Americanas (AMER3) avança para saída da recuperação judicial, mas ações caem forte
Varejista reduziu prejuízo no 1T26 e já recebeu parecer favorável do Ministério Público.
A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira (25), novos mandados de busca e apreensão relacionados às investigações do caso da Americanas (AMER3). Três dos alvos da operação são nomes bastante conhecidos no mundo dos negócios: Carlos Alberto Sicupira, Paulo Alberto Lemann, ambos acionistas da companhia, além do executivo Eduardo Saggioro Garcia.
De acordo com as investigações, os empresários teriam montado um esquema para inflar os balanços da companhia nos anos anteriores à descoberta da fraude contábil. Além disso, eles também atuavam para ocultar dívidas e valorizar de forma artificial os preços das ações negociadas na B3.
“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, afirmou a PF. “As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa”, continuou.
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De acordo com a Americanas, um dos alvos da PF faz parte do atual conselho de administração da companhia. Eduardo Saggioro Garcia tem cadeira no colegiado que toma as decisões estratégicas e é apontado como operador direto dos acionistas de referência da companhia.
No entanto, desta vez, a varejista não esteve no centro dos mandados, então a empresa não teve seus endereços visitados pelos policiais. Por meio de nota, a companhia destacou que está colaborando com as investigações.
“Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, disse.
A fraude da Americanas foi descoberta em janeiro de 2023, quando o mercado soube que a empresa tinha inconsistências contábeis da ordem de R$ 20 bilhões. Naquela época, o que mais se comentava era sobre as operações de risco sacado, dívidas que não eram incluídas no balanço como pendências, mas como se já tivessem sido pagas.
“Em vez de somar uma dívida aos valores devidos aos bancos na contabilidade, a empresa apenas subtraía do que era devido aos fornecedores, como se a dívida já tivesse sido completamente resolvida”, explica o analista de investimentos Vitor Miziara, em entrevista ao g1.
Varejista reduziu prejuízo no 1T26 e já recebeu parecer favorável do Ministério Público.
A venda integrou o desinvestimento da Natural da Terra, que foi adquirida pela Americanas em 2021 pelo montante de R$ 2,1 bilhões.
O pedido vem três anos após a empresa protagonizar um dos maiores casos de fraude da história do mercado de capitais brasileiro.
A varejista entrou em recuperação judicial em 2023 após a descoberta de uma fraude bilionária que abalou sua credibilidade.
A emissão foi formalizada por meio de escritura celebrada entre a companhia.
Instalada no shopping desde 1981, a loja ocupava um espaço de mais de 1.500 metros quadrados na entrada principal do empreendimento.
A venda está alinhada à estratégia de priorizar as atividades de varejo, diz a empresa.
O número de clientes ativos voltou a cair em dezembro, chegando a 40,83 milhões, abaixo dos 41,71 milhões registrados em novembro.
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