Grandes investidores do Brasil: histórias e estratégias para se inspirar
Conheça 6 investidores que construíram patrimônio na bolsa brasileira: estratégias, carteiras e filosofias.
Publicado em 05/08/2026
Augusto Cury construiu uma trajetória bastante diferente daquela normalmente observada entre candidatos à Presidência da República.
Antes de entrar para a política, ele era conhecido por sua atuação como escritor, médico, palestrante e autor de diversos livros, contabilizando milhões de exemplares vendidos.
No entanto, depois de manifestar publicamente o interesse em disputar a Presidência e conversar com representantes de diferentes partidos, Augusto Cury encontrou espaço no Avante, que anunciou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em abril.
Mas quem é Augusto Cury? Como ele ficou famoso? Por que decidiu entrar na política? Quais são suas propostas para o Brasil?
A seguir, conheça a trajetória profissional e política do candidato à Presidência.
Augusto Jorge Cury nasceu em 2 de outubro de 1958, em Colina, município localizado no interior do estado de São Paulo.
Antes de se transformar em um dos escritores brasileiros mais conhecidos das últimas décadas, Cury seguiu carreira na área médica.
O candidato, formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, especializou-se em psiquiatria, e conquistou o título de PhD pela Florida Christian University dos Estados Unidos.
Ao longo da carreira, passou a dedicar especial atenção ao estudo das emoções, da formação dos pensamentos e do comportamento humano.
Foi a partir dessas pesquisas que Cury desenvolveu o que chamou de Teoria da Inteligência Multifocal, abordagem que posteriormente se tornaria uma das bases de seus livros, palestras e projetos educacionais.
Augusto Cury passou a estudar temas como:
Essa trajetória acabaria levando o médico para outra atividade que transformaria completamente sua carreira: a literatura.
A partir do final dos anos 1990 e principalmente durante os anos 2000, Augusto Cury tornou-se um fenômeno editorial.
Seus livros passaram a ocupar frequentemente as listas de mais vendidos no Brasil, permitindo que o escritor alcançasse um público muito maior do que aquele normalmente atingido por profissionais ligados à psiquiatria e ao desenvolvimento humano.
Mais recentemente, o até então médico e escritor, conhecido principalmente por seus livros e palestras, passou a buscar transformar sua popularidade em capital político.
Um dos conceitos mais associados ao nome de Augusto Cury é a chamada Teoria da Inteligência Multifocal.
Segundo a abordagem desenvolvida pelo autor, a teoria busca analisar diferentes processos relacionados à construção dos pensamentos e ao funcionamento da mente humana.
Ao longo de seus livros, Cury passou a aplicar essas ideias em temas relacionados à educação, ansiedade, relações familiares, liderança e desenvolvimento pessoal.
A teoria também serviu de base para diferentes projetos criados pelo escritor. Um dos mais conhecidos é a Escola da Inteligência, programa voltado ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais no ambiente educacional.
A proposta envolve trabalhar temas como:
O projeto alcançou centenas de milhares de estudantes e passou a ser adotado por escolas em diferentes regiões do país.
Não. Essa é uma das características mais importantes da candidatura de Augusto Cury.
Antes da disputa presidencial de 2026, o escritor não havia ocupado cargos eletivos nem construído uma carreira tradicional dentro da política partidária.
Não foi vereador, prefeito, deputado, senador ou governador. Também não comandou anteriormente ministérios ou secretarias de governo.
Em resumo, sua entrada na disputa ocorre sem experiência anterior em cargos eletivos ou funções relevantes na administração pública. Esse fator pode ser interpretado de maneiras diferentes pelos eleitores:
O próprio Cury tem utilizado sua falta de vínculo histórico com a política tradicional como parte de seu discurso.
Antes de encontrar um partido para disputar a eleição, ele declarou que gostaria de construir uma candidatura baseada em projetos, e não em disputas partidárias.
A entrada de Augusto Cury na política ocorreu de maneira rápida. No início de 2026, o escritor começou a manifestar publicamente a possibilidade de disputar a Presidência da República.
Naquele momento, porém, ainda não estava definido por qual partido concorreria. Cury iniciou conversas com diferentes lideranças políticas e afirmou ter mantido encontros com nomes de diferentes correntes partidárias.
Entre os políticos citados pelo próprio escritor estavam Michel Temer, Gilberto Kassab, Marcos Pereira, Aécio Neves, Renata Abreu, Aldo Rebelo e Marcel Van Hattem, entre outros.
Gilberto Kassab chegou a confirmar que havia conversado com Cury sobre uma eventual candidatura pelo PSD.
A estratégia adotada pelo escritor reforçava um dos pontos centrais de seu discurso: tentar construir uma candidatura que não estivesse diretamente associada aos dois grandes polos que dominaram a política brasileira nos últimos anos.
