STF julga prisão de ex-presidente do BRB (BSLI4) nesta quarta-feira (22)
A análise deve ser concluída até as 23h59 da próxima sexta-feira (24).
Apesar do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, ter negado que o Banco Master ameace à saúde do sistema financeiro brasileiro, fato é que as taxas dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) emitidos pela instituição financeira privada não param de subir desde que sua venda à estatal Banco de Brasília — BRB (BSLI4) foi barrada pelo próprio BC.
Com a venda do Banco Master frustrada, por ora, os cerca de R$ 60 bilhões em depósitos e títulos segurados da instituição financeira pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) entraram sob pressão, fazendo pintar na praça CDBs pagando até 150% do CDI, com vencimento em fevereiro de 2026, na plataforma da XP.
Outras modalidades de remuneração da renda fixa também encontram-se bem acima do habitual no mercado secundário, ambiente em que as corretoras recolocam nas prateleiras os CDBs resgatados pelos investidores antes do vencimento para a disposição de um segundo investidor, atraído por rentabilidade maior.
Por exemplo, entre os CDBs do Banco Master com vencimentos no curtíssimo prazo, é possível se deparar com taxas de IPCA+ 45% ao ano para vencimento no próximo mês, ao passo que prefixados chegavam a oferecer 37% ao ano para vencimento em janeiro de 2026.
Já em prazos mais extensos, os CDBs do Banco Master presentes na plataforma digital do BTG Pactual chegavam a remunerar taxas prefixadas de 20% ao ano com vencimento em fevereiro de 2027, ou remuneração de CDI+ 3% ao ano com vencimento em abril de 2028.
O BC reiterou que a decisão de não aceitar a venda do Banco Master à estatal controlada pelo governo do Distrito foi técnica, mas isso não impediu que especulações e movimentos de manada no mercado secundário de renda fixa envolvendo os CDBs acontecessem.
Leia mais: CDBs do Banco Master rendem acima de 20% ao ano no mercado secundário de renda fixa
O Investidor10 foi atrás da voz da razão de profissionais do mercado financeiro para entender se quem já tem CDBs do Banco Master em carteira deveria se desfazer desses títulos a todo custo ou se ainda, quem está pensando em aproveitar taxas elevadas na renda fixa estaria correndo risco de calote certo.
"Se você já tem CDBs do Master, a primeira coisa é não entrar em pânico, o Banco Central barrou a venda anunciada ao BRB, deixando a situação do Master mais incerta, por isso os papéis aparecem com 'descontos' nas plataformas e as taxas oferecidas são altas justamente por esse risco", explica Jeff Patzlaff, planejador financeiro à nossa reportagem.
Para Patzlaff, o que é mais importante checar é se o saldo de cada aplicação em CDB à garantia do FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, em investimentos no Banco Master. Se a posição for inferior a esse patamar, a cobertura está assegurada. Vale mencionar que o FGC tinha caixa de R$ 152 bilhões em maio.
"Não indico resgatar no momento, já que o pênalti pelo resgate vai ser grande, não venda por pânico. Se você não precisa do dinheiro e está confortável em esperar, há a possibilidade de o FGC ser acionado caso o pior aconteça", avalia o planejador financeiro.
Agora, o caso o investidor confie na cobertura do FGC ao se aventurar em taxas de até 150% do CDI para os CDBs do Master, o profissional de mercado comentou ao Investidor10 que esses rendimentos altos são um reflexo do próprio risco envolvido, por isso o investimento deve estar alinhado à tolerância do investidor e que o valor aplicado mais a soma dos juros compostos não supere o saldo de R$ 250 mil.
O pior cenário que pode acontecer para quem tem os CDBs do Banco Master é ter que acionar o FGC para reaver o seu dinheiro de volta, caso o BC tenha que liquidar a instituição financeira, cujas chances são maiores agora que o negócio com a estatal BRB foi por água abaixo.
Segundo Cristiano Leal, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças, o principal custo é de oportunidade, já que o investidor ficará com o dinheiro “preso” até o ressarcimento do FGC.
Afinal de contas, CDBs de grandes bancos pagando 100% do CDI ou mesmo o Tesouro Selic, emprestar dinheiro ao governo brasileiro com liquidez diária, são opções que remuneram atualmente ganhos em torno de 15% ao ano e não arriscam travar o dinheiro com liquidações do BC e trâmites do FGC.
"Historicamente, o FGC atua de forma relativamente rápida, mas o prazo não é fixo. Em casos recentes de liquidação de bancos médios e pequenos, o ressarcimento costuma ocorrer em até três meses, dependendo da complexidade do processo", pondera Leal.
O FGC normalmente divulga um cronograma logo após assumir a responsabilidade, e o pagamento é feito por meio de bancos parceiros credenciados. É importante lembrar que o valor ressarcido considera a data da intervenção como corte, ou seja, não há remuneração adicional entre a intervenção e o efetivo pagamento.
"Na prática, o FGC cumpre bem seu papel de proteção, mas o investidor precisa estar ciente de que ficará sem acesso ao capital nesse intervalo, o que pode ser crítico para quem depende de liquidez imediata", afirma o especialista.
Por isso, Leal confidenciou ao Investidor10 que dificilmente aqueles que não têm CDBs do Banco Master já em carteira, antes de todo esse imbróglio com BRB, encontrarão boa justificativa para entrar agora, dado o grau de incerteza e mesmo considerando taxas atrativas.
A análise deve ser concluída até as 23h59 da próxima sexta-feira (24).
O Banco de Brasília (BSLI4) comprou mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de Daniel Vorcaro.
Paulo Henrique Costa teria recebido propina para facilitar transações do BRB com o Master.
O relatório já foi enviado à PF, para a adoção das "eventuais medidas cabíveis".
O BRB pediu ao STF que ativos identificados nas investigações do caso Master sejam reservados para ressarcir as partes lesadas.
Durigan negou federalização, mas disse que bancos públicos poderiam comprar ativos do BRB.
Pedido envolve possível apoio da Caixa e empréstimo bilionário do FGC.
Ao menos outras nove empresas listadas na B3 também não apresentaram o balanço no prazo.
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