Juíza diz que sócios da Americanas (AMER3) sabiam da fraude contábil
Despacho que autorizou buscas afirma que há indícios de que acionistas de referência tinham conhecimento das manipulações contábeis da companhia.
Na noite desta quarta-feira (12), a Americanas (AMER3) divulgou seu balanço financeiro do segundo trimestre de 2026. A varejista viu seu prejuízo líquido quase triplicar no período, totalizando R$ 274 milhões.
De acordo com o documento, o Ebitda também seguiu na direção negativa, caindo 51% e chegando a R$ 145 milhões. Esse é o resultado financeiro antes de juros, impostos e amortizações.
O mesmo aconteceu com a receita líquida, que finalizou o mês de junho com queda de 1,7%, aos R$ 3,3 bilhões. As vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) terminaram o 2T26 com recuo de 0,6%, ainda conforme o relatório.
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Um dos únicos índices positivos foi o de receita líquida, que cresceu quase 8% no intervalo de um ano, alcançando o patamar de R$ 6,39 bilhões. Esse saldo foi puxado especialmente pela integração de lojas físicas e virtuais, que viram um salto de quase 75% no período, com R$ 337 milhões em vendas omnichannel.
Ao menos desde 2022, a companhia vem passando por um mau momento, depois que foram encontradas inconsistências financeiras nos seus balanços. De lá para cá, as ações despencaram na bolsa de valores, fazendo com que o valor de mercado da companhia ficasse em menos de R$ 800 milhões.
Hoje, a empresa também tem um problema com o endividamento, que passa de R$ 1 bilhão. A direção tem tentado se desfazer de algumas subsidiárias para levantar recursos para colocar as contas em dia.
Quem entrou nesta lista foi a Uni.Co, dona das marcas Imaginarium e Puket, recentemente vendida por R$ 162 milhões. A compradora foi a FanStore Entretenimento, especializada no mundo geek.
“A combinação de expansão de receita e redução nominal das despesas reflete o fortalecimento da companhia ao longo dos últimos trimestres. Estes indicadores reforçam o compromisso da Americanas com a sustentabilidade através do sólido desempenho operacional e financeiro. Com operações mais fortes, disciplina na execução e a consolidação do processo de Recuperação Judicial em sua fase final, a companhia avança na construção de sua visão de futuro, ancorada na 'Estratégia 100 Anos'”, diz mensagem da administração.
Despacho que autorizou buscas afirma que há indícios de que acionistas de referência tinham conhecimento das manipulações contábeis da companhia.
A empresa diz que as reclamações dos credores são antigas e já foram respondidas.
A varejista reiterou que os R$ 25,3 bilhões referentes aos lançamentos indevidos e às fraudes contábeis já foram divulgados ao mercado.
Operação apura suposta manipulação de mercado e ocultação de dívidas ligadas ao escândalo contábil da varejista.
Varejista reduziu prejuízo no 1T26 e já recebeu parecer favorável do Ministério Público.
A venda integrou o desinvestimento da Natural da Terra, que foi adquirida pela Americanas em 2021 pelo montante de R$ 2,1 bilhões.
O pedido vem três anos após a empresa protagonizar um dos maiores casos de fraude da história do mercado de capitais brasileiro.
A varejista entrou em recuperação judicial em 2023 após a descoberta de uma fraude bilionária que abalou sua credibilidade.
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