XP corta expectativa de dividendos do BB (BBAS3) e vê payout apertado até 2028

As projeções da XP apontam dividendo por ação de R$ 0,70 em 2026, subindo para R$ 1,20 em 2027 e R$ 1,60 em 2028.

Publicado em 02/09/2026 às 16:15h Publicado em 02/09/2026 às 16:15h por Matheus Silva
O payout projetado é de 24% em 2026 (Imagem: Shutterstock)
O payout projetado é de 24% em 2026 (Imagem: Shutterstock)
🚨 A ação do Banco do Brasil (BBAS3), que chegou perto das mínimas desde 2023 logo após o balanço, ganhou fôlego com o "trade eleitoral" e acumula alta superior a 20% desde então. 
Apesar da euforia recente, a XP avalia que os fundamentos do banco continuam desafiadores e atualizou o preço-alvo para R$ 21, o que representa potencial de queda de 1,2% frente ao fechamento de R$ 21,26. A recomendação neutra foi mantida.
Segundo os analistas, o ambiente melhorou em parte. A MP 1.376 funcionou como um alívio para produtores rurais endividados, o que pode melhorar a qualidade dos ativos e reduzir o custo de risco nos próximos trimestres.
Por outro lado, a deterioração da carteira de pessoa física, especialmente em cartões de crédito e consignado, deve compensar parte dessa recuperação e limitar a melhora dos lucros.

Dividendos seguem apertados

Para os investidores focados em renda, a XP reserva más notícias. O payout, fatia do lucro distribuída em dividendos, deve continuar restrito, hoje em 30%, já que os índices de capital mais baixos e o menor patrimônio tangível devem manter a administração "focada em preservar flexibilidade de capital".
As projeções da XP apontam dividendo por ação de R$ 0,70 em 2026, subindo para R$ 1,20 em 2027 e R$ 1,60 em 2028. Isso equivaleria a dividend yields de aproximadamente 3,4% em 2026, 5,9% em 2027 e 7,5% em 2028. O payout projetado é de 24% em 2026 e 30% nos dois anos seguintes.
"Mesmo em um cenário estressado, a ação negocia acima de sua média histórica de P/L (em cerca de 5x 2027E), sugerindo potencial de valorização limitado e pouco espaço para uma reprecificação relevante no curto prazo", destaca a XP, justificando a postura cautelosa diante do ambiente macroeconômico desafiador, dos riscos de execução da MP 1.376, da qualidade de ativos ainda pressionada e da limitada flexibilidade de capital do banco.

Agro pode virar o jogo, mas efeito só deve aparecer a partir do 4T26

O principal ponto positivo identificado pela XP está no agronegócio. A MP 1.376, que permite renegociação de dívidas com entrada, prazos mais longos e garantias adicionais, deve ajudar a melhorar a qualidade dos ativos agrícolas do banco.
Combinada com sinais de recuperação nos preços da soja e um real mais fraco, a medida tende a aliviar gradualmente a situação financeira dos produtores.
A XP projeta queda relevante no custo de risco ligado ao agronegócio a partir do quarto trimestre de 2026, com efeitos positivos se estendendo para 2027 e 2028.
O problema é o timing, já que muitos produtores adiaram pagamentos e renegociações à espera de mais clareza sobre o programa, o que deve manter o terceiro trimestre ainda pressionado, com melhora mais visível apenas no trimestre seguinte.
A própria administração do Banco do Brasil estima que cada R$ 1 bilhão em empréstimos renegociados poderia adicionar cerca de R$ 200 milhões ao lucro da instituição.

Inadimplência de pessoa física dobra

Enquanto o agro sinaliza melhora, a carteira de pessoa física se tornou a nova fonte de preocupação. 
Segundo a XP, a qualidade desses ativos piorou de forma relevante no segundo trimestre: os créditos em atraso há mais de 90 dias (NPL 90+) subiram para 8,4%, ante 6,8% no primeiro trimestre, enquanto a cobertura caiu cerca de 22 pontos percentuais, para 125,8%.
Os novos créditos inadimplentes mais que dobraram no trimestre, chegando a R$ 11,8 bilhões, com mais da metade do aumento vindo dos cartões de crédito, embora a deterioração também tenha avançado sobre os empréstimos consignados. 
A XP atribui o movimento à expansão recente da carteira de cartões, que ampliou a base de clientes incluindo grupos de maior risco. 
A casa não espera retorno da inadimplência aos níveis historicamente baixos, mas sim a estabilização em um novo patamar de equilíbrio próximo ao observado no mercado como um todo.
💰 Com isso, a melhora esperada no agronegócio deve ser parcialmente neutralizada pela piora do crédito para pessoas físicas, tornando a recuperação da rentabilidade do Banco do Brasil um processo mais lento do que o mercado poderia esperar.

BBAS3

Banco do Brasil
Cotação

R$ 22,24

Variação (12M)

8,21 % Logo Banco do Brasil

Margem Líquida

3,71 %

DY

3.22%

P/L

10,39

P/VP

0,68