Marfrig: conheça a história de uma das maiores empresas do setor de proteína animal do mundo

Conheça a história da empresa, da consolidação no mercado de carnes à criação da MBRF Global Foods Company.

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Publicado em 14/08/2026 às 12:05h - Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h Publicado em 14/08/2026 às 12:05h Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h por Carlos Filadelpho
A Marfrig se consolidou como uma das maiores produtoras de carne bovina do mundo. (Imagem gerada com auxílio de Inteligência Artificial)
A Marfrig se consolidou como uma das maiores produtoras de carne bovina do mundo. (Imagem gerada com auxílio de Inteligência Artificial)

A história e o desenvolvimento da Marfrig Global Foods são exemplares de como uma empresa brasileira pode alcançar presença e relevância internacional no competitivo mercado de proteína animal.

Desde as primeiras aquisições que impulsionaram seu crescimento, passando pela consolidação de diversas unidades industriais em diferentes regiões do país, a Marfrig se destacou pela forma como soube profissionalizar a gestão, abrir capital na Bolsa de Valores e estabelecer parcerias duradouras, um percurso que culminou, em setembro de 2025, na fusão com a BRF e na criação da MBRF Global Foods Company.

Aliada a esse movimento de expansão, a companhia enfatiza cada vez mais políticas de sustentabilidade, reconhecendo a importância de lidar com as demandas socioambientais, de combater o desmatamento e de garantir o bem-estar animal.

Dentro dessa complexa equação, não podemos deixar de mencionar a figura central de Marcos Molina, fundador e principal liderança, cuja visão empreendedora foi determinante para a trajetória de aquisições, incorporações e parcerias estratégicas, e que segue no comando estratégico da MBRF como chairman e controlador.

Deseja saber tudo sobre a história e os negócios da empresa? Se a sua resposta foi "Sim", continue conosco e acompanhe este conteúdo até o final.

O que é Marfrig?

Uuma das maiores empresas do setor de proteína animal no mundo, com destaque na produção e comercialização de carne bovina.

Mas compreender o que é a Marfrig de forma mais profunda exige uma análise extensa, que abrange a história de sua fundação, estratégia de crescimento, estrutura de negócios, presença global, políticas socioambientais, cultura corporativa, entre outras dimensões, incluindo o capítulo mais recente de sua trajetória: a fusão com a BRF, concluída em setembro de 2025, que deu origem à MBRF Global Foods Company.

Por isso, neste texto, apresentamos uma visão detalhada sobre a organização, para revelar suas áreas de atuação, bem como outros fatores, como responsabilidade ambiental e presença na Bolsa de Valores.

História da Marfrig e como surgiu

Quando falamos em grandes empresas do ramo alimentício, especialmente voltadas à proteína animal, é praticamente impossível ignorar a Marfrig Global Foods.

Ao longo das últimas décadas, ela se consolidou como uma das maiores companhias de carne bovina do mundo, atuando com foco em produtos in natura e processados, indo muito além das fronteiras do Brasil.

Mas como exatamente se deu o surgimento dessa gigante da indústria de carnes? O que levou a Marfrig a ocupar posições de destaque no cenário global e quais foram os grandes marcos, desafios e vitórias ao longo do caminho?

A seguir, apresentamos uma visão detalhada, abrangendo desde a sua fundação até a notória consolidação internacional e a fusão que deu origem à MBRF.

O início discreto, mas visionário

A Marfrig Global Foods foi idealizada por Marcos Molina dos Santos, ele notou o potencial que existia em desenvolver unidades de abate e industrialização de carnes, pois os pequenos e médios frigoríficos não tinham o capital ou a gestão necessária para competir em um mercado cada vez mais exigente e globalizado.

Observando a grande oportunidade de reunir tais unidades sob um mesmo guarda-chuva empresarial, Molina apostou na compra de algumas plantas em regiões estratégicas do Brasil.

Nessa fase inicial, o objetivo era formar uma estrutura de produção em escala que fosse capaz de garantir o abastecimento tanto do mercado interno quanto para exportação. E, assim, começou a ganhar tração a história da Marfrig.

Reunindo profissionais especializados em comércio exterior, em tecnologia de abate e em gestão de fornecedores, a empresa despontava no começo dos anos 2000 com uma proposta de unir expansão geográfica e padronização de processos.

