As propostas para a economia ocupam espaço central na disputa presidencial de 2026, com os candidatos apresentando diferentes caminhos para lidar com as contas públicas, impostos, investimentos, indústria e crescimento.
Entre os principais nomes, os planos de Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) trazem medidas distintas para a condução da economia brasileira. Um dos principais pontos de divergência aparece na forma de tratar as contas públicas.
Veja as propostas:
Augusto Cury (Avante)
- Reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 6% ou 7%;
- "Dobrar a produção de alimentos do Brasil na próxima década;
- Criar "10 mil clubes de empreendedorismo no país";
- Investir na formação de especialistas em IA e robótica.
Flávio Bolsonaro (PL)
- Usar IA para controlar os gastos públicos;
- Flexibilizar a CLT para permitir o pagamento por hora (PEC 12/2026);
- Suspender por um ano a entrada em vigor da reforma tributária;
- Preservar o Pix sem integrá-lo a redes de pagamentos internacionais;
- Promover um "revogaço" de normas para facilitar abertura de empreendimentos;
- Retomar o Programa Nacional de Desestatização;
- Simplificar a conta de luz, racionalizando encargos e subsídios;
- Criar Corredores Logísticos Inteligentes;
- Reduzir gradualmente o custo do trabalho, sem retirar direitos;
- Ter contratos de trabalho para os jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego;
- Criar um contrato mais atrativo para a contratação de pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses;
- Criar um banco nacional de vagas conectado ao RH das empresas;
- Criar o programa Minha Primeira Empresa: menos burocracia para abrir e formalizar o negócio;
- Transformar a Caixa no Banco da Prosperidade, para o sistema Ganha Ganha, que recompensa ações como formalizar empresa, conseguir emprego;
- Investir R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias;
- Implementar a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial para levar IA para pequenas empresas;
- Ajustar o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- Defender a "soberania energética e mineral", com exploração do pré-sal, da Margem Equatorial e dos minerais críticos e terras raras;
- Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acabar com a escala 6x1, sem redução de salários;
- Aperfeiçoar a regulamentação de trabalhos mediados por plataformas digitais;
- Assegurar trajetória sustentável da dívida pública;
- Dar sequência ao Programa Conhecimento Brasil, com repatriação de cientistas;
- Criar condições para redução sustentada da taxa de juros;
- Criar Plataforma Pública Nacional de Empregabilidade com IA ;
- Melhorar políticas de acesso à previdência;
- Manter os Correios como empresa estatal.
Renan Santos (Missão)
- Reduzir número de municípios de 5.570 para cerca de 1.656;
- Alterar a Constituição para permitir regras de trabalho "mais flexíveis e liberdade para trabalhadores e empresas";
- Acabar com o reajuste automático de benefícios vinculados ao salário mínimo;
- Construir uma reserva estratégica em Bitcoin;
- Criar zonas econômicas especiais no Nordeste;
- Reduzir despesas públicas, incluindo cortes no alto funcionalismo;
- Revisar renúncias fiscais e subsídios da Zona Franca de Manaus;
- Privatizar os Correios;
- Estabelecer como meta de investimento em infraestrutura de 2% para 4% do PIB, com foco em ferrovias;
- Cortar R$ 1,1 trilhão em gastos para interromper a atual trajetória de crescimento do endividamento público;
- Realizar uma nova reforma da Previdência, para cortar gastos com aposentadorias.
Romeu Zema (Novo)
- Mudar a CLT para permitir trabalho e pagamento por dia, semana ou quinzena;
- Privatizar todas as estatais federais;
- Garantir que o salário mínimo tenha reposição integral da inflação;
- Atrelar repasse de impostos aos entes federativos à melhora de eficiência;
- Diminuir a taxa básica de juros para 6% em um ano;
- Criar linhas de crédito para o setor do turismo.
Ronaldo Caiado (PSD)
- Garantir "protagonismo brasileiro" na exploração e processamento dos chamados minerais críticos;
- Reduzir a Selic para próximo de 10%, a partir de controle de gastos públicos via reformas em áreas como previdência e gestão administrativa;
- Privatizar partes da Petrobras, mantendo o pré-sal";
- Cortar cerca de R$ 120 bilhões de gastos públicos, entre emendas impositivas e repasses.