Fundador da Reag é indiciado pela PF por crimes financeiros

Mansur é acusado de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa em investigação sobre esquema no setor de combustíveis.

Publicado em 01/10/2026 às 10:21h Publicado em 01/10/2026 às 10:21h por Wesley Santana
Fundador da Reag, João Carlos Mansur vendeu a sua participação e deixou o board da gestora (Imagem: LinkedIn/Reprodução)
Fundador da Reag, João Carlos Mansur vendeu a sua participação e deixou o board da gestora (Imagem: LinkedIn/Reprodução)

O fundador da Reag, João Carlos Mansur, foi indiciado pela Polícia Federal por crimes financeiros. Outros 12 investigados também entraram no relatório da PF que se tornou público nesta quinta-feira (1).

Entre os crimes dos quais Mansur é acusado estão gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele teria participado de lavagem de dinheiro usando recursos de postos de combustíveis vinculados a organizações criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital). 

“Recursos de origem espúria, provenientes de sonegação fiscal e de demais ilícitos praticados no setor de combustíveis pelo grupo econômico formado pela Aster Petróleo Ltda. e pela Copape Produtos de Petróleo Ltda., foram introduzidos no Sistema Financeiro Nacional por intermédio de instituição de pagamento que operava contas bolsão sem identificação dos titulares, e, a partir dela, integrados a estrutura de fundos de investimento encadeados em cascata, administrados por três distribuidoras de títulos e valores mobiliários”, escreveu a PF na conclusão do relatório. 

Mansur havia sido incluído na lista de investigação em janeiro deste ano, depois de uma operação da PF. Naquela ocasião, houve busca e apreensão em alguns de seus endereços.

No entanto, ao menos há um ano, ele vem estampando capas policiais justamente por sua suposta ligação com o crime organizado ou com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Em setembro do ano passado, ele deixou a cadeira de executivo da Reag, empresa da bolsa que agora se chama Arandu Investimentos (ARND3) e deve deixar o balcão da B3 nos próximos meses.

A defesa do executivo foi procurado pela imprensa, mas preferiu não se manifestar. Caso mude de ideia, essa reportagem será atualizada com o posicionamento. 

Delação premiada

Mansur está em tratativas para um acordo de delação premiada. No começo deste mês, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou uma proposta ao STF (Supremo Tribunal Federal) para análise do ministro André Mendonça.

O documento enviado à Brasília tem 17 páginas detalhando como fundos de investimentos teriam sido usados para ações criminosas. Além disso, ele prometeu apontar o caminho de cerca de R$ 20 bilhões em ativos atribuídos a Vorcaro.