Lula 4 derruba todos os FIIs na B3 e só o IFIX derrete 6%

A disparada dos juros futuros, bem como os rendimentos do Tesouro IPCA+ 2035, explicam a volatilidade dos fundos imobiliários.

Publicado em 26/10/2026 às 15:20h - Atualizado em 26/10/2026 às 15:42h Publicado em 26/10/2026 às 15:20h Atualizado em 26/10/2026 às 15:42h por Lucas Simões
Vitória de Lula nas urnas também provoca reprecificação nos FIIs (Imagem: Shutterstock)
Vitória de Lula nas urnas também provoca reprecificação nos FIIs (Imagem: Shutterstock)
Não eram apenas as Ações de empresas brasileiras listadas na B3 (B3SA3) que registravam intensa reprecificação nesta segunda-feira (26), o day after da vitória de Lula nas Eleições 2026. O quarto mandato para o petista também destravou intensa volatilidade para a negociação dos FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário).
Só o IFIX (índice que traz o desempenho médio dos FIIs mais negociados) operava em queda de -6,25% por volta das 15h (horário de Brasília), na faixa de 3.741,09 pontos. No fechamento da última sexta-feira (23), quando o mercado ainda era crente no favoritismo do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL/Rio de Janeiro), o IFIX havia quase tocado a barreira psicológica dos 4 mil pontos.
Mais do que uma guinada nos rumos da política, os agentes de mercado estão desconstruindo as posições ancoradas em juros futuros bem mais baixos, os quais saltaram de patamares ao redor de 12,68% ao ano na última sexta-feira para os atuais 15,35% ao ano, caso dos contratos DI (Depósitos Interfinanceiros) com vencimento em janeiro de 2035.
Para quem não sacou ainda, boa parte dos movimentos de valorização (ou prejuízo) aplicados sobre as cotas dos FIIs listados na B3 estão intrinsecamente relacionados à variação dos juros futuros. Quando as taxas dos DIs disparam abruptamente, normalmente nos deparamos com o quadro atual de intensa reprecificação.
Inclusive, nenhuma cota de fundo imobiliário negociado na bolsa de valores brasileira registrava quaisquer ganhos neste day after de rescaldo eleitoral. Já os rendimentos oferecidos pelo Tesouro IPCA+ 2035, referência para o mercado de FIIs, saltaram rapidamente do patamar de IPCA+ 6,72% ao ano, às vésperas do resultado das Eleições 2026, para a região de IPCA+ 7,50% ao ano, pouco antes do circuit breaker atingir o Tesouro Direto hoje. 
Quanto maiores são os juros compostos oferecidos pelos títulos públicos no Tesouro Direto, mais dinheiro costuma sair da indústria de fundos imobiliários, especialmente dos FIIs de tijolo, uma vez que o rendimento dos dividendos (dividend yield) costuma ficar bem menor. 
Marginalmente, os FIIs de papel conseguem se sair melhor em cenário de juros mais altos, dado que a origem de seus dividendos mensais provém de carteiras pulverizadas de dívidas imobiliárias, normalmente CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), que podem estar indexados à inflação (IPCA+) ou aos juros flutuantes (CDI+). Todavia, há o efeito adverso de marcação a mercado quando as taxas sobem sob os títulos de dívida já em carteira. 

FIIs que mais caíam neste dia 26 de outubro de 2026

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