Lula promete mudar jeito de governar e regular big techs no 4º mandato

O petista também falou sobre segurança pública e a relação com o Congresso no 1º discurso após a vitória nas eleições de 2026.

Publicado em 26/10/2026 às 07:42h - Atualizado em 26/10/2026 às 08:06h Publicado em 26/10/2026 às 07:42h Atualizado em 26/10/2026 às 08:06h por Marina Barbosa
Lula comemorou a vitória nas eleições de 2026 com aliados em São Paulo (Imagem: Ricardo Stuckert/Divulgação)
Lula comemorou a vitória nas eleições de 2026 com aliados em São Paulo (Imagem: Ricardo Stuckert/Divulgação)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25), após conquistar 4,4 milhões de votos a mais que Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026.
No discurso de vitória, agradeceu a mobilização popular e a redução da abstenção, que garantiram a virada inédita nas urnas. Além disso, antecipou algumas das prioridades do seu quarto governo.
Lula prometeu mudar o jeito de governar, reforçar a comunicação digital, regular as big techs e melhorar a segurança pública, além de ampliar os investimentos em saúde, meio ambiente e educação pública.
O presidente reeleito ainda prometeu governar para todos os brasileiros seguindo os parâmetros da Constituição e disse que vai trabalhar junto ao Congresso Nacional, de maioria da direita.
Veja os detalhes do primeiro discurso de Lula após a vitória nas eleições de 2026:

Mudar o jeito de governar

Lula virou e foi reeleito após reforçar a presença nas redes sociais durante a campanha do segundo turno, sob orientação de aliados como o deputado federal André Janones (Rede-MG), que coordenou o canal "Exército do Lula" no WhatsApp.
Ao celebrar a vitória, agradeceu a participação de Janones na campanha e disse que aprendeu muito nessas eleições. Na sequência, prometeu mudar o jeito de governar, para dar mais espaço à comunicação digital e, assim, "fazer o povo participar mais" nas decisões do Executivo.
"Daqui para frente, eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente", afirmou Lula, contando que já ganhou um celular novo para isso.

Regulação das big techs

A campanha do segundo turno também foi marcada por polêmicas nas redes sociais, devido à briga de canais no WhatsApp e a denúncias de que a IA (Inteligência Artificial) da Meta (M1TA34) estaria produzindo materiais de campanha para Flávio e não para Lula.
Diante disso, Lula disse que precisou "vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais" para ser reeleito e prometeu regular as big techs no próximo governo.
"Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país", declarou, defendendo quee crimes no mundo digital sejam tratados "igual a um crime na vida real".

Segurança pública

Lula também prometeu reforçar a segurança pública, uma das principais preocupações dos brasileiros e uma bandeira do seu adversário nas urnas.
Para isso, o petista defende a aprovação da PEC da Segurança Pública, que amplia os poderes da União no combate ao crime organizado, sob o argumento de que "está provado que os estados não dão conta" dessa tarefa. 
"Nós vamos entrar agora, vamos entrar para devolver, para devolver às mulheres, aos homens, aos trabalhadores, a tranquilidade e a paz que eles precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão", declarou Lula.

Relação com o Congresso Nacional

A PEC da Segurança Pública está no Congresso Nacional, que terá uma maioria de direita a partir de 2027, sobretudo do PL (Partido Liberal), o partido de Flávio Bolsonaro.
O avanço da direita no Congresso levanta dúvidas sobre a governabilidade de Lula no quarto mandato. Porém, o presidente reeleito minimizou essa questão no discurso de vitória deste domingo (25).
"Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas", afirmou.
Diante da polarização política, Lula ainda prometeu "governar para todos" e tentar construir ao menos um país "civilizado".
"Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição", afirmou.

IA brasileira

Lula também prometeu ampliar os investimentos em saúde, meio ambiente e educação pública, além de incentivar a economia digital, a economia verde e a economia criativa.
Segundo ele, o objetivo é garantir assistência ao povo brasileiro e destravar o desenvolvimento do país, com foco na nova economia. 
Lula defendeu, por exemplo, a atração de data centers para o país e sugeriu a criação de uma IA no Brasil.
"Iremos ensinar mais matemática, mais engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira", afirmou.

Economia

Lula não falou muito mais sobre economia, nem citou a questão fiscal no primeiro discurso após ser reeleito presidente do Brasil. Porém, disse que vai ouvir os empresários.
"Eu tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, quero me reunir com os educadores, quero me reunir com os cientistas, quero me reunir com as mulheres", afirmou.
No mercado, a maior preocupação é que a reeleição de Lula leve à continuidade da atual política fiscal, o que pode significar a manutenção de juros altos no Brasil. 
A expectativa dos analistas era de que uma eventual troca de governo mudasse essa situação, como evidenciou a disparada da Bolsa após a vantagem de Flávio no primeiro turno das eleições de 2026.
Diante disso, espera-se que os investidores reajam negativamente ao resultado do segundo turno das eleições, o que pode implicar na queda do Ibovespa e na alta do dólar nesta segunda-feira (26).