Americanas (AMER3) nega atrasos de pagamento aos credores

A empresa diz que as reclamações dos credores são antigas e já foram respondidas.

Publicado em 09/07/2026 às 10:37h Publicado em 09/07/2026 às 10:37h por Marina Barbosa
Americanas pediu o fim da recuperação judicial em março (Imagem: Shutterstock)
Americanas pediu o fim da recuperação judicial em março (Imagem: Shutterstock)
A Americanas (AMER3) negou nesta quinta-feira (9) atrasos no pagamento aos seus credores, o que poderia representar um empecilho ao fim do seu processo de recuperação judicial.
🧾 A varejista disse que vem cumprindo os compromissos assumidos no plano de recuperação de forma regular e integralmente. Logo, afastou a possibilidade de atrasos ou incompletude nos pagamentos previstos.
O comunicado foi publicado depois da "Folha de S. Paulo" revelar que alguns dos credores da companhia contestaram o fim da recuperação judicial na Justiça, alegando falhas nos pagamentos.
A Americanas diz, por sua vez, que a reportagem se baseia em petições e alegações antigas, que já foram respondidas nos fóruns adequados.
Segundo a varejista, menos de 0,3% dos credores se opuseram ao encerramento do processo de recuperação judicial. Porém, certos credores estariam "se aproveitando deste pedido para renovar suas oposições".

Recuperação judicial

💲 A Americanas entrou em recuperação judicial em 2023, depois de descobrir um rombo bilionário no balanço por causa de uma fraude contábil orquestrada por alguns dos seus ex-diretores.
O plano de recuperação foi aprovado em dezembro de 2023, com apoio de mais de 90% dos credores. O documento previa um aporte de até R$ 24 bilhões na varejista, além da venda de ativos e do pagamento escalonado da dívida.
Em 25 de março de 2026, a Americanas solicitou o encerramento desse processo, sob o argumento de que todas as obrigações previstas para os dois primeiros anos de reestruturação haviam sido cumpridas.
De acordo com a varejista, o Ministério Público e o Administrador Judicial comprovaram o "regular e tempestivo cumprimento de suas obrigações" e se mostraram favoráveis ao pedido.
A Justiça, no entanto, ainda não decidiu sobre o assunto. E, depois disso, a Americanas se viu envolta de novas polêmicas, por causa da resistência dos credores e do avanço das investigações sobre a fraude contábil da empresa.

Nova operação da PF

🚨 A PF (Polícia Federal) realizou uma nova operação sobre a fraude das Americanas no dia 25 de junho de 2026, para apurar se acionistas da empresa e bancos privados também participaram do esquema. 
Na ocasião, a Justiça ainda determinou o sequestro de até R$ 54 bilhões em bens e valores dos investigados. Entre eles, os empresários Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann.
A suspeita é de que os investigados sabiam da fraude contábil e lucraram com a venda de ações valorizadas artificialmente, o que implicaria nos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

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