Petróleo a US$ 100: Por que o ouro tende a cair neste cenário?

Entenda a correlação entre os contratos futuros de ouro e petróleo e como proteger o seu patrimônio.

Publicado em 23/07/2026 às 19:36h Publicado em 23/07/2026 às 19:36h por Lucas Simões
Guerra no Oriente Médio voltou a escalar, estressando o petróleo e respingando no ouro (Imagem: Shutterstock)
Guerra no Oriente Médio voltou a escalar, estressando o petróleo e respingando no ouro (Imagem: Shutterstock)
As tensões geopolíticas no Oriente Médio estão provocando trajetórias bastante acentuadas nas cotações tanto do petróleo quanto do ouro ao longo de 2026. Você já deve ter reparado que, quando uma commodity dispara, o preço da outra tende a cair, mas qual será a razão?
Os contratos futuros do petróleo tipo Brent, referencial internacional utilizado pela Petrobras (PETR4), fecharam em alta de +7% nesta quinta-feira (23), valendo US$ 100,69 por barril. Já os contratos futuros de ouro cederam -2,45% no mesmo pregão, negociados por US$ 4.050,20 por onça-troy (cerca de 31 gramas).
As direções opostas de ambas as commodities não são fruto do acaso: o petróleo é um termômetro sobre a inflação global, se o seu preço dispara, há grandes chances de que os bancos centrais ao redor do mundo elevem as respectivas taxas de juros dos países para conter o aumento generalizado dos preços de produtos e serviços.
Logo, os investidores tendem a migrar o seu dinheiro para os títulos de renda fixa, que, nestas circunstâncias, oferecerão juros compostos atrativos e previsibilidade ao patrimônio. Contudo, o posicionamento em ouro não rende dividendos diretamente e, assim, perde apelo perante os poupadores.
Outro impacto colateral sofrido pelo ouro quando o petróleo dispara, como agora, é a valorização do dólar americano. Afinal de contas, o chamado "petrodólar" aumenta a demanda global pela moeda americana para liquidar os contratos energéticos sob forte demanda.
Uma vez que os contratos futuros de ouro também são precificados em dólar americano, se a moeda dos Estados Unidos está mais forte globalmente, o custo de compra do metal precioso para os compradores em outras moedas, como no caso dos investidores brasileiros, se encarece e derruba a demanda. Se a procura cai, a tendência é que o preço acompanhe a queda. 
Segundo dados do Investidor10, se você tivesse investido R$ 1 mil em Petróleo tipo Brent há dez anos, hoje você teria R$ 1.064,30, ao passo que o Ouro teria entregue R$ 2.292,60. A simulação também aponta que o Ibovespa teria retornado R$ 1.412,90.

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