A
Paranapanema (PMAM3) deu um passo importante no processo de reestruturação financeira iniciado há quase dez anos.
A companhia fechou um acordo com um grupo de 11 credores e, com isso, conseguiu cortar R$ 3,94 bilhões em dívidas.
É o equivalente a 92,3% da dívida de R$ 4,27 bilhões que a fabricante de cobre mantinha com credores financeiros desde 2017.
Entre os credores que aceitaram o trato, estão
Banco do Brasil (BBAS3),
Bradesco (BBDC4) e Caixa Econômica Federal, além de bancos estrangeiros e da Cargill, multinacional americana do ramo de alimentos.
A dívida da Paranapanema
A Paranapanema já havia feito um acordo de renegociação de dívidas com seus principais credores financeiros em 2017.
A ideia era pagar uma dívida bilionária de forma parcelada até 2028. Porém, a empresa não conseguiu cumprir o trato, interrompeu os pagamentos e pediu recuperação judicial no final de 2022.
Apesar da recuperação judicial, a dívida teve vencimento antecipado em 2024 e a Cargill cobrou a execução de garantias no final de 2025.
Diante disso, a Paranapanema dedicou boa parte deste ano à renegociação de dívidas com os credores.
A companhia já havia conseguido liquidar passivos de R$ 5,1 bilhões, por meio de acordos celebrados junto à
Axia (AXIA3), ao
Banrisul (BRSR6) e ao Fundo BS. E, nessa quarta-feira (30), confirmou o encaminhamento de um novo acordo com o novo grupo de credores.
O acordo
A Paranapanema conseguiu abater R$ 3,94 bilhões mediante a transferência de aproximadamente R$ 326 milhões aos credores.
Desse valor, R$ 100 milhões foram levantados por meio da emissão de debêntures e pagos em dinheiro aos credores nessa quarta-feira (10). Já o restante não diz respeito a recursos novos, mas a saldos mantidos em uma conta vinculada e a saldos judiciais.
O acordo ainda prevê o pagamento de um saldo remanescente de R$ 327,4 milhões. Porém, a empresa diz que conseguirá arcar com esse valor por meio de recursos esperados com a monetização de direitos creditórios judiciais nos próximos 36 meses. Por isso, não prevê comprometimento do caixa operacional.
É o fim da recuperação judicial?
A Paranapanema diz que esse acordo põe fim a uma dívida histórica, que vinha comprometendo sua estrutura de capital, liquidez e capacidade de investimento. Entretanto, avisou que este ainda não é o fim do processo de reestruturação financeira.
"O equacionamento integral de sua estrutura de capital ainda envolve desafios, os quais a administração seguirá enfrentando com a mesma disciplina, transparência e determinação", afirmou, destacando que "a recuperação judicial permanece em curso".
Os números do balanço
O último balanço da Paranapanema explica o impasse. A companhia tinha uma dívida líquida de aproximadamente R$ 6,08 bilhões ao final do segundo trimestre de 2026. Por isso, ainda ficará com uma dívida bilionária mesmo depois desse acordo.
A redução do endividamento, porém, pode ajudar a empresa a parar de dar prejuízo. No segundo trimestre de 2026, o resultado líquido da empresa foi negativo em R$ 285 milhões, sobretudo por causa das despesas de juros da dívida. Já o Ebitda foi positivo em R$ 68,9 milhões.
A Paranapanema ainda conseguiu reduzir custos e ampliou a receita líquida para R$ 169 milhões no segundo trimestre, dada a expansão das vendas.
Aposta no cobre
Agora, a expectativa da empresa é manter a melhora operacional, paralelamente ao ajuste financeiro, aproveitando a crescente demanda por
cobre.
A Paranapanema atua na produção de cobre e lembrou aos acionistas nessa quarta-feira (30) que o metal é essencial à eletrificação, à transição energética e aos data centers, tanto que integra o rol de minerais críticos e estratégicos da política mineral brasileira.
"Única companhia do país com ativos de refino primário e de transformação de cobre, a Paranapanema pode completar a cadeia do cobre no Brasil, gerando empregos, arrecadação e valor para a indústria nacional", afirmou.