Grandes investidores do Brasil: histórias e estratégias para se inspirar
Conheça 6 investidores que construíram patrimônio na bolsa brasileira: estratégias, carteiras e filosofias.
Publicado em 05/08/2026
Carlos Alberto da Veiga Sicupira nasceu no Rio de Janeiro em 1º de maio de 1948. É formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui formação complementar pela Harvard Business School, nos Estados Unidos.
Atualmente com 78 anos, Beto Sicupira reside na cidade de St. Gallen, na Suíça. É um dos sócios fundadores da 3G Capital e acionista de referência da Ambev, além de manter participação relevante nas Lojas Americanas.
Ele ficou nacionalmente conhecido por integrar, ao lado de Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, o trio que transformou o Banco Garantia, a Brahma e, posteriormente, a Ambev e a AB InBev em referências globais de gestão empresarial.
Diferentemente de seus futuros sócios, Beto Sicupira não veio de uma família rica, tendo crescido em um lar de classe média no Rio de Janeiro. Ainda adolescente, começou a trabalhar negociando carros usados e, depois, revendendo calças jeans compradas nos Estados Unidos.
Passou por órgãos públicos, como o Departamento Nacional de Estradas de Ferro e o Serviço Federal de Processamento de Dados, mas logo percebeu que não queria seguir carreira como funcionário público. Aos 20 anos, chegou a adquirir uma distribuidora de valores ao lado de outros sócios.
Foi por meio da pesca submarina, hobby que o acompanharia ao longo da vida, que conheceu Jorge Paulo Lemann. A amizade entre os dois, porém, só se transformou em parceria profissional em 1973, quando Sicupira deixou o banco Marine Midland, em Londres, para se juntar ao Banco Garantia, então comandado por Lemann.
No Garantia, consolidou a sociedade com Lemann e com Marcel Telles, formando um dos trios empresariais mais longevos do Brasil. Nos anos seguintes, Sicupira foi enviado pelo banco para assumir a gestão das Lojas Americanas, então em dificuldades financeiras, papel que ajudaria a definir sua reputação como especialista em reorganizar empresas problemáticas.
A parceria entre os três sócios seguiu para o setor de bebidas, com a aquisição da Brahma em 1989 e a posterior formação da Ambev e da AB InBev. Em 2004, o trio fundou a 3G Capital, fundo de investimentos por meio do qual expandiram os negócios para fora do Brasil, com aquisições como Burger King, Tim Hortons e Kraft Heinz.
Mais recentemente, a fraude contábil bilionária revelada pelas Lojas Americanas em 2023 trouxe o nome de Sicupira de volta ao centro das atenções, desta vez como alvo de investigações da Polícia Federal.
Beto Sicupira é formado em Administração de Empresas pela UFRJ e complementou a formação com um curso na Harvard Business School, nos Estados Unidos.
Antes de ingressar no mercado financeiro, teve empregos informais ainda na adolescência, como a venda de carros usados e calças jeans importadas, além de passagens por órgãos do serviço público federal.
Sua entrada efetiva no mercado financeiro se deu em 1973, ao ingressar no Banco Garantia, instituição que se tornaria a base de toda a sua trajetória empresarial seguinte, ao lado de Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles.
A trajetória profissional de Beto Sicupira se organiza em torno das mesmas sociedades construídas ao lado de Lemann e Telles, com destaque para sua atuação como responsável por reestruturar negócios em dificuldade.
Sicupira ingressou no Banco Garantia em 1973, consolidando a parceria com Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. A instituição se tornaria uma das mais influentes do mercado financeiro brasileiro, com forte cultura de meritocracia, até ser vendida ao Credit Suisse em 1998.
Ainda pelo Garantia, Sicupira foi enviado para assumir a gestão das Lojas Americanas no início dos anos 1980, quando a rede varejista enfrentava dificuldades financeiras. Ele ajudou a reorganizar a companhia, aplicando um modelo de gestão focado em corte de custos e eficiência que se tornaria sua marca registrada.
Em 1989, Sicupira e seus sócios adquiriram o controle da cervejaria Brahma. A fusão com a Antarctica, em 1999, deu origem à Ambev, que mais tarde se uniria à belga Interbrew e, posteriormente, à americana Anheuser-Busch, formando a AB InBev, hoje a maior cervejaria do mundo, da qual Sicupira é um dos principais acionistas.
