Banco do Brasil (BBAS3) diz como pretende crescer enquanto agro se recupera

O BB acredita que recuperação do agro pode ser lenta, por isso tem olhado para outros negócios.

Publicado em 23/04/2026 às 11:28h Publicado em 23/04/2026 às 11:28h por Marina Barbosa
O CFO Geovanne Tobias defendeu visão de conglomerado no BB Day (Imagem: Reprodução/YouTube)
O CFO Geovanne Tobias defendeu visão de conglomerado no BB Day (Imagem: Reprodução/YouTube)
O Banco do Brasil (BBAS3) ainda monitora o ritmo de recuperação do agronegócio, mas já traçou uma estratégia para tentar voltar a ampliar seus resultados e gerar valor para os seus acionistas.
A estratégia foi apresentada nesta quinta-feira (23) pelo CFO do BB, Geovanne Tobias, durante o BB Day 2026, o encontro anual com investidores da instituição.

Agro ainda em recuperação

Tobias lembrou que o Banco do Brasil enfrentou o "ano mais desafiador da sua história" em 2025, quando viu seu lucro diminuir 45,4%, em meio à alta da inadimplência e das provisões do agronegócio brasileiro. 
⚠️ Além disso, admitiu que ainda não está claro quando a crise do agronegócio vai ficar para trás, apesar de todas as medidas de ajuste anunciadas nos últimos meses, como os programas de renegociação de dívidas, análise de riscos, recuperação de créditos e obtenção de garantias.
"Ainda estamos observando o comportamento de como as renegociações dentro do agro vão performar e a nova safra que vai ser colhida. Se essa recuperação tende a ser em U ou em W, a gente ainda não sabe", declarou.
Ele suspeita, contudo, que esta pode ser uma recuperação em W. Ou seja, uma recuperação mais demorada, que apresenta algumas melhoras e algumas quedas antes de ser totalmente realizada.

A estratégia do BB

Diante desse cenário, o Banco do Brasil decidiu elevar a aposta nos seus outros negócios, enquanto aguarda a normalização da carteira de crédito rural.
🏦 "Faço um convite para olhar o Banco do Brasil não só como o banco da agricultura", afirmou Tobias, no BB Day.
Ele lembrou que o BB conta com mais de 80 empresas. Entre elas, BB Seguridade (BBSE3), Cielo, Elo, Alelo e BB Asset Management. Por isso, disse que este é "o maior conglomerado financeiro do Brasil".
"O banking é super importante, mas temos também seguros, mercado de capitais, meios de pagamento, atuação no exterior", ressaltou.
Segundo o CFO, o Banco do Brasil vem ampliando e diversificando a sua capacidade de geração de resultados a partir desses negócios. Ou seja, aposta cada vez mais em uma "estratégia de conglomerado financeiro".

Impacto no balanço

Segundo Tobias, cerca de 52% do lucro líquido do BB já vem de atividades complementares ao banco. E essa participação aumentou em 2025, em meio à pressão do crédito rural.
💲 O executivo espera, então, que a estratégia de fortalecer os outros negócios do conglomerado contribua com a melhora dos resultados do BB.
"A gente tem certeza que, com toda a estratégia que vem implementado de fortalecer os outros planetas em volta da galáxia chamada Conglomerado BB, vai conseguir garantir entrega de valor para nossos acionistas, passar por esse momento de ajustes e retomar a rentabilidade que é do tamanho dessa galáxia", afirmou.
A CEO do BB, Tarciana Medeiros, admitiu, porém, que os resultados do primeiro semestre ainda devem vir um pouco "mais apertados". Afinal, a instituição ainda precisa de um tempo para colher os frutos de todos os ajustes. Veja aqui o que disse a CEO do BB.

Guidance

O Banco do Brasil registrou um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões em 2025, um baque de 45,4% em relação ao resultado recorde de R$ 37,9 bilhões observado em 2024.
Para este ano, a expectativa é de um crescimento de 15% a 26% desse resultado, o que significa um lucro líquido ajustado anual entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. 
Ou seja, o BB espera que o resultado deste ano cresça em relação a 2025, mas ainda fique abaixo do recorde de 2024. Veja aqui o guidance do BB.
O resultado do primeiro trimestre de 2026 será apresentado no próximo dia 13 de maio, com a conferência de analistas marcada para o dia seguinte.

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