Pix x Zelle: Quais as diferenças entre os sistemas de pagamento?

Especialistas afirmam que os sistemas foram construídos com propostas bastante distintas.

Publicado em 06/06/2026 às 16:05h Publicado em 06/06/2026 às 16:05h por Elanny Vlaxio
Recentemente, o Pix foi citado em um relatório dos EUA (Imagem: IA/Gemini)
Recentemente, o Pix foi citado em um relatório dos EUA (Imagem: IA/Gemini)
O sistema de pagamentos Zelle ganhou destaque nas redes sociais nesta semana depois de ser mencionado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro em comparações com o Pix. A repercussão reacendeu discussões sobre as diferenças entre as duas plataformas.
Apesar de ambos permitirem transferências rápidas entre pessoas e empresas, especialistas afirmam que os sistemas foram construídos com propostas bastante distintas. 
Segundo Carlos Akira Sato, co-founder da Syscapial e especialista em Mercados Regulados, o Zelle funciona como uma solução privada criada pelos principais bancos dos Estados Unidos para simplificar transferências bancárias. 
Já o Pix, segundo ele, nasceu como uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e acabou se consolidando como uma ampla plataforma nacional de pagamentos. 
"O Zelle é uma aplicação privada criada pelos maiores bancos dos Estados Unidos para facilitar transferências entre contas bancárias. Já o Pix é uma infraestrutura pública criada e operada pelo Banco Central, que se transformou em uma plataforma nacional de pagamentos", explica.
As diferenças também aparecem na quantidade de serviços. Enquanto o Zelle atua  nas transferências entre contas dentro do sistema financeiro americano, o Pix reúne funcionalidades como pagamentos por QR Code, cobranças, pagamentos recorrentes, integração com Open Finance e liquidação instantânea entre instituições financeiras.
"Uma forma simples de entender a diferença é que o Pix reúne, em uma única infraestrutura pública, funções que nos Estados Unidos estão distribuídas entre diferentes camadas. O Zelle é apenas uma dessas peças", afirma Akira. 
A discussão ocorre em meio ao aumento da atenção internacional sobre o sistema brasileiro de pagamentos. Recentemente, o Pix foi citado em um relatório do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que avaliou aspectos regulatórios do mercado de pagamentos brasileiro.
Para Akira, as críticas direcionadas ao Pix não estão ligadas à eficiência tecnológica da ferramenta, mas ao impacto competitivo causado por uma infraestrutura pública amplamente difundida no país. 
"O Pix é uma infraestrutura aberta e acessível a diferentes participantes do mercado, independentemente da origem do capital. Do ponto de vista técnico, a tese de que o sistema discrimina empresas estrangeiras é questionável", observa.
Na avaliação do especialista, o debate vai além do setor financeiro e passa a envolver questões relacionadas à soberania digital e ao papel das infraestruturas públicas na economia. 
"O Brasil precisa defender o direito de desenvolver infraestrutura financeira pública moderna, interoperável e acessível. O maior risco não é a crítica ao Pix em si, mas a criação de precedentes que possam questionar a legitimidade de infraestruturas digitais públicas bem-sucedidas apenas porque concorrem com soluções privadas", conclui.