Empresa dos EUA conclui compra da maior mineradora de terras raras do Brasil

Listada na Nasdaq, a USA Rare Earth recebeu dinheiro do governo Trump para comprar a Serra Verde.

Publicado em 04/09/2026 às 09:41h Publicado em 04/09/2026 às 09:41h por Marina Barbosa
Situada em Goiás, a Serra Verde é a a única produtora em grande escala de 4 elementos das chamadas terras raras (Imagem: Divulgação)
Situada em Goiás, a Serra Verde é a a única produtora em grande escala de 4 elementos das chamadas terras raras (Imagem: Divulgação)
A USA Rare Earth (USAR), companhia americana listada na Nasdaq, concluiu na quinta-feira (3) a aquisição da maior mineradora de terras raras do Brasil, a Serra Verde.
🪙 O negócio foi avaliado em US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 14 bilhões. E, de acordo com a empresa americana, cria uma líder global em terras raras -um mercado que está em franca ascensão devido ao uso desses minerais na produção de itens como ímãs, smartphones, carros elétricos e equipamentos militares.
"Juntos, temos os ativos, a expertise e a presença global para gerenciar toda a cadeia de valor das terras raras, da extração à produção de ímãs e além, fornecendo aos clientes uma fonte de suprimento segura e resiliente", afirmou a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton.
CEO da Serra Verde, Thras Moraitis disse que o negócio representa o "ápice" da jornada empreendida pela empresa brasileira nos últimos 15 anos com o objetivo de construir uma fonte sustentável e em escala de terras raras.
"A combinação com a USA Rare Earth acelera nossa ambição de garantir que nossos elementos de terras raras pesadas cheguem aos clientes finais na forma de materiais avançados, incluindo ímãs permanentes, tornando-nos, assim, um elo importante em uma cadeia de suprimentos integrada", afirmou Moraitis.

Governo Trump ajudou

A exploração de terras raras está concentrada na China. Por isso, os Estados Unidos vêm tentando reduzir a dependência dos minerais chineses e ajudaram a USA Rare Earth na compra da Serra Verde.
💵 O governo de Donald Trump injetou US$ 750 milhões na estrutura financeira criada pela empresa americana para viabilizar a aquisição da mineradora brasileira. Isto é, cerca de R$ 3,8 bilhões.
A administração americana ainda se comprometeu a comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras da empresa combinada ao longo de cinco anos.
Um "banco institucional de primeira linha", cujo nome não foi revelado, também contribuiu com o projeto, ao conceder uma linha de crédito de US$ 500 milhões para a USA Rare Earth.
Ao todo, a empresa americana levantou US$ 1,55 bilhão e pediu a aprovação dos seus acionistas para emitir 126,8 milhões de novas ações para avançar com a compra da mina brasileira, pois o negócio prevê o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e o restante em ações.
Os papeis da USA Rare Earths eram cotados a US$ 17,69 no fechamento de quinta-feira (3). Porém, recuaram pouco mais de 11% desde que a fusão com a Serra Verde foi anunciada, em 20 de abril. 

Brasil tenta trazer refino ao país

O Brasil aparece como um player estratégico no mercado de terras raras, pois ostenta a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.
⚒️ Além disso, a Serra Verde apresenta-se como a única produtora em grande escala de terras raras pesadas críticas e de terras raras leves fora da Ásia. 
A companhia brasileira é dona da mina de Pela Ema, que está situada no estado de Goiás e pretende ampliar a sua produção já a partir deste terceiro trimestre de 2026.
Segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve produzir 4.000 toneladas de óxido de terras raras por ano até o final de 2026, mas essa produção pode atingir 6.400 toneladas em 12 meses e dobrar de tamanho a partir de uma nova expansão da sua capacidade produtiva.
Com isso, a expectativa é de que a Serra Verde passe a responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China e gere um Ebitda de até US$ 650 milhões por ano ao final de 2027.
Já a companhia resultante da combinação de negócios entre a USA Rare Earth e a Serra Verde deve gerar um Ebitda de US$ 1,8 bilhão em 2030, segundo as projeções da empresa americana.
Apesar disso, o governo Lula (PT) viu com cautela a compra da Serra Verde pela USA Rare Earth. Isso porque o objetivo do Executivo brasileiro é desenvolver as cadeias mais avançadas do processo de produção de terras raras no país, para não ficar apenas na exportação de minerais brutos.
Foi logo depois do anúncio da compra da Serra Verde pela USA Rare Earths, por sinal, que o Congresso Nacional colocou em andamento o projeto de lei que cria um marco legal para a exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil
O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal nesta semana, com apoio do governo federal, e prevê até R$ 7 bilhões em investimentos para projetos de processamento e transformação de minerais críticos e estratégicos.

A gestão da nova empresa

Com a conclusão da fusão, USA Rare Earths e Serra Verde fizeram ajustes no seu alto escalão.
Barbara Humpton deixou o cargo de CEO da USA Rare Earth, para que o posto seja ocupado por Thras Moraitis, o ex-CEO da Serra Verde.
Além disso, o presidente do Conselho de Administração da Serra Verde, Mick Davis, garantiu um assento no board da USA Rare Earth.
"Nossas equipes passaram meses se preparando para essa união, e estamos prontos para avançar como uma única empresa, com foco claro em integração e execução", afirmou Barbara.
Presidente Executivo da USA Rare Earth, Michael Blitzer disse que agora o foco é a execução e a integração das operações, para o avanço eficiente rumo a um fornecimento estável e confiável.
"Estou confiante de que temos a equipe e a plataforma certas para desempenhar um papel fundamental no atendimento às necessidades das indústrias cruciais que dependem de nossos produtos", afirmou.
A USA Rare Earth também atua nos Estados Unidos, na França e no Reino Unido, pautada pelo objetivo de criar a primeira cadeia integrada de terras raras fora da Ásia. Ou seja, de atuar "da mina ao ímã".

USAR

USA Rare Earth, Inc.
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US$ 17,69

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