Carteira Lula: Como investir após o 2º turno das eleições de 2026?

Diante da queda da Bolsa e da alta do dólar, analistas apontam setores e ativos que podem lidar melhor com a reeleição de Lula.

Publicado em 26/10/2026 às 13:21h - Atualizado em 26/10/2026 às 13:25h Publicado em 26/10/2026 às 13:21h Atualizado em 26/10/2026 às 13:25h por Marina Barbosa
Lula foi reeleito no 2º turno das eleições de 2026, contrariando as expectativas do mercado (Imagem: Ricardo Stuckert/Divulgação)
Lula foi reeleito no 2º turno das eleições de 2026, contrariando as expectativas do mercado (Imagem: Ricardo Stuckert/Divulgação)
Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mercado financeiro passou a traçar um futuro mais desafiador para a situação fiscal brasileira e reviu a estratégia de investimento no país.
A avaliação dos analistas é que a incerteza fiscal vai manter os juros e o dólar sob pressão. Por isso, a recomendação é privilegiar empresas que geram receita no exterior, companhias com fundamentos sólidos e ativos de renda fixa, além de buscar diversificação internacional.

Apostas na B3

Em relatório, o BTG Pactual explicou que a perspectiva de um real mais fraco pode favorecer as ações de empresas exportadoras, que geram receitas em dólar. 
O BTG acredita que empresas com balanços sólidos também podem apresentar um desempenho relativamente positivo nesse cenário. Por isso, enviou aos clientes uma lista das companhias de menor alavancagem da sua cobertura, que tendem a sofrer menos com juros altos. A relação inclui nomes como Petz (PETZ3), B3 (B3SA3), Embraer, Cury (CURY3) e Weg.
O BTG e a Genial Investimentos também mencionam empresas de setores defensivos como energia e saneamento, que apresentam contratos de longo prazo, demanda relativamente estável e receitas reguladas, em boa parte corrigidas pela inflação. 
Além disso, lembram que seguradoras como Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto (PSSA3) aplicam parte das suas reservas em títulos de renda fixa e, portanto, podem ganhar com a manutenção de juros altos.
O BTG ainda aposta em outras três empresas listadas na B3: Ambev (ABEV3), pela expectativa de um desempenho superior ao do mercado; Petrobras (PETR4), pela exposição ao câmbio e ao preço do petróleo, além do forte pagamento de dividendos; e Itaú (ITUB4), visto como o banco brasileiro mais bem posicionado para enfrentar períodos desafiadores.
Especialista em investimentos e sócio da GT Capital, Josias Bento lembra que construtoras de baixa renda como a Cury também podem se beneficiar da manutenção de programas de habitação popular, como o Minha Casa, Minha Vida.

Renda fixa e exposição internacional

Embora tenha apontado alguns setores que podem reagir melhor à reeleição de Lula, a Genial Investimentos acredita que os investimentos em Bolsa perdem atratividade no possível cenário de manutenção de juros altos. 
Por isso, a casa reservou apenas 5% da sua nova carteira para investimentos na Bolsa do Brasil, deixando o restante na renda fixa (65%) e em ativos internacionais (30%).
Na renda fixa, a preferência é por títulos pós-fixados, que seguem o comportamento da Selic e do CDI, mas a casa também aposta em títulos indexados à inflação e títulos prefixados com vencimentos mais curtos.
Já a exposição internacional é obtida por meio de fundos cambiais, investimentos diretos na Bolsa americana e ETFs de renda fixa americana.
"A carteira de referência privilegia proteção em vez de exposição ao ciclo brasileiro e se organiza em três funções: liquidez remunerada no pós-fixado, preservação do poder de compra no IPCA+ de prazo curto e moeda forte, que responde por 30% da carteira, além de uma aposta moderada, no prefixado curto, de que a desaceleração leve o Banco Central a cortar juros", afirmou a Genial.

O que perde?

A Bolsa cai forte nesta segunda-feira (26), diante da reação do mercado à reeleição de Lula. Afinal, os investidores vinham apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), com um possível ajuste fiscal e a redução dos juros. Por isso, montaram posição em setores bem diferentes nas últimas semanas.
As varejistas e construtoras de média e alta renda, por exemplo, dispararam após o primeiro turno das eleições, diante da perspectiva de uma queda mais intensa dos juros. Os bancos também subiram forte, em meio à perspectiva de que esse movimento reduzisse a inadimplência e elevasse o movimento no mercado de capitais. Porém, boa parte desses ganhos vai sendo devolvida nesta segunda-feira (26).
O Ibovespa afundou dos 203 mil pontos para a faixa dos 173 mil pontos após o segundo turno das eleições de 2026 e analistas ainda veem espaço para novas baixas. O BTG, por exemplo, diz que o índice pode chegar aos 170 mil pontos.
O IFIX, índice de FIIs (fundos imobiliários) da B3, também opera em queda. Em relatório, a Genial explicou que os FIIs são muito sensíveis aos juros e disse que também não pretende investir em fundos multimercado e fundos de ações com gestão ativa neste momento.