Como fazer o dinheiro trabalhar para você?
Publicado em 31/03/2024
A bonificação de ações é uma forma de provento menos conhecida que os dividendos, mas relevante para quem acompanha o mercado de capitais.
Ao contrário da distribuição em dinheiro, a bonificação aumenta a posição do acionista na própria empresa, por meio da entrega de novas ações.
Este artigo explica o conceito, o funcionamento prático, os impactos na carteira e como declarar o evento no Imposto de Renda.
Antes de tratar da bonificação, vale revisar os conceitos principais do mercado de ações.
Dentro das diversas formas de remuneração que uma empresa pode oferecer a seus acionistas, a bonificação é uma das opções que a companhia pode escolher usar, geralmente vinculada à existência de reservas de lucro acumuladas.
Uma ação representa a menor fração do capital social de uma companhia. Quem possui ações se torna sócio da empresa, com direito a receber parte dos resultados na forma de proventos.
Essa participação também expõe o investidor a eventuais perdas, já que ações fazem parte da renda variável, categoria de investimento sem garantia de rendimento e que exige análise do perfil de risco de cada investidor.
Essa característica faz as ações se encaixarem na renda variável, setor que não dá garantias de rendimento, exigindo análise minuciosa do perfil de cada investidor.
Uma ação representa a menor fração do capital social de uma companhia.
Dentro da renda variável, o investidor participa de proventos de tipos diversos:
Dividendos: fatia do lucro distribuída em dinheiro.
Juros sobre capital próprio (JCP): também distribuídos em dinheiro, mas com desconto de Imposto de Renda na fonte.
Bonificação de ações: distribuição de novas ações aos acionistas.
Direitos de subscrição: oferta de novas ações a quem já é acionista, geralmente em condições vantajosas.
A bonificação ocorre quando a empresa distribui novas ações aos acionistas, de forma proporcional à posição que cada um já possui.
Diferente dos dividendos, o acionista não recebe recursos financeiros diretamente na conta: em vez disso, aumenta sua quantidade de ações, enquanto a companhia transfere parte de suas reservas de lucro para o capital social.
A decisão de bonificar é tomada em assembleia, que costuma definir:
Após a aprovação, a empresa divulga um fato relevante detalhando o cronograma. Apenas quem estiver com a ação em carteira até a data-limite recebe as novas ações.
E se vier número quebrado
Algumas vezes, o cálculo resulta em frações de ações (por exemplo, 2,5 novas ações).
Nesse caso, o acionista pode receber a parte inteira e o valor correspondente à fração, creditado em dinheiro.
Esse processo ocorre por meio de leilões específicos das frações que não fecham 1 papel.
Quando a bonificação acontece, muitos se perguntam: “o que acontece com o preço das ações?”. A tendência é o valor unitário ficar menor.
Se havia um total X de papéis e esse número sobe, a cotação é ajustada para não alterar o patrimônio dos investidores.
Suponha que um investidor com 200 ações cotadas a R$10,00 cada. A empresa solta uma bonificação de 20%.
Agora, ele terá 240 papéis (200 + 40), mas o preço de cada um tende a ser reavaliado em torno de R$8,33, mantendo o mesmo valor total (200 x 10 = 2.000; 240 x 8,33 ~ 2.000).
Ou seja, nada muda no conjunto da obra, mas a quantidade de ações aumenta e o preço médio precisa ser recalculado.
Após a bonificação, o investidor deve recalcular o preço médio de suas ações somando o valor pago pelas ações originais ao custo declarado das novas ações, e dividindo o total pelo número de ações que passa a ter.
Esse novo valor é o que será usado para apurar eventual ganho de capital em uma venda futura.
Embora não gere um dinheiro direto, a bonificação pode turbinar a participação do sujeito na empresa. Com mais papéis em carteira, a fatia no capital social aumenta.
Se em algum momento a cotação se valoriza, esse ganho tende a ser ainda maior.
Fora isso, nos próximos dividendos ou JCP, o número de ações sobe e o montante também cresce. Logo, para quem pensa no longo prazo, pode ser um reforço excelente.
Pelo fato da cotação por ação cair quando a base acionária é ampliada, alguns relatam incremento no volume negociado.
Papéis que eram cotados a valores altos podem atrair mais gente com o preço reduzido, dando aquela bombada na liquidez.
Em determinadas circunstâncias, essa mudança chama atenção de traders e de quem busca papéis em faixas de preço diferenciadas.
Exemplo prático
Uma ação que valia R$100 antes da bonificação passa a custar cerca de R$80 após o evento, considerando a mesma proporção.
