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USA Rare Earth (USAR), companhia americana listada na Nasdaq, concluiu na quinta-feira (3) a aquisição da maior mineradora de terras raras do Brasil, a Serra Verde.
🪙 O negócio foi avaliado em US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 14 bilhões. E, de acordo com a empresa americana, cria uma líder global em terras raras -um mercado que está em franca ascensão devido ao uso desses minerais na produção de itens como ímãs, smartphones, carros elétricos e equipamentos militares.
"Juntos, temos os ativos, a expertise e a presença global para gerenciar toda a cadeia de valor das terras raras, da extração à produção de ímãs e além, fornecendo aos clientes uma fonte de suprimento segura e resiliente", afirmou a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton.
CEO da Serra Verde, Thras Moraitis disse que o negócio representa o "ápice" da jornada empreendida pela empresa brasileira nos últimos 15 anos com o objetivo de construir uma fonte sustentável e em escala de terras raras.
"A combinação com a USA Rare Earth acelera nossa ambição de garantir que nossos elementos de terras raras pesadas cheguem aos clientes finais na forma de materiais avançados, incluindo ímãs permanentes, tornando-nos, assim, um elo importante em uma cadeia de suprimentos integrada", afirmou Moraitis.
Governo Trump ajudou
A exploração de terras raras está concentrada na China. Por isso, os Estados Unidos vêm tentando reduzir a dependência dos minerais chineses e ajudaram a USA Rare Earth na compra da Serra Verde.
💵 O governo de Donald Trump injetou US$ 750 milhões na estrutura financeira criada pela empresa americana para viabilizar a aquisição da mineradora brasileira. Isto é, cerca de R$ 3,8 bilhões.
A administração americana ainda se comprometeu a comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras da empresa combinada ao longo de cinco anos.
Um "banco institucional de primeira linha", cujo nome não foi revelado, também contribuiu com o projeto, ao conceder uma linha de crédito de US$ 500 milhões para a USA Rare Earth.
Ao todo, a empresa americana levantou US$ 1,55 bilhão e pediu a aprovação dos seus acionistas para emitir 126,8 milhões de novas ações para avançar com a compra da mina brasileira, pois o negócio prevê o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e o restante em ações.
Os papeis da USA Rare Earths eram cotados a US$ 17,69 no fechamento de quinta-feira (3). Porém, recuaram pouco mais de 11% desde que a fusão com a Serra Verde foi anunciada, em 20 de abril.
Brasil tenta trazer refino ao país
O Brasil aparece como um player estratégico no mercado de terras raras, pois ostenta a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.
⚒️ Além disso, a Serra Verde apresenta-se como a única produtora em grande escala de terras raras pesadas críticas e de terras raras leves fora da Ásia.
A companhia brasileira é dona da mina de Pela Ema, que está situada no estado de Goiás e pretende ampliar a sua produção já a partir deste terceiro trimestre de 2026.
Segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve produzir 4.000 toneladas de óxido de terras raras por ano até o final de 2026, mas essa produção pode atingir 6.400 toneladas em 12 meses e dobrar de tamanho a partir de uma nova expansão da sua capacidade produtiva.
Com isso, a expectativa é de que a Serra Verde passe a responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China e gere um Ebitda de até US$ 650 milhões por ano ao final de 2027.
Já a companhia resultante da combinação de negócios entre a USA Rare Earth e a Serra Verde deve gerar um Ebitda de US$ 1,8 bilhão em 2030, segundo as projeções da empresa americana.
Apesar disso, o governo Lula (PT) viu com cautela a compra da Serra Verde pela USA Rare Earth. Isso porque o objetivo do Executivo brasileiro é desenvolver as cadeias mais avançadas do processo de produção de terras raras no país, para não ficar apenas na exportação de minerais brutos.
O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal nesta semana, com apoio do governo federal, e prevê até R$ 7 bilhões em investimentos para projetos de processamento e transformação de minerais críticos e estratégicos.
A gestão da nova empresa
Com a conclusão da fusão, USA Rare Earths e Serra Verde fizeram ajustes no seu alto escalão.
Barbara Humpton deixou o cargo de CEO da USA Rare Earth, para que o posto seja ocupado por Thras Moraitis, o ex-CEO da Serra Verde.
Além disso, o presidente do Conselho de Administração da Serra Verde, Mick Davis, garantiu um assento no board da USA Rare Earth.
"Nossas equipes passaram meses se preparando para essa união, e estamos prontos para avançar como uma única empresa, com foco claro em integração e execução", afirmou Barbara.
Presidente Executivo da USA Rare Earth, Michael Blitzer disse que agora o foco é a execução e a integração das operações, para o avanço eficiente rumo a um fornecimento estável e confiável.
"Estou confiante de que temos a equipe e a plataforma certas para desempenhar um papel fundamental no atendimento às necessidades das indústrias cruciais que dependem de nossos produtos", afirmou.
A USA Rare Earth também atua nos Estados Unidos, na França e no Reino Unido, pautada pelo objetivo de criar a primeira cadeia integrada de terras raras fora da Ásia. Ou seja, de atuar "da mina ao ímã".