Renda fixa emitida pela Casas Bahia acumula perdas de 65%

O pedido de recuperação judicial feito pela varejista só agravou a situação dos debenturistas.

Publicado em 17/08/2026 às 15:19h Publicado em 17/08/2026 às 15:19h por Lucas Simões
Quem emprestou dinheiro ao Grupo Casas Bahia ao adquirir debêntures vive estresse (Imagem: Shutterstock)
Quem emprestou dinheiro ao Grupo Casas Bahia ao adquirir debêntures vive estresse (Imagem: Shutterstock)
Não são apenas os acionistas do Grupo Casas Bahia (BHIA3) que observam o seu patrimônio ser dilapidado nesta segunda-feira (17), já que os investidores de renda fixa que emprestaram dinheiro à rede varejista também passam por maus bocados, especialmente diante do recém pedido de recuperação judicial.
Entre as variadas emissões de títulos de dívida feitas pelo Grupo Casas Bahia, são as debêntures da 10ª emissão, com código de negociação BHIA0, que acumulam as perdas mais expressivas: prejuízo de -65% na marcação a mercado desde a sua emissão no dia 28 de abril de 2024. Por conta das debêntures entrarem em calote técnico, sequer aparece a taxa indicativa atual, sendo que nas condições de emissão, a remuneração era de 100% da taxa DI.
Afinal de contas, o preço unitário atual de cada debênture nas prateleiras das corretoras de valores (o mercado secundário de renda fixa) gira em torno de R$ 0,42. Ou seja, trata-se do valor que o mercado está disposto a pagar agora para assumir esse altíssimo risco de calote.
Enquanto isso, o valor unitário atualizado de cada título de dívida do Grupo Casas Bahia deveria ser de R$ 1,36, sendo o patamar correspondente à correção pela inflação (IPCA) desde a emissão das referidas debêntures há pouco mais de dois anos. 
Na ocasião, a empresa pegou emprestado R$ 1,5 bilhão e ainda precisou alongar o prazo de vencimento de sua 10ª emissão de debêntures no início de 2026, obrigando os debenturistas a carregarem tais títulos até o dia 28 de novembro de 2050.
Justamente pelo seu prazo de vencimento no longuíssimo prazo, quaisquer oscilações nas taxas são capazes de provocar prejuízos abruptos e acentuados na marcação a mercado, como ocorre agora, agravado pelo prejuízo de R$ 10 bilhões reportado no segundo trimestre do ano (2T26). 
Ao mesmo tempo em que o investimento em debêntures não conta com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), praticamente nenhum investidor de renda fixa em sã consciência tem o interesse agora em adquirir os referidos títulos de dívida do Grupo Casas Bahia, deixando os atuais debenturistas em uma condição de iliquidez severa.

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Casas Bahia
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