Bancões entram na arena do 2T26, mas só um sairá campeão; XP revela favorito

O Santander abre a temporada de balanço para os bancos no dia 29 de julho, seguido por Itaú em 4 de agosto e Bradesco já no dia seguinte.

Publicado em 16/07/2026 às 21:58h Publicado em 16/07/2026 às 21:58h por Matheus Silva
Analistas projetam que um dos bancos entregará forte crescimento das receitas (Imagem: Shutterstock)
Analistas projetam que um dos bancos entregará forte crescimento das receitas (Imagem: Shutterstock)
A temporada de resultados dos grandes bancos privados brasileiros está próxima. O Santander Brasil (SANB11) abre a fila em 29 de julho, seguido pelo Itaú Unibanco (ITUB4) em 4 de agosto e pelo Bradesco (BBDC4) em 5 de agosto. 
Antes mesmo dos números, a XP já elegeu seu vencedor: o Bradesco.
Em relatório, os analistas da corretora projetam que o bancão entregará forte crescimento das receitas, expansão dos empréstimos com garantia e boa qualidade dos ativos, mesmo em um momento desfavorável da economia.

Bradesco deve apresentar lucro de R$ 6,9 bi

O Bradesco vem realizando um trabalho de limpeza na carteira há alguns trimestres, retirando ativos menos rentáveis do portfólio, e deve ser recompensado por isso no segundo trimestre. 
Segundo os analistas da XP, a expansão do crédito estará concentrada principalmente em empréstimos para pequenas e médias empresas com apoio de instituições financeiras estrangeiras, financiamento de veículos e antecipação de recebíveis.
Por outro lado, o banco deverá manter postura cautelosa, reduzindo a exposição ao crédito ao consumidor sem garantia e aos empréstimos corporativos. 
As receitas com tarifas devem crescer, impulsionadas pelo bom desempenho da operação de seguros. A inadimplência e o custo de crédito devem permanecer estáveis, e as despesas operacionais seguirão sob controle.
A XP projeta lucro de R$ 6,9 bilhões para o Bradesco, alta de 15%, e ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 15,8%, avanço de 1,3 ponto percentual.

Itaú deve entregar resultado resiliente

O Itaú deverá apresentar um conjunto de resultados sólido, mas sem revelar novidades. Os analistas esperam crescimento da carteira de crédito impulsionado pelas pequenas e médias empresas e pela expansão do crédito consignado privado, enquanto a demanda das grandes empresas permanece fraca.
A receita líquida de juros deve ficar em linha com as projeções, com spreads crescendo junto com a receita financeira. A qualidade dos ativos deve permanecer sob controle, ainda que a XP identifique alguma pressão em PMEs, crédito consignado privado e financiamento de veículos.
"Na nossa opinião, o principal tema do trimestre deverá ser a queda nas receitas de comissões, refletindo a fragilidade da atividade nos mercados de capitais, menores taxas de desempenho e crescimento limitado das receitas de serviços", afirma a XP. 
O rigoroso controle de custos deve compensar boa parte dos efeitos da economia fraca. A corretora projeta lucro de R$ 12,3 bilhões para o Itaú, alta de 7,7%, e ROE de 24,3%, avanço de 0,9 ponto percentual.

Santander acende sinal amarelo

O Santander deverá apresentar os números mais modestos entre os três. A carteira de crédito deve crescer entre 4% e 5% na comparação anual, puxada pelos segmentos de maior renda, como crédito imobiliário, cartões e financiamento de veículos, enquanto o crédito consignado permanece restrito.
As tendências de qualidade dos ativos seguem sob pressão. Embora a inadimplência em estágio inicial tenha sido beneficiada por fatores sazonais, o volume de provisões deve aumentar na comparação trimestral por conta das novas regras de baixa contábil, que afetam cartões de crédito e PMEs. O custo do risco deve ser o principal obstáculo do banco no trimestre.
"A fraca originação do INSS e os empréstimos consignados privados parecem insuficientes para compensar esse impacto negativo", destaca a XP. 
A expectativa de ver o ROE ultrapassar os 20% também parece distante. O trimestre marcará ainda o primeiro sem Mário Leão, que renunciou ao cargo de CEO. Gilson Finkelsztain, ex-presidente da B3 (B3SA3), assumirá a posição.
Do lado positivo, as receitas com seguros e consórcios devem permanecer resilientes, e a retomada parcial da atividade nos mercados de capitais, aliada à disciplina de custos e a uma alíquota de imposto ligeiramente menor, deve oferecer algum suporte. 
A corretora projeta lucro de R$ 3,3 bilhões para o Santander, queda de 7,7%, e ROE de 14%, recuo de 2,4 pontos percentuais.