Primeiras aquisições estratégicas

Logo na sequência de sua fundação, a Marfrig iniciou um agressivo movimento de aquisições. Muitas plantas frigoríficas de médio porte foram adquiridas, permitindo à companhia aumentar o volume de abate de forma rápida.

Na prática, isso não significava apenas maior presença no mercado, mas também diluição de custos fixos e alcance de economias de escala, aspectos fundamentais em um setor de margens relativamente apertadas.

A tática era, ao mesmo tempo, reduzir a concorrência e se expandir geograficamente, garantindo uma cadeia de fornecedores (pecuaristas) em diferentes biomas e estados.

Vale ressaltar que o Brasil é um país continental, com condições de produção pecuária que variam de uma região a outra. Ao controlar várias unidades, a Marfrig podia direcionar o gado de acordo com os mercados, aproveitando melhor o fluxo de animais e a logística de exportação.

Foco na exportação

A exportação, inclusive, foi desde o início um pilar-chave para a história da Marfrig. Enquanto muitos frigoríficos menores dependiam principalmente do mercado interno, a empresa nasceu com mentalidade exportadora, atenta às demandas de mercados como o europeu, o asiático e o norte-americano.

O crescimento da procura internacional por carne brasileira, impulsionada pela relação custo-benefício e pela qualidade da pecuária nacional, favorecia essa estratégia.

Todavia, havia a necessidade de padronizar processos sanitários e cumprir rigorosamente exigências de países importadores. Essa adequação implicava investimentos em certificações, rastreabilidade e treinamentos de funcionários.

De forma antecipada, a Marfrig assumiu esses custos, confiando no retorno a médio e longo prazo, ao garantir mercados e contratos mais valiosos no exterior.

Crescimento e expansão da Marfrig

O crescimento e expansão da Marfrig é um dos capítulos mais marcantes na história dessa gigante do setor de proteína animal.

Desde os primeiros passos, ainda nos anos 2000, a empresa assumiu uma estratégia ousada de aquisições e incorporações, aumentando rapidamente sua capacidade de abate e processamento de carne bovina, conquistando novos mercados e ampliando sua presença geográfica em distintas regiões do Brasil e do mundo.

Neste tópico, vamos destrinchar essa trajetória de crescimento, compreendendo como a Marfrig Global Foods saiu de uma posição relativamente modesta para tornar-se uma das maiores referências mundiais no ramo de carnes, um percurso que teve seu capítulo mais recente na fusão com a BRF.

Crescer via consolidação

Boa parte do crescimento e expansão da Marfrig se deve à estratégia de aquisições contínuas. A companhia olhava para os frigoríficos regionais que tinham dificuldades de financiamento ou que não conseguiam acompanhar as exigências internacionais de qualidade.

Assim, a Marfrig comprava essas unidades, investia em modernização, integrava processos e criava um portfólio cada vez mais amplo de plantas distribuídas em diferentes estados do Brasil.

Com isso, não apenas aumentava sua capacidade de abate e produção, mas também reduzia a concorrência e passava a ter maior poder de barganha junto a pecuaristas e fornecedores de insumos, aproveitando-se de economias de escala.

Essa política permitiu aumentar rapidamente o volume de carne disponível, tanto para o mercado interno quanto para a exportação.

Principais aquisições e incorporações

Na prática, o período que vai de meados da década de 2000 até o início de 2010 foi marcado por uma sucessão de negócios.

A Marfrig adquiriu plantas em estados como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia, além de compras de frigoríficos em outros países da América do Sul.

Embora nem todas essas operações tenham sido mantidas a longo prazo, algumas foram posteriormente vendidas ou reestruturadas, a empresa cresceu de forma rápida e impactante, assustando concorrentes tradicionais do setor.

Conjuntamente, a Marfrig investiu na compra de marcas de alimentos processados e avançou em parcerias estratégicas com redes de fast-food, ampliando a abrangência do portfólio.

Esse movimento de crescimento horizontal e vertical resultou em um salto expressivo de faturamento e presença de mercado.

Se antes era um nome desconhecido, em poucos anos já se posicionava entre as maiores companhias de proteína bovina do Brasil e do mundo, trajetória que, décadas depois, desembocaria na fusão com a BRF e na formação de uma das maiores companhias de alimentos do mundo.

