciais relativas à reunião de 19 de julho.
O relatório de produção confirmou a recuperação operacional no 2T26, com o minério de ferro atingindo seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.

Maiores altas da semana

Hapvida despenca 12,83% com juros pressionando

A ponta negativa da semana foi liderada pela Hapvida (HAPV3), em realização dos ganhos da semana anterior. A abertura da curva de juros ao longo do período pressionou as empresas alavancadas, categoria que inclui a operadora de saúde.
Os investidores seguem atentos aos altos níveis de sinistralidade da companhia à espera do balanço do segundo trimestre, previsto para quarta-feira (29).

Maiores quedas da semana