Criada em 2004 ao lado de Lemann e Telles, a 3G Capital é o fundo de investimentos por meio do qual o trio expandiu seus negócios internacionalmente. Pela gestora, Sicupira participou das aquisições do Burger King, em 2010, e da Heinz, em 2013, em parceria com a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.
Sicupira também mantém participação relevante na distribuidora de energia elétrica Light, no Rio de Janeiro, e já esteve envolvido na chegada da organização Endeavor, voltada ao apoio de empreendedores, ao Brasil.
Beto Sicupira começou sua trajetória no mercado financeiro ainda jovem, com pequenos negócios informais, antes de ingressar formalmente no setor ao ser contratado pelo Banco Garantia, em 1973.
Sua principal influência foi a sociedade com Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, com quem desenvolveu, ao longo de décadas, uma cultura de gestão baseada em meritocracia, corte de custos e identificação de empresas com potencial de reestruturação.
Com o amadurecimento da carreira, Sicupira evoluiu de gestor de uma única empresa em dificuldades, as Lojas Americanas, para investidor em participações de controle em companhias de diferentes setores e países, por meio da 3G Capital.
A estratégia de Beto Sicupira é historicamente associada à aquisição de empresas com potencial de reestruturação, priorizando corte de custos e ganhos de eficiência operacional, característica que lhe rendeu o apelido de "homem dos novos negócios" dentro do grupo.
Ele costuma resumir essa filosofia com a frase "custo é como unha, tem que cortar sempre", reforçando a ênfase do trio em disciplina financeira e eficiência como caminho para o crescimento sustentável das empresas em que investem.
Assim como seus sócios, sua atuação se concentra historicamente em participações de controle e private equity, e não em uma carteira pessoal de ações negociadas em bolsa.
A atuação de Carlos Alberto Sicupira no mercado se divide entre:
Segundo a revista Forbes, o patrimônio de Carlos Alberto Sicupira e de sua família foi estimado em aproximadamente R$ 39,5 bilhões.
Já em 2026, considerando apenas o patrimônio individual do empresário, a mesma publicação estimou sua fortuna em cerca de US$ 6,4 bilhões, o equivalente a R$ 36 bilhões, uma retração de quase 8% em relação ao ano anterior, quando era avaliada em R$ 39,1 bilhões.
As oscilações refletem principalmente a valorização das empresas em que ele mantém participação, como AB InBev, e não um valor fixo ou declarado diretamente pelo empresário.
Desde 2023, o nome de Beto Sicupira voltou a ganhar destaque na imprensa em razão da fraude contábil bilionária revelada pelas Lojas Americanas, apontada como um dos maiores escândalos corporativos da história do varejo brasileiro, com um rombo estimado em R$ 54 bilhões.
Em junho de 2026, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, cumprindo mandados de busca e apreensão contra Sicupira e outros investigados, incluindo Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-conselheiro da companhia.
A investigação foi impulsionada, em parte, pela colaboração premiada de um ex-diretor financeiro da Americanas, que afirmou ao Ministério Público Federal que Sicupira estaria entre as pessoas que, em sua avaliação, tinham conhecimento das irregularidades contábeis apuradas, relacionadas a mecanismos como as chamadas Verbas de Propaganda Cooperada e operações de risco sacado.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de bens dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões, valor equivalente ao rombo contábil revelado pela empresa. Até o momento, não há condenação relacionada a esses fatos, e o caso segue em investigação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
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A trajetória de Carlos Alberto Sicupira reúne experiências no mercado financeiro, no varejo e na indústria de bebidas, com destaque para a reestruturação das Lojas Americanas e a construção da Ambev e da 3G Capital ao lado de Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles.
Sua atuação ajuda a compreender como uma cultura de eficiência e corte de custos, aplicada de forma consistente ao longo de décadas, contribuiu para transformar empresas em dificuldades em negócios de alcance global, ao mesmo tempo em que expõe os riscos de gestões concentradas em poucas mãos, como evidenciado pela fraude contábil recente na Americanas.
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