Estratégia de diversificação e posterior foco

Além do tradicional foco em carne bovina, a Marfrig chegou a expandir-se para outras proteínas, como frango, suínos e pescados, visando tornar-se uma "multiplayer" em proteínas animais.

Contudo, em determinado momento, a companhia precisou rever essa diversidade, pois a dívida se elevava e o mercado apresentava complexidades.

Assim, algumas linhas de aves e suínos foram vendidas para outras empresas, revertendo recursos para o equilíbrio financeiro e privilegiando a especialização na carne bovina.

Esse reposicionamento reflete as idas e vindas do crescimento e expansão da Marfrig: de início, houve uma ampliação para vários segmentos de carnes, mas depois a empresa optou por concentrar seus esforços onde já era muito competitiva, a saber, o boi, estratégia que mudaria novamente de forma definitiva com a fusão com a BRF, especialista em aves e suínos, formando uma plataforma multiproteínas completa.

Mesmo com essa reestruturação, as marcas ligadas a frango e suínos por um tempo integraram o escopo da empresa, gerando experiências que contribuíram no entendimento de diferentes submercados.

Compra de plantas e parcerias fora do Brasil

Em termos de crescimento e expansão da Marfrig, a presença no exterior não se restringiu à exportação a partir do Brasil.

A companhia também adquiria unidades produtivas e operações de distribuição em outros países da América do Sul (como Argentina, Uruguai) e na América do Norte (particularmente Estados Unidos).

Esse movimento buscava reduzir riscos de depender de um único país produtor e atender localmente, ao menos em parte, grandes clientes que preferiam comprar de fornecedores localizados no mesmo território ou com menor distância de logística.

Além disso, a proximidade com o mercado consumidor de carne premium, como nos Estados Unidos, permitia a obtenção de margens melhores para cortes especiais.

A integração de diversas plantas em diferentes nações, embora complexa de gerir, proporcionou à Marfrig uma "rede de segurança" contra oscilações regionais de oferta, sanções ou barreiras comerciais.

Desafios da gestão internacional

Claro que essa expansão internacional trouxe embates de governança. Cada país tem legislação trabalhista, ambiental e fiscal distinta, exigindo que a companhia contratasse consultorias locais e desenvolvesse grande flexibilidade administrativa.

A coordenação de equipes multiculturais e a harmonização de padrões de qualidade e marca compõem um desafio constante na história da Marfrig.

Apesar disso, a empresa conseguiu manter um padrão mínimo de compliance e processos industriais, garantindo que a carne produzida no Uruguai ou nos Estados Unidos preservasse a qualidade e a consistência características da marca.

Esse esforço de uniformização e comunicação criou uma identidade global da Marfrig, hoje herdada pela MBRF.

Quantas plantas tem a Marfrig?

Muitos se perguntam: quantas plantas tem a Marfrig atualmente? Embora esse número possa variar conforme a empresa faça aquisições ou vendas, a operação era composta por 26 unidades de produção, estrategicamente localizadas na América do Sul e América do Norte, com cerca de 30 mil colaboradores atuando nos canais de food service, varejo e atacado, com um portfólio diversificado.

Com essa estrutura, a empresa se consolidou como líder global na produção de hambúrguer e a 2ª maior produtora de carne bovina do mundo.

Vale destacar que esse número reflete a operação de carne bovina da Marfrig antes da fusão com a BRF. Com a criação da MBRF em setembro de 2025, a estrutura industrial combinada passou a incorporar também as plantas de aves e suínos historicamente operadas pela BRF, ampliando significativamente o parque fabril do grupo.

Para o número atualizado de unidades da companhia combinada, recomenda-se consultar os releases mais recentes da MBRF. Em cada uma das suas unidades, a empresa processa um volume diário expressivo de cabeças de gado, produzindo cortes para o mercado interno e para exportações.

Estrutura fora do Brasil

Fora do país, a Marfrig administra unidades industriais na Argentina, no Uruguai e nos Estados Unidos.

Na Argentina e no Uruguai, trata-se principalmente de plantas de abate e processamento de carne bovina destinadas tanto ao mercado local quanto à exportação.

