Sabesp (SBSP3) está de olho na água argentina e XP diz que é um bom negócio

Governo Milei deve privatizar estatal de saneamento, e empresa paulista é uma das candidatas a levar o edital.

Publicado em 14/05/2026 às 10:47h Publicado em 14/05/2026 às 10:47h por Wesley Santana
AySA é a estatal portenha que trata e distribui água para a capital argentina (Imagem: Divulgação)
AySA é a estatal portenha que trata e distribui água para a capital argentina (Imagem: Divulgação)

O governo argentino planeja conduzir a privatização da maior empresa de saneamento básico do país, a AySA. A companhia é responsável pelo abastecimento da cidade de Buenos Aires e outras 26 cidades que compõem a região metropolitana da capital.

De acordo com o desenho da equipe do presidente Javier Milei, 90% da empresa deve ser vendido. Os outros 10% devem ficar com os funcionários da companhia, que vão formar um bloco de acionistas.

Com isso, a Casa Rosada espera levantar até US$ 500 milhões, valor que deve ajudar a colocar as contas do país vizinho em dia. Deste lado da fronteira, há alguns interessados pelo ativo, que tem grande valor.

Uma dessas empresas é a Sabesp (SBSP3), ex-estatal do governo de São Paulo, que foi privatizada no ano passado, embora parte de suas ações já circulasse no mercado de capitais anteriormente. A empresa busca maneiras de aumentar suas receitas, e entrar no edital argentino pode ser uma boa opção para entregar mais valor aos acionistas.

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A XP Investimentos logo saiu para fazer as contas e avaliar quais seriam os benefícios para a Sabesp neste negócio. Os analistas da corretora avaliaram os números da empresa de Buenos Aires para darem seu veredito positivo.

“Vemos Sabesp sendo negociada a uma TIR real de 10,1% e a 1,1x EV/RAB, o que nos parece um nível bastante atrativo em ambos os parâmetros. Nosso novo TP incorpora um Ke real menor, de 8,5%, pois acreditamos que Sabesp tende a convergir gradualmente para patamares próximos aos de seus pares globais (P/L médio de 21,9x vs. os atuais 17,6x de SBSP). Após uma boa revisão tarifária, redução do risco de crise hídrica em São Paulo e um plano de execução cada vez menos arriscado, vemos hoje a tese de Sabesp como uma história “limpa”, que combina potencial de crescimento orgânico e inorgânico (UniversalizaSP, Copasa, AySA, etc.)”, escreveram.

Apesar da avaliação positiva, o caminho para a Sabesp conseguir o M&A promete ser um pouco difícil. Isso porque há outros concorrentes no mesmo patamar, como é o caso do grupo francês Suez e da israelense Mekorot.

Nova onda de protestos

Na última terça-feira (13), milhares de pessoas voltaram às ruas da Argentina para protestar contra cortes do governo federal, desta vez na educação. Essa foi a quarta marcha a favor do ensino superior desde que o presidente Javier Milei assumiu a presidência do país.

Na capital Buenos Aires, estudantes e apoiadores se encontraram na Casa Rosada, onde despacha o chefe do Executivo. Eles portavam faixas que diziam “Milei cumpra a lei”, em referência à aplicação da lei de financiamento para o setor educacional.

Desde o final de 2023, as universidades argentinas têm sofrido duros cortes orçamentários, o que faz com que não tenham dinheiro suficiente para as despesas básicas. Atualmente, recebem cerca de 0,42% do PIB (Produto Interno Bruto), o que seria o nível mais baixo desde a redemocratização, conforme relatório do Centro Ibero-Americano de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação.

"Orgulhoso do meu filho, que é doutor, e das universidades. Meu avô era analfabeto e eu estudei no ensino médio. Ele é a primeira pessoa do grupo familiar a se formar profissionalmente”, disse Susana Aguirre, uma das manifestantes, ao jornal La Nación. “Sou dona de casa e meu marido vende carros. Meu filho não poderia ter estudado de outra forma, sem uma universidade pública”, continuou.

O partido de Milei, o La Liberdade Avança (LLA, na sigla em espanhol), publicou uma nota classificando os protestos como “marcha política da oposição”. “Uma manobra que tenta instalar, protegendo-se por uma causa nobre, que o governo quer cortar o financiamento das universidades", escreveu.

Os jornais argentinos repercutiram os protestos, lembrando que o governo federal só distribuiu metade do previsto para as universidades em 2026. O corte ainda atinge a saúde pública, que tem US$ 80 milhões pendentes neste ano.

A educação pública é uma das marcas mais importantes da Argentina, que tem um dos graus mais altos de profissionalização na América do Sul. Por lá, há várias universidades gratuitas que oferecem cursos nas mais diversas áreas do conhecimento, facilitando o acesso das classes mais baixas.

Estima-se que, atualmente, cerca de dois milhões de argentinos ocupem vagas em alguma das dezenas de universidades ao redor do país. A Universidade de Buenos Aires (UBA) é reconhecida como um dos melhores centros educacionais e de pesquisa do mundo pelos organismos internacionais.

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