Privatização da Cemig (CMIG4) sai do radar com eleição em Minas Gerais

Os principais candidatos ao governo do estado descartaram a venda da elétrica.

Publicado em 20/09/2026 às 09:55h Publicado em 20/09/2026 às 09:55h por Marina Barbosa
Cemig é a Companhia Energética de Minas Gerais (Shutterstock)
Cemig é a Companhia Energética de Minas Gerais (Shutterstock)
A privatização da Cemig (CMIG4) foi muito especulada nos últimos anos. Porém, parece ter saído do radar diante das eleições 2026.
🗳️ Os candidatos mais bem posicionados na disputa pelo governo de Minas Gerais se posicionaram contra a medida durante a corrida eleitoral.
À frente das pesquisas com mais de 30% das intenções de voto, Cleitinho Azevedo (Republicanos) diz que só vê sentido na privatização de empresas que dão prejuízo, o que não é o caso da Cemig.
Tecnicamente empatados no segundo lugar das principais pesquisas eleitorais, Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT) também descartaram a venda da elétrica.
 
Até o atual governador Mateus Simões (PSD), que herdou o cargo de Romeu Zema (Novo) e atuou na privatização da Copasa (CSMG3), indicou ter desistido da ideia.

Apoio popular, incerteza no mercado

🔎 O discurso tem explicação: 56% dos eleitores de Minas Gerais se disseram contra a privatização da Cemig em uma pesquisa realizada pela Quaest no início de setembro, a cerca de um mês das eleições. Porém, elevou a incerteza do mercado em relação ao futuro da elétrica.
Em um relatório recente, o Safra observou que eventuais mudanças na administração e na estratégia da Cemig podem aumentar a percepção de risco entre os investidores e a volatilidade das ações da Cemig, além de atrasar discussões importantes, como a renovação de concessões.
 
O banco também lembrou que, mesmo que os candidatos mudem de postura, a privatização teria um longo caminho a percorrer, já que precisaria ser aprovada pela Assembleia Legislativa ou demandaria uma mudança na Constituição de Minas Gerais.
Diante disso e da avaliação de que o papel oferece um retorno limitado no momento, o Safra mantém uma postura neutra em relação às ações da Cemig.
O JP Morgan é ainda mais cauteloso e recomenda a venda. O banco não vê muito espaço para surpresas positivas no balanço e ainda tem dúvidas sobre o impacto de questões regulatórias e das eleições na elétrica.
Em relação à privatização, a avaliação do JP Morgan é de que o tema perdeu força após dois mandatos em que as expectativas não se concretizaram.

A privatização da Cemig e o papel de Mateus Simões

A privatização da Cemig foi formalmente proposta em novembro de 2024, durante o governo de Romeu Zema, que deixou o comando do estado nas mãos de Mateus Simões em março de 2026 para concorrer à presidência da República.
A proposta foi apresentada junto com a privatização da Copasa, que avançou e foi concluída em junho de 2026.
Mateus Simões era vice-governador na ocasião e foi responsável por levar os projetos à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
À época, disse que a proposta poderia melhorar a qualidade dos serviços prestados à população e ampliar os investimentos das empresas.
Já na campanha eleitoral, afirmou que o estado vendeu o controle da Copasa porque precisava levantar recursos para garantir a renegociação da sua dívida com a União.
Além disso, descartou a privatização da Cemig, dizendo que pretende discutir apenas a venda da Gasmig (Companhia de Gás de Minas Gerais) caso seja reeleito governador.
"Conseguimos evitar a venda da Cemig, que não faz parte de nenhum projeto de venda nesse momento. A Cemig, na verdade, tem conseguido prestar um serviço muito melhor hoje do que prestava há sete anos", afirmou Simões, em entrevista à EPTV, filiada da Globo em Minas.

Em 1º, Cleitinho modera o tom

Cleitinho Azevedo chegou a defender a privatização das estatais mineiras em 2022, mas moderou o tom na corrida pelo governo do estado.
O candidato vem dizendo que só pretende privatizar empresas que dão prejuízo e falou até em usar o lucro da Cemig para subsidiar a conta de luz dos mineiros.
"Empresa que dá prejuízo e não tem prestação de serviço, a gente tem que dialogar sim e conversar sobre a questão da privatização. Agora, empresa que dá lucro, não vejo necessidade de privatizar", afirmou Cleitinho, em debate promovido pela "TV Bandeirantes".
Na ocasião, o candidato lembrou que a Cemig entrega um lucro de quase R$ 5 bilhões por ano. Porém, criticou o fato de que boa parte desses resultados fica com os acionistas da empresa.
Em 2025, por exemplo, o lucro da companhia alcançou R$ 4,9 bilhões e a distribuição de dividendos somou R$ 3,5 bilhões, superando o payout obrigatório de 50%.
"O lucro hoje fica na mão do acionista. Cabe ao governador, porque é uma empresa estatal que metade é do governo, bater na mesa e falar que o lucro deve subsidiar a conta", declarou Cleitinho.

Em 2º, Patrus Ananias e Alexandre Kalil mostram alinhamento

Patrus Ananias descartou a privatização e a federalização da Cemig, por acreditar que o estado deve preservar empresas que prestam serviços de interesse público.
Diante desse entendimento, o programa de governo do candidato do PT chegou até a propor a reversão da privatização da Copasa. Porém, em entrevistas recentes, o candidato disse que a ideia é avaliar o contrato e as metas da empresa antes de tomar qualquer decisão.
"Se a empresa cumprir bem os seus compromissos, nós vamos manter a privatização até por questão de recursos", afirmou Ananias, durante sabatina da "Folha de S. Paulo" e do "Uol".
Alexandre Kalil tem uma postura semelhante. Em vídeo publicado recentemente nas redes sociais, disse que não vai privatizar a Cemig, "muito menos fazer negociata e deixar interesse de empresário acima do povo mineiro".
Antes disso, já havia afirmado que o estado não deve se desfazer de empresas que dão lucro e só deve seguir com privatizações caso isso vá melhorar a vida das pessoas. Em entrevista ao portal "BHAZ", ele ainda disse que iria analisar o contrato de privatização da Copasa.
Também na briga pelo governo de Minas, Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB) se posicionaram contra a privatização da Cemig.

Veja como está a corrida pelo governo de Minas Gerais, segundo a última pesquisa Datafolha:

1º turno (estimulado):
  • Cleitinho Azevedo (Republicanos): 37%;
  • Patrus Ananias (PT): 13%;
  • Alexandre Kalil (PDT): 11%;
  • Mateus Simões (PSD): 4%;
  • Flávio Roscoe (PL): 4%;
  • Gabriel (MDB): 4%;
  • Professor Túlio Lopes (PCB): 3%;
  • Rafael Duda (PSTU): 1%;
  • Ben Mendes (Missão): 1%;
  • Henrique Áreas (PCO): 1%;
  • Indira Xavier (UP): 0%;
  • Em branco/nulo/nenhum: 11%;
  • Indecisos: 10%.
Segundo o Datafolha, Cleitinho Azevedo ganharia em um eventual segundo turno contra Patrus Ananias ou Alexandre Kalil. No primeiro caso, por 59% x 24%. E no segundo, por 54% x 29%.
O Datafolha ouviu 1.204 eleitores entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

CMIG4

Cemig
Cotação

R$ 11,21

Variação (12M)

9,52 % Logo Cemig

Margem Líquida

10,51 %

DY

11.43%

P/L

6,98

P/VP

1,10