Vale, CSN Mineração e Usiminas afundam na Bolsa na semana; entenda

Só a CMIN3 caiu 18%, mas VALE3 e USIM5 também ficaram entre as maiores baixas do IBOV.

Publicado em 19/09/2026 às 11:07h Publicado em 19/09/2026 às 11:07h por Marina Barbosa
Os preços do minério de ferro diminuíram, pressionados pela redução da demanda chinesa (Imagem: Shutterstock)
Os preços do minério de ferro diminuíram, pressionados pela redução da demanda chinesa (Imagem: Shutterstock)
O Ibovespa perdeu 1,1% nesta semana, em meio às decisões de juros da Super Quarta e à corrida eleitoral. Porém, algumas ações do índice caíram bem mais.
📉 O destaque negativo ficou com as mineradoras, a começar pela CSN Mineração (CMIN3), que afundou 18% e fechou no menor patamar em mais de um mês.
Até a Vale (VALE3) entrou na lista das maiores perdas semanais do Ibovespa, com um baque de 6,4%, assim como a Usiminas (USIM5), que caiu 6,2%. 
A derrocada das ações atesta o cenário desafiador enfrentado pelo setor nas últimas semanas, diante da oscilação dos preços internacionais das commodities.
⚒️ De um lado, o minério de ferro perdeu 0,46% na semana, estendendo as perdas já registradas na semana anterior e pressionando as perspectivas de lucro das mineradoras.
Do outro, o petróleo até deu sinais de queda, mas continuou sendo cotado acima de US$ 100 o barril -um patamar que afeta os preços do frete e tende a elevar as despesas dessas companhias.
Por isso, a semana foi de perdas generalizadas para o setor na B3 e de alertas dos especialistas. O Bradesco BBI, por exemplo, chamou atenção para o volume de investidores que apostam em novas quedas da CSN Mineração.
⚠️ Levantamento do banco mostrou que a ação apresentava uma taxa de aluguel de 29,30% no início da semana, o que indica que muitos investidores estavam tomando os papéis emprestados para tentar vendê-los a preços mais baixos no futuro.
"A continuidade da pressão sobre o minério pode sustentar novas posições vendidas e ampliar a volatilidade do papel, enquanto uma recuperação da commodity poderia tornar a CSN Mineração mais sensível a movimentos de cobertura de short”, concluiu o BBI.
O Goldman Sachs também apontou a CSN Mineração como uma das mineradoras brasileiras mais expostas a este cenário.
⛽ O banco explicou que a companhia não conta com proteção para os custos de energia, como a Vale, que tem contratos de hedge para se blindar de eventuais altas do frete.
A Usiminas está na mesma situação, mas ainda conta com uma recomendação de compra do Goldman Sachs já que a maior parte dos seus resultados advém do negócio de aço.
As siderúrgicas, porém, também enfrentam um momento difícil, devido à redução da demanda chinesa e ao excesso de oferta de aço no mercado global. 
A CSN (CSNA3), por exemplo, apresentou o segundo pior desempenho do Ibovespa na semana, devido à redução das margens do setor e a dúvidas sobre o andamento do plano de desinvestimento da empresa.

Veja as 10 ações do IBOV que mais caíram na semana:

O que explica o movimento das commodities?

A queda do minério de ferro tem como pano de fundo a desaceleração da economia chinesa.
A China é a maior consumidora do mundo de minério de ferro, mas reduziu os investimentos e passou a crescer mais devagar. Por isso, reduziu a demanda pela commodity.
A situação afeta diretamente as mineradoras da B3, já que afeta os preços internacionais do minério de ferro, mas também porque a China é o destino de boa parte da commodity produzida no Brasil.
A CSN Mineração, por exemplo, obtém 88% da sua receita na Ásia, ao passo que a Vale gera 50% da sua receita na China, segundo dados do Investidor10
A Usiminas também exporta para a China e recentemente suspendeu as operações da mina de Samambaia, em Minas Gerais, em razão das "condições externas desafiadoras".
Já o vai e vem dos preços do petróleo é decorrente do conflito no Oriente Médio, que ameaça a produção local de óleo.

CMIN3

CSN MINERAÇÃO
Cotação

R$ 5,46

Variação (12M)

13,11 % Logo CSN MINERAÇÃO

Margem Líquida

13,41 %

DY

7.07%

P/L

12,71

P/VP

4,04