Banco do Brasil (BBAS3) prevê resultados "mais apertados" no 1º semestre de 2026

Segundo a CEO, o BB ainda está colhendo os frutos dos ajustes realizados no agronegócio.

Publicado em 23/04/2026 às 14:45h Publicado em 23/04/2026 às 14:45h por Marina Barbosa
A CEO do BB, Tarciana Medeiros, disse que ano será de retomada, mas não será fácil (Imagem: Reprodução/YouTube)
A CEO do BB, Tarciana Medeiros, disse que ano será de retomada, mas não será fácil (Imagem: Reprodução/YouTube)
O Banco do Brasil (BBAS3) ainda deve apresentar resultados "mais apertados" no primeiro semestre de 2026, apesar das tentativas de regularização do crédito rural e da aposta cada vez maior em outros negócios.
⚠️ O aviso é da CEO do BB, Tarciana Medeiros, que abriu o jogo sobre a situação do banco nesta quarta-feira (23), durante o BB Day 2026, o encontro anual com investidores da instituição.
Segundo ela, este será um ano de reestruturação e retomada de crescimento, mas não será um ano fácil, porque o banco ainda precisa colher os frutos de muitas das medidas de ajuste implementadas nos últimos meses.
"Os ajustes que fizemos em 2025 passarão agora por um processo de consolidação e prova. 2026 é um ano decisivo", afirmou Tarciana, poucos dias antes de o BB apresentar os resultados do primeiro trimestre de 2026.
A divulgação do balanço está prevista para o dia 13 de maio, com a conferência de analistas no dia seguinte. Confira a agenda de balanços do 1T26.

Ajustes no agro

Tarciana lembrou que o Banco do Brasil enfrentou o ano mais desafiador da sua história em 2025, quando viu seu lucro diminuir 45,4%, em meio à alta da inadimplência e das provisões do agronegócio brasileiro. 
Por isso, está renegociando as dívidas rurais e adotou uma postura mais conservadora nesse segmento, com uma análise de risco mais criteriosa e um modelo mais robusto de garantias.
Para se ter ideia, apenas 31% dos empréstimos concedidos na safra 2024/2025 tinham garantia real, mas esse percentual disparou para 69% nesta safra. 
A expectativa é, então, de que os indicadores de qualidade do crédito rural melhorem ao longo do ano, mas ainda não o suficiente para voltar aos patamares anteriores aos de 2025.
Diante disso, a CEO avisou que o BB ainda "vai ter um primeiro semestre mais apertado", mas garantiu que o caminho para a retomada dos resultados está sendo traçado, com foco sobretudo no longo prazo.
"Estamos crescendo com a prudência necessária, sem deixar de fazer crédito. O trabalho está sendo feito, mas vai demandar um tempo para a gente poder ver esse resultado", explicou.
Diante desse cenário, a CEO do BB pediu que os acionistas tenham uma relação de confiança de longo prazo com a empresa.
Como exemplo, ela agradeceu a confiança de Luiz Barsi -o maior investidor individual da bolsa brasileira, que investe há mais de 50 anos no BB e compareceu ao BB Day 2026, nesta quinta-feira (23).

O conglomerado BB

🏦 De acordo com a CEO, o Banco do Brasil não vai deixar de ser o banco do agronegócio brasileiro por causa desse momento desafiador. Afinal, o setor ainda é responsável por uma parcela importante da economia brasileira. 
Ela admitiu, porém, reconheceu que a instituição tem olhado cada vez mais para as suas outras participações, como BB Seguridade (BBSE3), Cielo, Elo, Alelo e BB Asset Management.
O CFO Geovanne Tobias explicou que o Banco do Brasil vem ampliando e diversificando a sua capacidade de geração de resultados a partir desses outros negócios. Ou seja, vem apostando em uma "estratégia de conglomerado financeiro".
Por isso, cerca de 52% do seu lucro líquido já vem de atividades complementares ao banco e essa participação aumentou em 2025, em meio à pressão do crédito rural.
Tobias convidou, então, os investidores a olharem o BB não só como o banco da agricultura, mas como o maior conglomerado financeiro do Brasil, que tem participações em mais de 80 empresas.  
"A gente tem certeza que, com toda a estratégia que vem implementado de fortalecer os outros planetas em volta da galáxia chamada Conglomerado BB, vai conseguir garantir entrega de valor para nossos acionistas, passar por esse momento de ajustes e retomar a rentabilidade que é do tamanho dessa galáxia", afirmou. Veja aqui a análise completa do CFO.

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