O
Ibovespa perdeu 1,1% nesta semana, em meio às decisões de juros da Super Quarta e à corrida eleitoral. Porém, algumas ações do índice caíram bem mais.
Até a
Vale (VALE3) entrou na lista das maiores perdas semanais do Ibovespa, com um baque de 6,4%, assim como a
Usiminas (USIM5), que caiu 6,2%.
A derrocada das ações atesta o cenário desafiador enfrentado pelo setor nas últimas semanas, diante da oscilação dos preços internacionais das
commodities.
⚒️ De um lado, o
minério de ferro perdeu 0,46% na semana, estendendo as perdas já registradas na semana anterior e pressionando as perspectivas de lucro das mineradoras.
Do outro, o
petróleo até deu sinais de queda, mas continuou sendo cotado acima de US$ 100 o barril -um patamar que afeta os preços do frete e tende a elevar as despesas dessas companhias.
Por isso, a semana foi de perdas generalizadas para o setor na B3 e de alertas dos especialistas. O Bradesco BBI, por exemplo, chamou atenção para o volume de investidores que apostam em novas quedas da CSN Mineração.
⚠️ Levantamento do banco mostrou que a ação apresentava uma taxa de aluguel de 29,30% no início da semana, o que indica que muitos investidores estavam tomando os papéis emprestados para tentar vendê-los a preços mais baixos no futuro.
"A continuidade da pressão sobre o minério pode sustentar novas posições vendidas e ampliar a volatilidade do papel, enquanto uma recuperação da commodity poderia tornar a CSN Mineração mais sensível a movimentos de cobertura de short”, concluiu o BBI.
O Goldman Sachs também apontou a CSN Mineração como uma das mineradoras brasileiras mais expostas a este cenário.
⛽ O banco explicou que a companhia não conta com proteção para os custos de energia, como a Vale, que tem contratos de hedge para se blindar de eventuais altas do frete.
A Usiminas está na mesma situação, mas ainda conta com uma recomendação de compra do Goldman Sachs já que a maior parte dos seus resultados advém do negócio de
aço.
As siderúrgicas, porém, também enfrentam um momento difícil, devido à redução da demanda chinesa e ao excesso de oferta de aço no mercado global.
A
CSN (CSNA3), por exemplo, apresentou o segundo pior desempenho do Ibovespa na semana, devido à redução das margens do setor e a dúvidas sobre o andamento do plano de desinvestimento da empresa.
Veja as 10 ações do IBOV que mais caíram na semana:
- CSN Mineração (CMIN3): -18,0%;
- CSN (CSNA3): -12,8%;
- Azzas (AZZA3): -12,2%;
- Cury (CURY3): -8,9%;
- MRV (MRVE3): -8,4%;
- Hapvida (HPAV3): -8,0%;
- Tenda (TEND3): -6,8%;
- Bradespar (BRAP4): -6,5%;
- Vale (VALE3): -6,4%;
- Usiminas (USIM5): -6,2%.
O que explica o movimento das commodities?
A queda do minério de ferro tem como pano de fundo a desaceleração da economia chinesa.
A China é a maior consumidora do mundo de minério de ferro, mas reduziu os investimentos e passou a crescer mais devagar. Por isso, reduziu a demanda pela commodity.
A situação afeta diretamente as mineradoras da B3, já que afeta os preços internacionais do minério de ferro, mas também porque a China é o destino de boa parte da commodity produzida no Brasil.
A CSN Mineração, por exemplo, obtém 88% da sua receita na Ásia, ao passo que a Vale gera 50% da sua receita na China, segundo dados do Investidor10.
A Usiminas também exporta para a China e recentemente suspendeu as operações da mina de Samambaia, em Minas Gerais, em razão das "condições externas desafiadoras".
Já o vai e vem dos preços do petróleo é decorrente do conflito no Oriente Médio, que ameaça a produção local de óleo.