A definição ocorreu em abril de 2026.
No dia 5 de abril, o Avante anunciou Augusto Cury como seu pré-candidato à Presidência da República.
Ao anunciar sua entrada na disputa, o escritor afirmou que pretendia construir uma jornada baseada em projetos e sem ataques pessoais.
Pouco mais de um mês depois, em 6 de maio de 2026, Cury realizou em Belo Horizonte o lançamento oficial de sua pré-candidatura. Foi nesse evento que alguns dos elementos de sua plataforma política começaram a ficar mais claros.
A justificativa apresentada por Augusto Cury para entrar na política está diretamente relacionada ao diagnóstico que ele faz do ambiente político brasileiro.
Um dos temas mais recorrentes em seus discursos é a polarização. Para Cury, o conflito permanente entre grupos políticos dificulta a construção de projetos de longo prazo. Sua candidatura procura se apresentar justamente como uma alternativa a essa lógica.
Durante o lançamento da pré-candidatura, ele defendeu uma espécie de combinação entre desenvolvimento econômico e preocupação social.
Em vez de se posicionar exclusivamente a partir de uma das correntes tradicionais da política brasileira, afirmou querer aproveitar aquilo que considera positivo em diferentes linhas de pensamento.
A proposta apresentada procura combinar elementos como:
Ao longo da pré-campanha, Cury também passou a criticar o personalismo político. Para ele, líderes não deveriam ser tratados como ídolos.
Classificar Augusto Cury dentro do espectro político tradicional não é tão simples quanto fazer essa análise em relação a candidatos que possuem décadas de atuação partidária.
Isso acontece principalmente porque Cury nunca exerceu mandato eletivo e, portanto, não existe um histórico extenso de votações, políticas públicas ou decisões administrativas que permita enquadrá-lo de maneira precisa.
O próprio candidato procura reduzir a importância das divisões ideológicas tradicionais. Seu discurso é construído em torno da ideia de buscar pontos positivos em diferentes correntes.
Durante o lançamento de sua pré-candidatura, Cury defendeu uma combinação que resume parte dessa estratégia: valorização das ideias do capitalismo acompanhada de políticas voltadas às pessoas mais pobres.
Também é importante considerar o partido pelo qual decidiu disputar a eleição. O Avante costuma ser posicionado no centro do espectro político brasileiro e possui histórico de participação em diferentes alianças nacionais e regionais.
Por isso, até o momento, Cury procura construir uma candidatura que evite uma identificação rígida com a esquerda ou direita.
A evolução da campanha e a apresentação de propostas mais detalhadas sobre impostos, gastos públicos, previdência, privatizações, relações trabalhistas e políticas sociais devem permitir uma avaliação mais precisa de seu posicionamento econômico e político.
Embora o programa definitivo de governo seja o tipo de documento mais adequado para uma avaliação completa das propostas, Augusto Cury já apresentou algumas prioridades durante a pré-campanha.
No lançamento realizado em Belo Horizonte, o candidato defendeu a criação de bancos e milhares de escolas de empreendedorismo nas comunidades.
A ideia demonstra uma tentativa de utilizar o empreendedorismo como ferramenta de geração de renda e mobilidade econômica.
Cury afirmou que pretende trabalhar para dobrar a produção brasileira de alimentos ao longo da próxima década.
A agricultura, inclusive, passou a ocupar espaço relevante em suas primeiras propostas econômicas.
Durante encontro promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), o pré-candidato defendeu maior acesso dos produtores rurais ao crédito e apresentou propostas para ampliar os investimentos no setor.
Entre as ideias apresentadas estava a criação de uma estrutura governamental dedicada à captação de recursos internacionais com juros menores.
Cury também falou sobre apoio à agricultura familiar e desenvolvimento do semiárido com utilização de tecnologia e parcerias internacionais.
De maneira geral, algumas das prioridades apresentadas até agora incluem:
No entanto, como ocorre com outros candidatos, será necessário acompanhar a apresentação do programa completo para entender como essas propostas seriam financiadas e implementadas.
A política econômica tende a ser um dos pontos mais observados pelo mercado durante qualquer eleição presidencial.
No caso de Augusto Cury, o desenho completo de sua estratégia econômica ainda precisa ser detalhado.
Entretanto, suas declarações iniciais indicam uma preocupação com empreendedorismo, produção, crédito e atração de recursos para investimentos.
O pré-candidato também procura apresentar uma visão econômica que combine capitalismo e políticas sociais.
Essa posição pode ser interpretada como uma tentativa de conciliar estímulos ao setor privado com políticas destinadas à redução das desigualdades.
Para o mercado financeiro, entretanto, ainda existem questões importantes que precisarão ser respondidas ao longo da campanha.
