Mais uma empresa da B3 pede recuperação extrajudicial; conheça

A Alliança Saúde (AALR3) recorreu ao mecanismo para tentar renegociar R$ 1,1 bi em dívidas.

Publicado em 05/08/2026 às 11:46h Publicado em 05/08/2026 às 11:46h por Marina Barbosa
A Alliança é dona de clínicas de medicina diagnóstica (Imagem: Shutterstock)
A Alliança é dona de clínicas de medicina diagnóstica (Imagem: Shutterstock)
Mais uma empresa listada na B3 pediu recuperação extrajudicial, para tentar renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas.
🏥 É a Alliança Saúde e Participações (AALR3), dona de clínicas de diagnóstico médico espalhadas por 10 estados brasileiros, como CDB, Plani, Proimagem e Cedimagem.
A companhia era controlada por Nelson Tanure até fevereiro deste ano, quando o empresário perdeu ações da empresa que havia dado como garantia em empréstimos, abrindo espaço para a reestruturação do negócio.
Os credores que ficaram com as ações de Tanure venderam os papeis para a Geribá Investimentos, gestora conhecida pela atuação no processo de reestruturação e turnaround de empresas e assumiu o controle da rede de clínicas médicas com esse mesmo objetivo.
Pouco depois da mudança de controle, a Alliança Saúde buscou proteção contra a execução de dívidas na Justiça e instaurou uma câmara de mediação com os credores.
À época, a empresa disse que o objetivo era renegociar dívidas sem ter que interromper suas atividades ou alterar a condução dos negócios. 
O resultado dessa negociação foi apresentado nesta quarta-feira (5), através do plano de recuperação extrajudicial protocolado na Justiça de São Paulo.
Em fato relevante, a Alliança disse que a submissão do plano inaugura um novo e decisivo capítulo do processo de reestruturação financeira, deflagrado a partir da mudança de controle.

Médicos fundadores de volta

A recuperação extrajudicial permite que as empresas renegociem suas dívidas diretamente com os credores, mas exige a aprovação dos detentores de ao menos 51% dos créditos envolvidos para ser homologada pela Justiça.
💲 No caso da Alliança Saúde, o plano já foi apresentado com o aval de 83 credores que representam 54% da dívida de R$ 1,1 bilhão que a empresa tenta renegociar. E 92% desses optaram por converter seus créditos em ações. A outra opção seria receber o pagamento em dinheiro, mas com desconto e possivelmente parcelado.
Entre esses credores, estão os médicos fundadores da companhia e parceiros relevantes como a Afip (Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa).
Na avaliação da empresa, os números mostram o esforço de negociação empreendido nos últimos meses e o alinhamento de interesses dos credores, além da confiança no projeto de recuperação e na trajetória de longo prazo do negócio.
A administração destacou especialmente a adesão dos médicos, por acreditar que o engajamento dos profissionais é fundamental para a manutenção e retomada das operações.

Negociações continuam

Apesar de já ter conseguido o apoio exigido pela Justiça para seguir com a recuperação extrajudicial, a Alliança segue em tratativas com os credores e tem a perspectiva de novas adesões ao plano.
Para isso, apresentou condições especiais de renegociação para os fornecedores e locadores que concordarem em preservar a relação comercial com a empresa -grupo que chamou de credores parceiros estratégicos.
Porém, ressaltou que o plano possui escopo limitado e estritamente financeiro. Dessa forma, não abrange obrigações com pacientes, colaboradores, operadoras de planos de saúde, seguradoras de saúde e cooperativas de saúde. 

Reestruturação financeira

Na avaliação da Alliança Saúde, o plano de recuperação extrajudicial representa uma solução abrangente para o equacionamento do seu endividamento.
A expectativa é que a conversão de dívidas em ações, o perdão de dívidas e o alongamento do prazo de pagamento das obrigações remanescentes reduzam substancialmente a alavancagem.
O plano ainda autoriza a companhia a captar novos recursos no mercado para reforçar o caixa, cumprir as obrigações assumidas com os credores, otimizar a estrutura de capital e melhorar o perfil de endividamento.
"Espera-se, assim, o fortalecimento do patrimônio líquido, o restabelecimento de estrutura de capital sustentável, o realinhamento do perfil de vencimentos ao fluxo de caixa operacional e a recomposição das condições necessárias à retomada da trajetória de geração de valor da Alliança", afirmou.

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