Empresa da B3 anuncia fusão para criar gigante de R$ 10 bilhões

Operação reúne 1,6 milhão de estudantes e ainda depende de aprovação dos acionistas e do Cade.

Publicado em 24/09/2026 às 08:09h Publicado em 24/09/2026 às 08:09h por Wesley Santana
Estácio é uma das marcas controladas pela Yduqs (Imagem: shutterstock)
Estácio é uma das marcas controladas pela Yduqs (Imagem: shutterstock)

Duas empresas da bolsa de valores anunciaram fusão nesta quarta-feira (23) com o objetivo de criar uma nova gigante com receita de R$ 10 bilhões. A decisão foi tomada pelas gestões da Afya (AFYA) e da Yduqs (YDUQ3), ambas do setor de educação.

Segundo comunicado divulgado pelas marcas, a operação combinada inclui um total de 1,6 milhão de estudantes. A Afya terá 69% do negócio, enquanto a Yduqs fica com 31%, de acordo com as negociações.

O atual CEO da Afya, Virgilio Gibbon, é quem vai assumir a cadeira de principal executivo da nova companhia. Já o atual CEO da Yduqs, Rossano Marques, ficará responsável pela presidência de Ensino Superior. A cadeira de presidente do Conselho será ocupada por Kay Krafft, CEO da Bertelsmann Education, controladora da Afya.

A fusão agora deve passar por análise dos órgãos reguladores, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). No entanto, analistas do JP Morgan já disseram que o acordo não deve enfrentar resistência dentro do órgão.

Segundo os analistas, isso se deve ao fato de que, mesmo combinadas, as empresas não devem concentrar um número importante de vagas universitárias. No caso do curso de Medicina, por exemplo, elas terão cerca de 17% das disponíveis no mercado, o que não afetaria a concorrência no setor.

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O entrave, no entanto, poderia vir da análise geográfica das vagas, que, em cidades como o Rio de Janeiro, têm uma forte presença da Estácio, marca do grupo Yduqs. Estima-se que, em Ji-Paraná (RO), Rio de Janeiro (RJ) e Teresina (PI), a empresa chegue a ter 45% das vagas de Medicina.

“Essas três cidades com sobreposição certamente chamariam a atenção das autoridades antitruste, visto que a participação combinada é elevada, acima dos 20% que o Cade considera como baixo impacto para uma sobreposição horizontal”, escrevem os analistas.

Para a XP, o acordo é estrategicamente importante para o setor de Educação, especialmente por causa do novo marco do ensino a distância. Os analistas da corretora escrevem que a fusão pode trazer uma redução de custos de 10%, elevando o valor de mercado da nova empresa em até 20%.

“Estimamos sinergias com valor presente líquido de R$ 2,1 bilhões, equivalentes a aproximadamente 20% do valor de mercado, impulsionadas principalmente pela otimização das despesas gerais e administrativas (SG&A) e líquidas dos impactos do Pilar Dois. Avaliamos a consolidação de forma positiva, uma vez que deve ampliar a escala, a liquidez e a relevância do setor para os investidores”, pontua Gustavo Tiseo, responsável pela cobertura na XP. 

A decisão da fusão foi divulgada depois do fechamento do mercado, portanto, as ações das companhias ainda não sentiram nenhum impacto. Diante disso, o mercado deve estar de olho nos papéis ao longo desta segunda, fazendo suas apostas contra ou a favor do M&A.

No mês passado, quando surgiram as primeiras notícias sobre essa eventual fusão, os investidores receberam a novidade de forma positiva. Em um dos pregões seguintes, as ações da Yduqs chegaram a subir 12%. 

A Afya também é uma empresa de capital aberto, mas está listada em Nasdaq, nos Estados Unidos. Atualmente, o valor de mercado da companhia é de R$ 6,2 bilhão, enquanto a brasileira negocia com valuation de R$ 3 bi. 

YDUQ3

YDUQS
Cotação

R$ 10,86

Variação (12M)

-15,11 % Logo YDUQS

Margem Líquida

2,04 %

DY

5.24%

P/L

26,22

P/VP

1,02