Tarifaço dos EUA: Veja a lista de produtos brasileiros vão pagar 25% de tarifas

A partir de 22 de julho, o governo dos EUA cobrarão taxa extra de 25% sobre bens brasileiros, segundo anúncio feito nesta quarta (15).

Publicado em 16/07/2026 às 20:09h Publicado em 16/07/2026 às 20:09h por Matheus Silva
Em 2025, os EUA importaram US$ 37,7 bi em produtos brasileiros (Imagem: Shutterstock)
Em 2025, os EUA importaram US$ 37,7 bi em produtos brasileiros (Imagem: Shutterstock)
Os EUA anunciaram nesta quarta-feira (15) uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor a partir de 22 de julho. 
A medida foi tomada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
Os EUA compraram cerca de US$ 37,7 bilhões em produtos brasileiros em 2025. Embora a nova tarifa atinja milhares de itens, uma parcela relevante dos produtos que mais geram receita nas exportações brasileiras ficou de fora da nova cobrança.

Petróleo, café, aeronaves e carne bovina ficam isentos

Entre os produtos preservados estão os principais itens da pauta exportadora brasileira para o mercado americano:
  • Petróleo bruto
  • Café em grão
  • Aeronaves
  • Ferro-gusa
  • Celulose branqueada
  • Carne bovina congelada
  • Suco de laranja congelado e não congelado
  • Ferro-nióbio
  • Minério de ferro
  • Combustíveis de aviação
  • Partes de turbinas
  • Silício
  • Couro bovino
  • Mel natural
  • Hidróxido de alumínio
  • Café solúvel
  • Alguns produtos de madeira
Os isenções foram concedidas por razões econômicas, estratégicas ou porque os produtos já estavam sujeitos a outras tarifas americanas.
  • Por outro lado, uma série de produtos brasileiros passará a enfrentar a tarifa adicional de 25% a partir de 22 de julho:
  • Fuel oil (óleo combustível, usado principalmente em geração de energia e processos industriais)
  • Gasolina
  • Carregadeiras
  • Transformadores elétricos
  • Bulldozers (tratores de esteira usados em obras de terraplenagem e mineração)
  • Motoniveladoras
  • Pneus para automóveis, caminhões e ônibus
  • Açúcar de cana
  • Etanol
  • Tabaco em folhas
  • Portas e madeira serrada
  • Madeira compensada
  • Calçados de couro
  • Granito e pedras trabalhadas
  • Matérias proteicas
  • Chapas de alumínio
Os dados foram levantados a partir do Comex Stat, sistema do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), considerando as exportações brasileiras para os EUA em 2025.

Como ficam as tarifas sobre produtos brasileiros após a nova cobrança

Antes do anúncio desta semana, os produtos brasileiros já estavam sujeitos às tarifas regulares de importação dos EUA, conhecidas como tarifa de nação mais favorecida (MFN), com alíquota média em torno de 3% a 3,5%. 
A partir de fevereiro, passou a incidir também uma tarifa global adicional de 10% imposta pelo governo Trump sobre importações de praticamente todos os parceiros comerciais americanos.
Ainda não está totalmente esclarecido se haverá acumulação entre a nova sobretaxa da Seção 301 e a tarifa global de 10%. 
Na prática, permanece a dúvida se os produtos brasileiros atingidos pagarão apenas os 25% adicionais ou se a cobrança poderá chegar a 35%, caso a tarifa global continue válida e seja aplicada de forma cumulativa. 
Os documentos divulgados pelo USTR confirmam a nova tarifa de 25%, mas não detalham como a medida será combinada com a cobrança global temporária.

Por que aço e alumínio ficaram fora da nova tarifa

Alguns produtos de aço e alumínio não receberam a nova tarifa adicional porque já estão sujeitos à Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, que permite aos EUA impor tarifas sobre produtos considerados estratégicos para a segurança nacional. 
No caso do aço e do alumínio, essas tarifas já estavam em vigor e foram elevadas para 50% em 2025 para determinados produtos.
Na decisão final da investigação contra o Brasil, o USTR determinou que os itens já abrangidos pela Seção 232 não seriam submetidos também à tarifa adicional de 25% da Seção 301, evitando a bitributação sobre a mesma mercadoria. 
Esses produtos continuam sujeitos à cobrança de 50% da Seção 232, mas não acumulam a nova sobretaxa.

Nova investigação pode elevar ainda mais as tarifas

Além da investigação que resultou na tarifa de 25%, o USTR conduz outro processo envolvendo o Brasil. O órgão americano avalia se produtos fabricados com trabalho forçado estariam entrando no mercado americano. 
Nas conclusões preliminares, o governo dos EUA sugeriu uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A decisão final ainda não foi divulgada e dependerá do governo americano.