🚨 A piora do cenário levou o
Banco do Brasil (BBAS3) a descartar completamente o pagamento de
dividendos extraordinários em 2026. A informação foi dada pelo CFO do banco, Giovanne Tobias, em coletiva com jornalistas.
A possibilidade havia sido levantada no terceiro trimestre de 2025, quando Tobias afirmou que só teria clareza sobre o pagamento ao final do ano.
Com um lucro de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre, queda de 53% na base anual, e o guidance revisado para baixo, o espaço para proventos extras desapareceu. O banco reduziu a projeção de lucro de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, transformando o teto anterior no novo piso.
O custo de capital saltou da faixa de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões, enquanto a margem financeira foi revisada para cima, de 4%-8% para 7%-11%.
Supondo lucro líquido de R$ 18 bilhões em 2026 e payout de 30%, o banco distribuiria R$ 5,4 bilhões, ou R$ 0,9422 por ação, com
dividend yield de 4,5% sobre a cotação de R$ 20,76, segundo cálculo do analista Flavio Conte, da Levante.
BB muda foco para pessoa física de alta renda e consignado
Para melhorar a rentabilidade, o Banco do Brasil aposta no crescimento em pessoa física, com ênfase em segmentos de alta renda e crédito consignado.
"Nossa estratégia de crescimento em pessoa física é a melhor forma que temos para melhorar a rentabilidade do banco, fazer mais retorno. O cuidado que temos que ter aqui é focar naquelas operações de risco/retorno mais ajustado", afirmou o vice-presidente de gestão financeira do BB.
Ele destacou o consignado privado como vetor de forte crescimento e sinalizou redução do apetite em cartões para clientes de menor renda. "Nós reduzimos muito o apetite no segmento de cartões para as pessoas físicas de menor renda, onde o risco está muito mais agravado", afirmou.
XP vê pressão de crédito saindo do agro e chegando na pessoa física
Para a XP Investimentos, o BB reportou mais um trimestre "fraco", ainda que em linha com o esperado pela casa.
Os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti alertaram que "a pressão de crédito não está mais restrita ao Agronegócio."
Segundo o trio, os NPLs iniciais de Pessoa Física aumentaram quase 90 pontos-base no trimestre e subiram 200 pontos-base na comparação anual.
"Além de o NPL 90+ seguir em trajetória de piora (+26bps T/T; +170bps A/A), observamos um aumento significativo da inadimplência em estágio inicial, de aproximadamente +90bps T/T (+200bps A/A), o que deverá pressionar ainda mais o NPL 90+ nos próximos trimestres", diz o relatório.
O ponto mais preocupante, segundo a XP, é que os empréstimos consignados, antes considerados um porto seguro, também começam a mostrar deterioração.
"Essa dinâmica é preocupante, já que esse era o único portfólio em que o banco vinha crescendo sem comprometer muito a qualidade de crédito. Agora, esse segmento também apresenta sinais de deterioração, possivelmente impulsionados por efeitos de mix, um ambiente macro mais desafiador e até algum contágio vindo do agro", avaliaram.
No agronegócio, a XP destacou que apenas em abril o volume financeiro de
recuperações judiciais atingiu cerca de R$ 650 milhões, quase metade do observado em todo o segundo trimestre de 2025. A safra 2026/27 aponta para assimetria de risco negativa.
Nas contas da casa, o BBAS3 está negociando a aproximadamente seis vezes o preço sobre lucro no novo ponto médio do guidance, "com espaço para novas revisões para baixo dada a baixa visibilidade e a assimetria de riscos negativa." A XP mantém recomendação neutra para o papel.
Resultado em linha "conta apenas metade da história"
Para o Safra, a reação de queda das ações na quinta-feira (14) era esperada pela revisão do guidance. O novo ponto médio de lucro de R$ 20 bilhões está mais alinhado à estimativa do banco, que já havia cortado suas projeções após o Investor Day.
Os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre, no entanto, alertaram que "ainda acreditamos que há risco de queda em nossas estimativas, dado que a parcela de provisões para perdas esperadas do varejo ficou muito acima do esperado, com o NPL de 30 dias aumentando 89 pontos-base no trimestre."
O Safra projeta o ECL em R$ 63 bilhões, enquanto o novo guidance do BB ficou entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões.
"Um resultado em linha no lucro final conta apenas metade da história", escreveram os analistas, explicando que o desempenho reflete uma combinação de receita líquida de juros ajustada ao risco mais elevada e uma taxa efetiva de imposto negativa, com imposto de renda positivo em R$ 1,1 bilhão.
O Safra mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 25 para o fim de 2026.
Sobre o capital, os analistas alertaram que o índice CET1 ficou 19 pontos-base abaixo da projeção do banco, "o que pode fazer com que questões de capital voltem a ser um risco relevante."
Corte no guidance foi a "surpresa negativa" do trimestre
Para o BTG Pactual, o resultado fraco era amplamente esperado, mas o corte no guidance surpreendeu negativamente.
"No consolidado, foi um trimestre extremamente fraco, com ROE de apenas 7%, mas amplamente antecipado pelo mercado", escreveram Antônio Pascale e equipe. "Neste momento, a revisão do guidance era algo que não fazia parte do nosso cenário-base, embora reconheçamos que provavelmente tenha sido a decisão mais prudente."
O banco destacou que a inadimplência inicial na carteira de Pessoa Física, com NPL acima de 30 dias, subiu 90 pontos-base no trimestre para 9,3%, elevando as provisões brutas do segmento em quase 90% na base trimestral, para R$ 8,1 bilhões.
O BTG também apontou que os pedidos de recuperação judicial no agronegócio continuam aumentando, refletindo o impacto do conflito entre EUA e Irã sobre os insumos agrícolas e os juros mais altos por mais tempo.
"Dado o histórico recente de revisões negativas, não descartamos que investidores passem a enxergar R$ 18 bilhões, o piso do guidance, como novo cenário-base para o ano", alertaram os analistas.
Com o novo guidance, o BTG avalia que o BB passa a negociar a 6,6 vezes o preço sobre lucro projetado em 2026, com dividend yield de 3,9%, valuation "não mais atrativo." O banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 25.
📈 "Seguimos cautelosos com a ação e acreditamos que ainda pode haver espaço para novas correções", concluiu a equipe.