Já nos Estados Unidos, a empresa investiu em plantas de processamento, principalmente para a produção de hambúrguer e outros produtos industrializados, atendendo grandes clientes de fast-food e varejo.

É importante frisar que esse ecossistema de plantas industriais não funciona isoladamente: há um sistema de logística integrado que une centros de distribuição (CDs), linhas de transporte refrigerado e portos de exportação para que os produtos cheguem ao destino final, respeitando prazos e as exigências de temperatura.

Segmentos de atuação da Marfrig

Carne bovina in natura

A fusão entre Marfrig e BRF deu origem à MBRF Global Foods Company (Imagem gerada com auxílio de Inteligência Artificial)

O principal segmento de atuação histórico da Marfrig é a produção de carne bovina in natura, isto é, a venda de cortes resfriados ou congelados diretamente do abate.

Esses cortes podem ser destinados ao mercado doméstico (açougues, supermercados, redes de varejo) ou à exportação para países de diversos continentes.

Nessa seara, a empresa foca em garantir padronização de qualidade, respeitando as normas sanitárias e ofertando uma grande gama de cortes (coxão mole, alcatra, picanha, fraldinha, entre outros).

Cada mercado tem suas preferências de corte, e a Marfrig adequa a produção conforme a demanda.

Produtos processados e industrializados

Outro segmento importante é o de produtos processados, que incluem hambúrgueres, almôndegas, salsichas e carnes prontas para preparo.

Esse nicho atende grandes redes de fast-food, setores de food service e também linhas de varejo destinadas a consumidores domésticos que buscam praticidade.

Além disso, essa categoria incrementa a margem de valor, pois o processamento agrega e diferencia o produto, evitando a mera competição por preços dos cortes in natura.

Algumas marcas focadas em carnes processadas surgiram dentro do portfólio da Marfrig ou foram adquiridas em estratégias de M&A. A empresa também produz para terceiros (private label), adaptando receitas e formatos de produtos conforme o pedido do cliente.

Com a fusão com a BRF, esse segmento se tornou ainda mais relevante para a companhia combinada: a MBRF passou a ter 38% do portfólio composto por produtos de valor agregado, unindo a força histórica da Marfrig em processados bovinos com o know-how da BRF em processados de aves e suínos.

Alimentação fora do lar e varejo

Ao considerar os canais de venda, a Marfrig divide sua operação principalmente em:

Food Service: Inclui restaurantes independentes, redes de fast-food, hotéis e catering. Varejo: Supermercados e açougues, seja fornecendo cortes embalados a vácuo, bandejas ou produtos resfriados/prontos. Mercado externo: Exportações diretas a importadores e distribuidores em diversos países.

Essa segmentação abrange desde grandes clientes corporativos que adquirem enormes quantidades até pequenos supermercados que buscam compras menores e diversificadas.

Adaptar-se a cada segmento é um diferencial para expandir a fatia de mercado, o que explica o sucesso do crescimento e expansão da Marfrig ao longo dos anos.

Quais as marcas da Marfrig?

No decorrer do crescimento e expansão da Marfrig, a empresa adquiriu diversas marcas ou desenvolveu rótulos próprios para melhor segmentar a oferta de carnes e produtos industrializados.

A abrangência de marcas é ampla e, em alguns casos, pode variar conforme a região ou o canal de venda. Entre as principais marcas historicamente ligadas à Marfrig, podemos citar:

Bassi: focada em cortes nobres e linha premium de carnes, atende ao segmento de consumidores que buscam padrão superior de maciez e sabor. É comum em supermercados de alto padrão e no fornecimento para steakhouses.

Montana: também associada a carnes de qualidade, mas com apelo diferenciado. A marca nasceu da parceria com o Grupo Montana, que, em determinado momento, esteve conectado às operações da empresa.

Paty: uma tradicional marca de hambúrguer na Argentina, incorporada em processos de aquisição. Permite à Marfrig ter forte presença no mercado argentino de carnes processadas.

Qui Burguers: em alguns mercados, principalmente no food service, a Marfrig criou marcas específicas para hambúrgueres e pratos prontos, atendendo redes de restaurantes e lanchonetes.

Tacuarembó: marca proveniente do Uruguai, reconhecida pela qualidade da carne uruguaia. Especialmente popular em exportação e nichos gourmet.

