Banco do Brasil (BBAS3) realiza BB Day nesta semana; veja o que esperar

O Goldman Sachs projeta lucro de R$ 24 bilhões para o BB em 2026, mas alerta que provisões rurais elevadas podem pressionar o resultado.

Publicado em 22/04/2026 às 15:46h Publicado em 22/04/2026 às 15:46h por Matheus Silva
Atualmente, a carteira rural do banco atravessa um ciclo negativo (Imagem: Shutterstock)
Atualmente, a carteira rural do banco atravessa um ciclo negativo (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Banco do Brasil (BBAS3) realiza seu BB Day nesta quinta-feira (23), em um momento desafiador, especialmente na carteira de crédito rural, segundo análise do Goldman Sachs. 
Os dados mais recentes mostram que a inadimplência rural do sistema financeiro continua em trajetória de alta, com avanço de 90 pontos-base entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.
Por ter participação relevante nesse segmento, o Banco do Brasil fica particularmente exposto a essa deterioração.
Em relação ao guidance de lucro para 2026, entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, a projeção do Goldman é de R$ 24 bilhões, o que implicaria ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de 12,3%, em linha com o consenso de mercado. 
O principal risco, segundo o banco, é que provisões mais altas perdurem por mais tempo, especialmente em um ambiente de custos maiores para o produtor rural, agravado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Cada 5% de aumento nas provisões derruba o lucro em 8%, estima Goldman
Em análise de sensibilidade, o Goldman Sachs estima que cada aumento de 5% nas provisões reduziria o lucro em cerca de 8%, pressionando o ROE em aproximadamente 90 pontos-base, mantidas as demais variáveis constantes. 
Apesar dos riscos, os analistas avaliam que parte do cenário adverso já está refletida no preço das ações, negociadas a cerca de 0,7 vez o valor patrimonial histórico (P/BV). Com isso, qualquer sinal concreto de recuperação cíclica tende a ser bem recebido pelo mercado.
O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 24.

Carteira pressionada por custos, clima, juros e recuperações judiciais

A carteira rural do Banco do Brasil atravessa um ciclo negativo combinando alta de custos, com destaque para fertilizantes, eventos climáticos adversos como enchentes, ambiente de juros elevados e aumento no número de pedidos de recuperação judicial
Na avaliação do Goldman, uma melhora mais consistente só deve começar a aparecer a partir do segundo semestre de 2026, quando novas safras podem compor a carteira e o programa de renegociação deve ganhar tração. 
Os preços de commodities agrícolas também recuaram frente às máximas recentes, pressionando as margens do produtor e sua capacidade de pagamento.
No crédito ao consumidor, o banco vem ajustando o mix da carteira em direção ao varejo, com maior participação de linhas ligadas ao consignado privado. 
Ainda assim, o aumento do endividamento das famílias e as condições fragilizadas do crédito de varejo seguem como fontes de incerteza.

CET1 avança, mas Resolução 4.966 segue como vento contrário

No campo do capital, o índice CET1 do Banco do Brasil avançou 100 pontos-base no quarto trimestre de 2025, para 12,2%, favorecido pela MP 1.314, que reduziu algumas deduções prudenciais. 
Por outro lado, mudanças nas regras de ativos ponderados por risco operacional e a continuidade da implementação da Resolução 4.966, que impactou o Banco do Brasil mais do que qualquer outro par de igual estatura, seguem como potenciais ventos contrários. 
Quedas do CET1 para abaixo de 11% poderiam acender um sinal adicional de alerta entre investidores, segundo o relatório.
O payout de dividendos foi reafirmado em 30% para 2026. A gestão já havia indicado trajetória de retorno voltando para a casa dos mid-teens ao longo dos próximos anos.
📊 O Goldman projeta ROE de 12,3% em 2026, 14,4% em 2027 e 14,6% em 2028.

BBAS3

Banco do Brasil
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