El Niño pode prejudicar Axia (AXIA3) e Copel (CPLE6) e favorecer Auren, aponta Safra

Com 80% de chance de ocorrer, o El Niño pode frustrar chuvas no Nordeste e elevar precipitações no Sul, impactando as elétricas.

Publicado em 20/04/2026 às 19:34h Publicado em 20/04/2026 às 19:34h por Matheus Silva
Apesar dos riscos de curto prazo, o banco mantém suas recomendações (Imagem: Shutterstock))
Apesar dos riscos de curto prazo, o banco mantém suas recomendações (Imagem: Shutterstock))
🚨 A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA aponta 80% de probabilidade de ocorrência do El Niño entre junho e agosto, com duração prevista até janeiro. 
O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) também divulgou nota técnica sobre os possíveis impactos do fenômeno no Brasil a partir do segundo semestre de 2026.
O El Niño tende a elevar as temperaturas acima da média, frustrar as chuvas no Nordeste e aumentar as precipitações no Sul do país e na Argentina. 
Em relatório, o Safra traçou os possíveis efeitos sobre as empresas do setor elétrico listadas na bolsa brasileira.

Distribuidoras podem ganhar com o aumento do consumo no calor

Em episódios anteriores de El Niño, a hidrologia nas regiões Sul e Sudeste foi forte o suficiente para derrubar os preços de energia na comparação anual e promover a recuperação dos reservatórios. Por outro lado, o aumento das temperaturas elevou o consumo de energia. 
Nesse cenário, distribuidoras como Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11) e CPFL (CPFE3) podem sair ganhando com a maior demanda, segundo o Safra.
Entre as geradoras, o Safra avalia que as menos contratadas estão mais expostas a impactos negativos de curto prazo nos preços, caso o El Niño seja suficientemente forte. 
O banco aponta potencial efeito adverso nos resultados do 2T e 3T26 de empresas como Axia (AXIA3) e Copel (CPLE3). Já a Auren (AURE3), por possuir maior nível de energia contratada, pode sair em vantagem nesse cenário.

El Niño não altera recomendações do Safra

Apesar dos riscos de curto prazo, o banco mantém suas recomendações inalteradas. Na visão dos analistas, os preços de energia devem se sustentar em torno de R$ 240 por MWh, sustentados pelo peso crescente da geração distribuída na matriz elétrica, pela alta volatilidade da geração renovável e pelos maiores retornos exigidos para novos projetos. 
A alta do petróleo e do gás também contribui para elevar os custos das usinas térmicas, pressionando os preços para cima.

Revisão metodológica pode impactar preços a partir de 2027

O Safra também alertou para uma possível mudança nos parâmetros de aversão ao risco usados nos modelos de precificação. 
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) abriram consulta pública para revisar a metodologia de risco nesses modelos. 
📊 Entidades representantes dos consumidores de eletricidade pressionam por redução do peso atribuído a cenários hidrológicos mais severos, o que poderia implicar preços médios mais baixos. Eventuais mudanças, se aprovadas, entrariam em vigor em 2027.

AURE3

Auren Energia
Cotação

R$ 14,61

Variação (12M)

86,17 % Logo Auren Energia

Margem Líquida

-5,04 %

DY

0.39%

P/L

-23,11

P/VP

1,23