Cada marca tem posicionamento distinto e cobre um segmento particular do mercado. Isso assegura que a empresa consiga aproveitar diferentes faixas de preços e preferências regionais, solidificando a presença do grupo.

Em muitos casos, a empresa assume também a produção de marcas próprias para grandes redes de varejo (private label), o que não necessariamente leva o nome "Marfrig" ao consumidor, mas gera receita expressiva.

Com a conclusão da fusão com a BRF em setembro de 2025 e a criação da MBRF Global Foods Company, o portfólio de marcas do grupo se ampliou significativamente, passando a incluir também marcas historicamente ligadas à BRF, como Sadia, Perdigão, Qualy e Banvit, consolidando uma plataforma multiproteínas que combina bovinos, aves e suínos sob uma mesma estrutura corporativa.

Marketing e divulgação das marcas

Para manter relevância junto a clientes e consumidores, a companhia investe em marketing, seja em pontos de venda (exposição em supermercados) ou em campanhas publicitárias segmentadas.

Em alguns mercados de exportação, a empresa foca em reforçar a imagem de procedência, aproveitando a percepção positiva que muitos consumidores estrangeiros têm da carne proveniente do Brasil, Uruguai ou Argentina.

A internet e as redes sociais também se tornaram palco para a promoção das marcas de carnes premium, buscando atrair consumidores que valorizam cortes especiais, técnicas de cozimento diferenciadas e rastreabilidade do rebanho.

Por outro lado, para linhas mais econômicas ou processadas, a estratégia inclui se associar ao dia a dia das famílias, destacando praticidade e sabor.

Qual a relação da Marfrig e BRF?

A relação entre a Marfrig e a BRF começou com rumores de que ambas poderiam se unir, seja por meio de fusão ou joint venture. Tais boatos ganharam força quando o mercado enxergou que a Marfrig, já capitalizada e com apetite de expansão, poderia buscar aquisição total ou parcial da BRF, que vivia períodos de reestruturação e ajustes.

A ideia de juntar a forte presença da BRF em aves e suínos com a da Marfrig em bovinos parecia, em teoria, criar sinergias na parte comercial, facilitando a negociação com grandes redes varejistas e de food service que preferiam um fornecedor de "mix completo" de proteínas.

Entretanto, havia obstáculos, como sobreposição de cultura corporativa, modelos de governança, estratégias de marca e, claro, a questão de quem seria o controlador após a fusão.

Em 2019, a Marfrig e a BRF confirmaram publicamente que mantinham negociações para uma possível fusão ou parceria estratégica. Diversos veículos de imprensa noticiaram o assunto, especulando que essa união poderia criar uma "superempresa" capaz de rivalizar com multinacionais como a JBS em termos de volume e diversidade de portfólio.

Na época, porém, após intensas conversas, ambas anunciaram que não haviam chegado a um acordo final, citando divergências de estratégia e o momento do mercado, embora análises apontassem a governança, e não apenas a estratégia, como o principal ponto de entrave.

Em 2021-2022, surgiu outro capítulo na relação: a Marfrig iniciou a compra de ações da BRF no mercado, tornando-se, de forma gradativa, uma das principais acionistas da empresa e, com a continuidade das aquisições, sua maior acionista individual, o que lhe garantiu poder de influência no conselho de administração da BRF.

Esse movimento acabou pavimentando o caminho para o desfecho definitivo da relação entre as duas companhias: em maio de 2025, Marfrig e BRF anunciaram formalmente a combinação dos negócios, por meio da incorporação da totalidade das ações da BRF pela Marfrig. A operação foi aprovada pelos acionistas das duas empresas em assembleias realizadas em agosto de 2025 e recebeu aprovação unânime e sem restrições do CADE em setembro do mesmo ano.

A fusão foi concluída em 23 de setembro de 2025, dando origem a uma nova companhia: a MBRF Global Foods Company. A partir dessa data, as ações passaram a ser negociadas na B3 sob o ticker MBRF3, substituindo o antigo MRFG3 da Marfrig e o BRFS3 da BRF. A relação de troca acordada foi de 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF.

