Como o fim da escala 6x1 afeta as empresas listadas na B3?

De acordo com analistas, a mudança pode elevar os custos de varejistas e construtoras.

Publicado em 15/10/2026 às 13:19h - Atualizado em 15/10/2026 às 13:27h Publicado em 15/10/2026 às 13:19h Atualizado em 15/10/2026 às 13:27h por Marina Barbosa
O mercado projeta uma alta de aproximadamente 10% dos custos com mão de obra no varejo (Imagem: Shutterstock)
O mercado projeta uma alta de aproximadamente 10% dos custos com mão de obra no varejo (Imagem: Shutterstock)
O fim da escala 6x1 promete ampliar o tempo livre e a qualidade de vida do trabalhador brasileiro. Porém, também deve elevar os custos das empresas, sobretudo no varejo. Por isso, pesa sobre a Bolsa nesta quinta-feira (15). 
Com a mudança, a jornada de trabalho cairá de forma gradual de 44 horas para 40 horas semanais no Brasil. Com isso, os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso semanal, um deles preferencialmente aos domingos, sem qualquer corte de salário. 
Já as empresas terão que reorganizar suas escalas de trabalho, investir em tecnologia ou contratar mais funcionários para manter as operações nos moldes atuais. O mercado estima um aumento de aproximadamente 10% dos custos com mão de obra, enquanto o governo vê o custo médio do trabalho subindo 7,84%.
A mudança vai afetar sobretudo negócios intensivos em mão de obra, como os do varejo, serviços e construção civil. Não à toa, empresas como Assaí (ASAI3), Cury (CURY3) e Vivara (VIVA3) despontam entre as maiores baixas do Ibovespa nesta quinta-feira (15).
De acordo com o BTG, o fim da escala 6x1 pode afetar os gastos com pessoal, o Ebitda e o lucro por ação dessas empresas, podendo até corroer as margens do varejo caso as companhias não consigam compensar a alta de custos com ganhos de produtividade ou reajustes de preços.
Em estudo elaborado enquanto a reforma estava em discussão no Congresso Nacional, o banco alertou para os impactos em empresas como Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Assaí, além das farmacêuticas. O head de renda variável da Faz Capital, Alexandre Pletes, também vê impactos para o Grupo Mateus (GMAT3) e o Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro.
"Os retalhistas com um modelo de negócio mais intensivo em capital, como o Assaí, podem ter mais dificuldade em compensar o aumento dos custos de mão-de-obra e podem ser forçados a aumentar os preços ou a reduzir as margens, o que poderá impactar a procura do consumidor no curto prazo", afirmou o BTG.
Por outro lado, o BTG diz que Magazine Luiza (MGLU3), Raia Drogasil (RADL3) e Vivara poderiam driblar esse cenário ao expandir suas soluções digitais. 
Já a XP acredita que companhias que apresentam maior diversificação internacional e margens mais robustas de Ebitda/Lucro líquido podem ter menos dificuldades. Seria o caso de SmartFit (SMFT3), Mercado Livre (MELI34), Track&Field (TFCO4), Vulcabras (VULC3), Vivara e Renner, segundo a casa.

Alta de preços

O setor produtivo também alertou para o impacto da redução na jornada de trabalho nos custos das empresas e nos preços cobrados ao consumidor final, em notas publicadas após a aprovação do fim da escala 6x1 no Senado, na quarta-feira (14).
Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a mudança deve aumentar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões por ano. Por isso, pode levar a uma alta de aproximadamente 6,2% nos preços cobrados ao consumidor.
A entidade prevê uma alta de 5,7% nas compras em supermercados e de 6% nos produtos industrializados, chegando a 6,6% no caso de roupas e calçados, o que poderia pressionar ainda mais a inflação brasileira.
A CNC (Confederação Nacional de Comércio) também disse estar preocupada com os reflexos da medida nos custos operacionais, na produtividade, na competitividade, na geração de empregos e no custo de vida da população.
O Sinduscon-SP (Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo) foi ainda mais incisivo, dizendo que as obras da construção civil que não comportam reajuste, como as do Minha Casa, Minha Vida, poderiam acabar sendo paralisadas. 
Diante disso, os analistas têm dúvidas se o fato de que o trabalhador brasileiro terá mais tempo livre a partir da mudança deve se refletir em ganhos maiores para as empresas ligadas ao setor de lazer, como as administradoras de shoppings -Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTI11) e Allos (ALOS3).