Trade eleitoral? Entenda por que o Banco do Brasil virou o preferido na Bolsa

Com pesquisas eleitorais mostrando disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, as ações do Banco do Brasil disparam na bolsa.

Publicado em 08/09/2026 às 15:44h Publicado em 08/09/2026 às 15:44h por Matheus Silva
Rumores de desestatização da empresa também animam o mercado (Imagem: Shutterstock)
Rumores de desestatização da empresa também animam o mercado (Imagem: Shutterstock)
📈 O Banco do Brasil (BBAS3) tornou-se o termômetro mais visível do chamado trade eleitoral na bolsa brasileira. Após pesquisas de intenção de voto apontarem uma disputa presidencial cada vez mais equilibrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o papel já subiu mais de 28% desde o dia 18 de agosto de 2026.
O detalhe que chamou atenção do mercado é que os demais bancos também subiram, porém com intensidade bem menor. Essa diferença reforça a leitura de que os investidores começaram a precificar especificamente a possibilidade de uma mudança no comando do governo federal, que teria impacto direto sobre a gestão de uma estatal.
"Banco do Brasil sobe por possibilidade de troca de governo. A alta está muito expressiva, e principalmente com corretoras estrangeiras atuando na ponta compradora", afirmou Gabriel Magno, chefe de alocação e sócio da AW Capital.
O movimento cria uma contradição evidente. Enquanto o preço da ação sobe, os indicadores operacionais do banco seguem em deterioração. No segundo trimestre, o lucro cresceu 3,3%, para R$ 3,9 bilhões, mas veio acompanhado de piora relevante na qualidade dos ativos, com aumento da inadimplência tanto entre pessoas físicas quanto entre produtores rurais.

Privatização entra no radar

Outro elemento que alimenta o otimismo do mercado é a hipótese, ainda especulativa, de privatização da estatal. Até agora, porém, não houve declaração pública de Flávio Bolsonaro nesse sentido.
Em entrevista concedida no mês passado, um dos principais colaboradores da campanha do candidato afirmou que a direção em matéria de privatizações seguiria a linha adotada por Paulo Guedes durante o governo Jair Bolsonaro, embora com menor intensidade. "Acho muito pouco provável alguma privatização de grande porte, como foi a da Eletrobras, por exemplo. Privatizações pontuais de empresas deficitárias ou falidas podem, sim, ser realizadas", disse.
O movimento também começou a se refletir nas carteiras recomendadas. A Ativa Investimentos incluiu o Banco do Brasil em sua seleção de setembro com peso de 5%, justificando a decisão pela busca de assimetria diante de uma eventual reprecificação do risco eleitoral, especialmente caso o mercado passe a atribuir maior probabilidade a um segundo turno competitivo.
Na mesma revisão, a casa incluiu a B3 (B3SA3) com peso de 7,5%, apostando na recuperação dos volumes negociados e no retorno do fluxo estrangeiro, e retirou Smart Fit (SMFT3) e Bradesco (BBDC4). A saída do Bradesco foi motivada pela expectativa de normalização apenas em 2028, levando a corretora a priorizar ativos com maior potencial de reprecificação diante da retomada do capital externo. O Itaú Unibanco (ITUB4) teve o peso ajustado para 12,75% e assumiu a liderança da carteira.

Estrangeiros olham menos para o vencedor e mais para o rumo fiscal

Apesar do rótulo de trade eleitoral, parte dos especialistas avalia que o interesse dos investidores internacionais é mais sofisticado do que uma simples aposta em nomes. Para Ricardo Coimbra, economista e conselheiro da Apimec Brasil, o foco do capital estrangeiro está na condução da política fiscal a partir de 2027.
"Ele está olhando o processo eleitoral, mas mais no foco do fiscal. Qual é o direcionamento que o próximo governo vai dar para o fiscal? Quais são as propostas dos candidatos em relação a essa pauta?", questionou o economista.
Os dados de fluxo confirmam a volatilidade do comportamento estrangeiro no período. Em 20 de agosto, houve saída de R$ 1,2 bilhão da bolsa. No dia seguinte, o fluxo reverteu para entrada de R$ 1,76 bilhão, com oscilações até a virada mais consistente observada no fim de agosto e início de setembro.

Analistas mantêm cautela mesmo com o rali em curso

A euforia do mercado, porém, não se traduziu em revisões positivas por parte das casas de análise. A XP atualizou o preço-alvo do BB para R$ 21, mantendo recomendação neutra, com potencial de queda de 1,2% em relação ao fechamento de R$ 21,26 na ocasião da revisão.
Segundo os analistas, a MP 1.376 funcionou como alívio para produtores rurais endividados e pode melhorar a qualidade dos ativos e reduzir o custo de risco nos próximos trimestres. Em contrapartida, a piora na carteira de pessoa física, especialmente em cartões de crédito e consignado, deve compensar parcialmente essa recuperação.
📊 Do lado dos dividendos, a expectativa também é restrita. O payout deve permanecer em torno de 30%, já que os índices de capital mais baixos e o menor patrimônio tangível tendem a manter a administração focada em preservar flexibilidade de capital nos próximos anos.

BBAS3

Banco do Brasil
Cotação

R$ 22,79

Variação (12M)

10,57 % Logo Banco do Brasil

Margem Líquida

3,71 %

DY

3.03%

P/L

10,64

P/VP

0,70