Com receita líquida anual estimada em cerca de R$ 160 bilhões e presença em 117 países, a MBRF passou a reunir marcas historicamente ligadas à Marfrig e à BRF sob uma mesma estrutura, consolidando uma plataforma multiproteínas, bovinos, aves e suínos, totalmente integrada.

Miguel Gularte, então CEO da BRF, foi nomeado CEO da MBRF, com reporte a Marcos Molina, que segue como chairman e controlador da nova empresa, com cerca de 52% do capital.

Ações de sustentabilidade da Marfrig

A Marfrig, hoje parte da MBRF, mantém um conjunto de práticas de sustentabilidade voltado a reduzir impactos socioambientais e atender às exigências de consumidores, governos e mercados importadores:

  • Compromisso de desmatamento zero na cadeia de fornecimento
  • Rastreabilidade via georreferenciamento e auditorias
  • Capacitação de produtores rurais em manejo mais sustentável
  • Redução do consumo de água e energia no abate e processamento
  • Estudos sobre energia renovável
  • Aproveitamento de resíduos e subprodutos, como farinha de carne e ossos, sebo e embalagens recicláveis.

Marcos Molina e participação acionária

Como fundador e principal rosto por trás da companhia, Marcos Molina dos Santos deteve historicamente fatia significativa das ações, garantindo sua influência estratégica nas decisões do negócio.

Em vários momentos, ele liderou acordos de reorganização, fez aumentos de capital, trouxe novos investidores e vendeu participações menores, porém sem perder o comando central.

Na nova estrutura da MBRF, Molina segue como chairman e controlador, com participação de aproximadamente 52% do capital da companhia combinada, com Miguel Gularte, ex-CEO da BRF, à frente da gestão executiva como CEO, reportando-se a ele.

É comum em empresas familiares que cresceram rapidamente manter um núcleo duro de controle, mesmo após a entrada de sócios institucionais (fundos de investimento, bancos, entre outros) e mesmo após operações de fusão de grande porte. No caso da MBRF, a figura de Marcos Molina prossegue como peça vital, representando inclusive a "cultura" de agressividade comercial e expansão herdada da Marfrig.

Conselho de administração e comitês

Como parte das exigências de governança corporativa, a estrutura mantém um conselho de administração plural, com membros independentes e comitês temáticos (auditoria, sustentabilidade, risco).

Em resumo, o conselho busca equilibrar poder entre a família fundadora, os investidores institucionais e a gestão executiva. Nesses comitês, são debatidas estratégias de M&A, propostas de grandes investimentos, políticas de remuneração de executivos e outras questões sensíveis.

Essa arquitetura, exigida pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pelas boas práticas de governança do mercado de capitais, visa proteger acionistas minoritários e trazer maior transparência.

Frequentemente, a empresa divulga a composição desses órgãos, detalhando a trajetória profissional de cada conselheiro, reforçando sua credibilidade junto ao mercado.

Quem é Marcos Molina?

Ele é um empreendedor que viu oportunidade no ramo frigorífico no início dos anos 2000, quando o Brasil emergia como grande exportador de carnes.

Oriundo de uma família ligada ao comércio de carnes, Molina fez sua trajetória em direção a um entendimento profundo do negócio, negociando diretamente com pecuaristas e conhecendo as nuances dos mercados internos e externos.

Ao perceber que havia espaço para consolidação, partiu para aquisições de plantas e unidades frigoríficas, impulsionando o que se tornaria uma das gigantes do setor.

Reconhecido por sua visão arrojada e disposição de assumir riscos, Marcos Molina foi a força motriz por trás de cada grande movimento estratégico da Marfrig, desde a abertura de capital até as múltiplas aquisições e expansões internacionais, trajetória que teve seu desfecho mais recente na fusão com a BRF, concluída em setembro de 2025, quando Molina assumiu o papel de chairman e controlador da MBRF, com a gestão executiva do dia a dia a cargo do CEO Miguel Gularte.

O seu estilo de liderança combina pragmatismo comercial com a busca de inovações, resultando em transformações rápidas na empresa.

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Marfrig na Bolsa de Valores (B3)

A Marfrig realizou sua oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Valores do Brasil (B3) em 2007, momento em que o mercado de capitais brasileiro vivia um ciclo positivo de IPOs e grandes empresas do agronegócio aproveitavam para captar recursos.