Entre elas:
A resposta a essas perguntas será importante para que investidores consigam avaliar com maior precisão os possíveis impactos econômicos de um eventual governo Augusto Cury.
A trajetória empresarial e editorial de Augusto Cury naturalmente desperta curiosidade sobre seu patrimônio.
O escritor construiu ao longo de décadas uma carreira que envolve direitos autorais de livros, palestras, cursos, projetos educacionais e participação em empresas ligadas ao segmento da educação.
Entretanto, é muito importante evitar confundir o valor econômico dos negócios associados ao seu nome com seu patrimônio pessoal.
O valuation de uma empresa, por exemplo, representa uma estimativa do valor do negócio e pode envolver participações pertencentes a diferentes sócios, além de ativos, passivos, receitas futuras e outros elementos.
Da mesma maneira, o número de livros vendidos não permite calcular diretamente o patrimônio de um escritor, pois existem contratos editoriais, impostos, participações de editoras e diferentes modelos de remuneração por direitos autorais.
Por isso, para determinar o patrimônio oficial de Augusto Cury é preciso aguardar a divulgação da declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral no registro de candidatura.
Esse documento permite verificar os ativos formalmente declarados pelo candidato, evitando estimativas baseadas apenas no valor de empresas ou no sucesso comercial de seus livros.
Apesar da ausência de experiência eleitoral, Augusto Cury possui algumas características que podem ajudá-lo durante a campanha.
Poucos candidatos que nunca exerceram cargos públicos chegam a uma eleição presidencial com uma audiência construída durante décadas. Cury possui milhões de leitores e seguidores nas redes sociais.
Isso significa que sua candidatura parte de um nível de conhecimento público superior ao de muitos candidatos de partidos pequenos ou médios.
Depois de décadas realizando palestras, entrevistas, cursos e eventos, o escritor possui familiaridade com grandes públicos.
Em uma campanha marcada por debates televisivos, entrevistas, podcasts e redes sociais, essa habilidade pode ter importância.
Uma parcela do eleitorado brasileiro demonstra insatisfação com o confronto permanente entre os principais grupos políticos do país.
Caso consiga se apresentar como uma alternativa competitiva, Cury poderá tentar conquistar parte desses eleitores.
Em resumo, entre seus possíveis pontos fortes estão:
Transformar essas características em votos, entretanto, é outra questão.
O primeiro grande desafio é justamente converter popularidade editorial em popularidade eleitoral. Uma pessoa pode conhecer os livros de Augusto Cury e ainda assim preferir outro candidato para administrar o país.
Além disso, eleições presidenciais dependem de recursos de campanha, tempo de exposição, capacidade de mobilização e apoio de lideranças políticas. Nesse aspecto, candidatos ligados a partidos maiores possuem vantagens importantes.
Outro desafio está relacionado ao Avante. Embora possua representação política, o partido não possui a mesma estrutura nacional das maiores legendas brasileiras.
Cury também precisa competir em uma eleição com candidatos que possuem eleitorados consolidados e anos de exposição política.
Por fim, existe o desafio programático. O eleitor que conhece Augusto Cury como escritor precisará compreender quais seriam suas posições concretas sobre temas como:
Quanto mais a campanha avançar, maior deverá ser a cobrança por respostas específicas nessas áreas.
Para os investidores, uma eleição presidencial vai muito além das preferências políticas individuais. As decisões tomadas pelo presidente podem influenciar de forma direta, expectativas relacionadas à inflação, juros, dívida pública, crescimento econômico e investimentos.
No caso de Augusto Cury, ainda existem incertezas importantes sobre aspectos específicos de sua política econômica.
Seu discurso favorável ao empreendedorismo e à ampliação da produção pode ser visto positivamente por determinados setores do mercado.
As propostas relacionadas à agricultura também merecem atenção, principalmente considerando a importância do agronegócio para as exportações e para a balança comercial brasileira.
Entretanto, o mercado observará principalmente a política fiscal. Investidores buscarão compreender como um eventual governo Cury pretende conciliar investimentos públicos, programas sociais e incentivos econômicos com o controle das contas públicas.
Também serão importantes suas posições sobre:
Quanto maior o detalhamento dessas propostas, maior será a capacidade do mercado de estimar seus possíveis impactos sobre os ativos brasileiros.
Augusto Cury chega à eleição presidencial de 2026 seguindo um caminho bastante diferente daquele percorrido pela maioria dos candidatos ao Palácio do Planalto.
Antes de entrar na política, construiu uma carreira de projeção nacional como médico, escritor, palestrante e empreendedor ligado ao setor educacional.
Cury nunca administrou uma prefeitura, estado ou órgão federal e terá de demonstrar que sua experiência profissional pode ser convertida em capacidade de gestão pública.
Por isso, debates, entrevistas e a apresentação do programa de governo serão especialmente importantes para sua campanha.
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