De Nubank a Usiminas: Banco elege os destaques positivos e negativos do 2T26

O Santander projetou balanços do 2T26 e mapeou quais empresas de sua cobertura devem se destacar positivamente e quais vão sofrer.

Publicado em 20/07/2026 às 19:25h Publicado em 20/07/2026 às 19:25h por Matheus Silva
Para os analistas, commodities devem impulsionar os balanços do 2T26 (Imagem: Shutterstock)
Para os analistas, commodities devem impulsionar os balanços do 2T26 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Santander (SANB11) divulgou sua avaliação para a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) e traçou um mapa claro de vencedores e perdedores entre as empresas de sua cobertura. 
De forma geral, o banco projeta crescimento médio de 10% na receita líquida, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido na comparação anual, mas alerta que esse avanço será bastante desigual entre os setores.
Na avaliação do Santander, o resultado será puxado principalmente pelas empresas ligadas a commodities, que devem registrar crescimento de cerca de 11% na receita líquida, 33% no Ebitda e 32% no lucro líquido. 
Os setores domésticos, por outro lado, devem apresentar expansão mais moderada, com alta de aproximadamente 10% na receita, 8% no Ebitda e 10% no lucro líquido, refletindo o impacto dos juros reais elevados e das condições de crédito mais restritivas.
O banco também destaca que as revisões recentes das estimativas reforçam essa polarização. Enquanto o setor de petróleo e gás recebeu revisões positivas para lucro e Ebitda, segmentos como varejo, construção civil e bancos sofreram cortes nas projeções.
Na avaliação do Santander, a temporada de resultados deve reforçar a preferência do mercado por empresas menos sensíveis aos juros e mais expostas às commodities, sem alterar por si só a narrativa macroeconômica.

Petrobras, Bradesco, Nubank e Gerdau entre os favoritos

O Bradesco (BBDC4) deve registrar lucro recorrente de R$ 6,97 bilhões, alta de 15% na comparação anual e de 2% sobre o trimestre anterior, com ROAE (retorno sobre o patrimônio) de 16%. O Santander também espera crescimento da margem financeira, sem riscos relevantes para as receitas de tesouraria, apesar da volatilidade da curva de juros.
O Nubank (ROXO34) deve apresentar lucro líquido de US$ 960 milhões, avanço de 51% em um ano e de 10% na comparação trimestral. A expectativa é de melhora da margem financeira ajustada ao risco, impulsionada pelo crescimento das receitas, embora o ritmo de expansão das despesas deva acelerar.
No setor de petróleo, Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3) devem ser beneficiadas pela alta sustentada do petróleo e pela boa execução operacional, compensando o impacto negativo do imposto de 12% sobre as exportações de óleo. Para a Petrobras, a expectativa é de forte desempenho na área de exploração e produção, enquanto o refino deve seguir resiliente.
A Gerdau (GGBR4) deve registrar recuperação dos volumes e dos preços no Brasil, apesar da pressão dos custos de carvão e minério de ferro, com Ebitda consolidado estimado em R$ 3,37 bilhões e margem de 18%. 
A Usiminas (USIM5) deve apresentar estabilidade nos volumes de aço, melhora dos preços realizados e recuperação da produção de minério de ferro, com Ebitda projetado de R$ 714 milhões.
A Fras-le (FRAS3) deve mostrar melhora relevante na rentabilidade, favorecida pela valorização do real, que reduz o impacto dos custos dolarizados, além do aumento dos volumes vendidos. 
A Multiplan (MULT3) deve apresentar um trimestre forte impulsionado por créditos tributários extraordinários de PIS/Cofins, com receita líquida estimada em R$ 845,2 milhões, alta de 23,7% em um ano, embora a geração de caixa (AFFO) deva recuar 5,6% desconsiderando esse efeito não recorrente.
Entre as empresas de consumo, a Smart Fit (SMFT3) deve reportar crescimento de 22% na receita e de 12% no lucro líquido, sustentada principalmente pelo bom desempenho da plataforma Totalpass. 
Na TIM (TIMS3), a expectativa é de crescimento de 6% na receita consolidada, para R$ 7 bilhões, e avanço de 7,2% no Ebitda, apoiado pela expansão dos serviços corporativos (B2B), da receita fixa e pela incorporação da V8.Tech e da I-Systems.

Banco do Brasil, Natura e Marcopolo entre os que devem decepcionar

O Banco do Brasil deve mostrar apenas uma leve melhora em relação ao trimestre anterior. As provisões continuam pressionando os resultados, enquanto o agronegócio segue como principal ponto de atenção do banco.
A Aura Minerals deve registrar queda de 5% na produção de ouro na comparação trimestral, acompanhada por aumento dos custos unitários devido ao plano de lavra e aos impactos do conflito no Oriente Médio.
O Grupo Mateus deve ter queda de 7,5% nas vendas nas mesmas lojas e compressão da margem Ebitda em razão do ambiente de consumo mais difícil. No Inter, apesar da expectativa de crescimento do lucro e da carteira de crédito, o aumento do custo de risco deve limitar a expansão da margem financeira ajustada ao risco.
A JBS deve apresentar resultados mais fracos na comparação anual, pressionada pelo aumento dos custos da operação de carne bovina nos EUA e pela recuperação mais lenta do que o esperado dos preços na divisão de aves. 
A Marcopolo também deve ficar abaixo das expectativas, afetada por mix menos favorável, menor rentabilidade das exportações, inflação de custos e um intervalo temporário nas entregas de programas governamentais.
📊 Já a Natura deve sofrer com dificuldades operacionais no Brasil relacionadas a atualizações de sistemas e mudanças nas políticas dos canais de venda, o que deve resultar em queda de cerca de 10% da receita e compressão de aproximadamente cinco pontos percentuais da margem Ebitda.