Esse IPO possibilitou à empresa reforçar seu caixa e bancar aquisições que impulsionaram o crescimento e expansão ao longo das duas décadas seguintes.

Na época, a atratividade do setor de carnes e a projeção de exportações brasileiras chamavam atenção de investidores nacionais e estrangeiros.

A receita captada serviu também para modernizar plantas frigoríficas e adotar estruturas de governança, preparando a Marfrig para ser vista não apenas como um grupo familiar, mas uma corporação global em linha com as exigências de relatórios financeiros transparentes.

Estrutura das ações e liquidez

Por décadas, a Marfrig negociou suas ações na B3 sob o ticker "MRFG3". Em setembro de 2025, a companhia concluiu a fusão com a BRF, dando origem à MBRF Global Foods Company. Desde 23 de setembro de 2025, as ações da companhia combinada são negociadas na B3 sob o ticker MBRF3.

A liquidez desses papéis oscilou ao longo do tempo, pois em alguns períodos houve maior atração de investidores, enquanto em crises setoriais ou oscilações do dólar a procura caiu — dinâmica que segue relevante para os papéis hoje negociados como MBRF3.

A companhia também tem que lidar com a percepção de risco ligada ao endividamento e às vicissitudes do agronegócio. Entretanto, a inclusão em índices como o Ibovespa ou o IBrX pode aumentar a visibilidade dos papéis, dependendo do desempenho no mercado e do volume de negociação.

Vale notar que, ocasionalmente, a empresa promoveu ofertas subsequentes de ações ou realizou reestruturações de capital para ajustar dívida. Esses movimentos impactam os acionistas, pois podem resultar em diluição, mas, em contrapartida, podem fortalecer o caixa da companhia para expandir ou reduzir obrigações financeiras.

Tanto no passado quanto no presente, as ações hoje negociadas como MBRF3 seguem variando em função de:

Preços da arroba do boi: Se os custos de gado sobem demasiado, as margens podem se estreitar, gerando queda nas cotações das ações. Câmbio: A valorização ou desvalorização do real impacta custos e receitas de exportação, afetando o resultado líquido. Cenário econômico global: Crises em mercados compradores de carne (Europa, Ásia) podem reduzir a demanda e pressionar a lucratividade. Dívidas e reestruturações: Sempre que há notícias de endividamento elevado ou necessidade de vender ativos, o mercado reage, ajustando o preço das ações.

Com a fusão, a companhia passou a operar uma plataforma multiproteínas mais ampla, com receita líquida anual estimada em cerca de R$ 160 bilhões e presença em 117 países,  números que devem ser considerados na avaliação de risco e oportunidade por parte de quem investe nos papéis hoje negociados como MBRF3, ao lado de outros gigantes globais do setor de alimentos.

Conclusão: trajetória e crescimento da empresa

A trajetória de crescimento da Marfrig, marcada por aquisições, consolidação de plantas industriais e expansão internacional, teve seu desfecho mais recente em setembro de 2025, com a fusão que deu origem à MBRF Global Foods Company, reunindo marcas históricas da Marfrig, como Bassi, Paty e Tacuarembó, com marcas da BRF, como Sadia, Perdigão, Qualy e Banvit.

Com receita líquida anual de cerca de R$ 160 bilhões, presença em 117 países e uma plataforma multiproteínas integrada (bovinos, aves e suínos), a MBRF ocupa hoje uma posição ainda mais relevante no cenário global de alimentos. Marcos Molina segue como chairman e controlador, com Miguel Gularte à frente da gestão executiva como CEO, e as práticas de sustentabilidade construídas pela Marfrig, como o compromisso de desmatamento zero, permanecem como base da nova companhia.

Para quem investe, vale destacar que as ações antes negociadas como MRFG3 passaram a MBRF3 a partir de 23 de setembro de 2025, e a análise de riscos e oportunidades deve considerar a estrutura combinada, não mais apenas o negócio bovino que caracterizava a Marfrig isoladamente.

Acompanhar esse tipo de mudança estrutural é essencial para quem já é acionista ou avalia entrar na posição, e o Investidor10 reúne dados atualizados, indicadores e ferramentas de análise para ajudar o investidor a entender o novo momento da MBRF antes de tomar qualquer decisão.

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