Às vezes, quem achava salgada a marca de R$100 se anima a entrar, o que acelera as trocas entre compradores e vendedores.
Cada um tem sua linha de raciocínio na Bolsa, mas é sempre útil mapear:
Curto prazo ou longo prazo?
É comum uma empresa definir um fator como 10% de bonificação. Se alguém tem 58 ações, recebe 5,8 de bônus.
O 0,8 não vira papel, mas sim um valor em dinheiro, fruto do leilão de frações. Depois do leilão, esse recurso cai na conta do acionista..
A bonificação de ações não é tributada no momento do recebimento, mas precisa ser informada na declaração de Imposto de Renda. É necessário registrar o valor de custo das ações bonificadas, conforme informado pela empresa no fato relevante.
Esse valor deve ser declarado na ficha "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis" e usado para atualizar a quantidade de ações na ficha "Bens e Direitos".
Passo a passo para registrar
Exemplo:
Se o acionista tinha 500 papéis e recebeu 50 de bonificação, as novas ações são incorporadas.
Para descobrir o novo preço médio, soma-se o valor investido anteriormente com o montante relativo aos 50 papéis. Em seguida, divide-se pelo total de 550 ações.
💡Saiba mais: Descubra todas as regras para declarar investimentos no Imposto de Renda 2026
Cada operador tem uma maneira de enxergar a bonificação. Alguns encaram como oportunidade de reforçar a posição sem ter que comprar mais.
Outros enxergam um gatilho para vender o lote extra, realizando uma receita imediata. Há quem prefira acompanhar cada passo do negócio, comparando indicadores de balanço, alavancagem e capacidade de gerar resultados.
O investidor está disposto a segurar as ações por um horizonte longo?
Sempre que uma companhia pratica a bonificação, costuma indicar que há reservas acumuladas e disposição para convertê-las em capital social.
Em muitos casos, isso sugere um negócio bem estruturado. Mas nem todo caso é igual. Às vezes, a direção prefere não distribuir dividendos em dinheiro para reforçar algum projeto estratégico ou manter um colchão de segurança.
Convém investigar a motivação e entender se o plano faz sentido.
Para boa parte dos analistas, se a empresa apresenta lucros sólidos, governança confiável e perspectiva de crescimento, a bonificação tende a ser bem vista.
Quem busca participação maior no longo prazo pode gostar dessa distribuição.
Mas, se o objetivo for retorno imediato em dinheiro, a bonificação talvez não seja tão empolgante quanto dividendos ou JCP.
Cada um precisa entender suas metas e estudar se a companhia é coerente com a estratégia de investimento.
Dicas para avaliar:
O primeiro passo é ter conta em uma corretora e conhecer a política de distribuição da empresa. Quando ela anuncia a decisão de bonificar, o investidor avalia se quer entrar antes da data-limite.
Se a companhia já tiver sinalizado bonificações frequentes, alguns se posicionam antecipadamente esperando repetições futuras.
Observações
Para quem faz trade frequente, a bonificação ajuda a reduzir o preço médio. Se for vendida parte das ações, o lucro tributável talvez fique menor.
Há quem use isso de forma estratégica para otimizar o recolhimento de Imposto de Renda. Quem investe no longo prazo ajusta o custo, mas só paga tributo se vender acima do limite de isenção mensal (que costuma ser R$20 mil para vendas de ações sem IR, desde que haja lucro).
A bonificação não anula a possibilidade de a mesma empresa pagar dividendos ou JCP. Em muitos casos, cada provento tem seu próprio cronograma.
O investidor deve ficar ligado para não confundir as datas. Quando a companhia anuncia bonificação e dividendos na sequência, a atratividade para quem mantém as ações pode aumentar.
Combinação de proventos
Uma empresa que paga dividendos trimestrais e ainda faz bonificação em determinado ano pode chamar mais atenção no mercado de capitais.
O investidor que gosta de recolher renda pode considerar isso positivo, desde que haja consistência no tempo.
A bonificação de ações tem tudo para impulsionar a carteira de quem busca crescimento e maior participação em empresas bem administradas.
É um jeito de ver as reservas virando papéis e ampliando o potencial de ganhos futuros. Mesmo sem cair dinheiro na conta no ato, essa prática fortalece o posicionamento dos acionistas, desde que as análises sejam feitas de modo criterioso.
Cada investidor precisa entender as próprias metas, ler relatórios e ficar de olho na transparência da empresa.
Para ajudar você a acompanhar as empresas pagadoras de provendos, a plataforma Investidor10 oferece informações comparativas, dados de empresas listadas na Bolsa e ferramentas que oferecem mais informações e melhora as possibilidades de cada operação.
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