Vale (VALE3) toca na mínima do ano e mercado se divide sobre a ação

O papel voltou a ser negociado abaixo de R$ 70, diante da baixa do minério e da alta do frete.

Publicado em 30/09/2026 às 13:47h Publicado em 30/09/2026 às 13:47h por Marina Barbosa
Vale está caindo mais de 10% na Bolsa em setembro (Imagem: Shutterstock)
Vale está caindo mais de 10% na Bolsa em setembro (Imagem: Shutterstock)
A Vale (VALE3) caiu forte e atingiu a mínima do ano na B3, em meio à piora do cenário para as empresas de mineração. Porém, o mercado ainda se divide sobre o que esperar do papel daqui para a frente.
📉 As ações da Vale afundaram 2,18% e fecharam abaixo de R$ 70 pela primeira vez no ano na terça-feira (29). 
Nesta quarta (30), o papel até tentou reverter o tombo, mas não conseguiu sustentar a alta e logo voltou a ser negociado abaixo de R$ 70. 
Com isso, o ativo já registra uma baixa de 10% em setembro e passou a oferecer um retorno negativo aos investidores no acumulado de 2026.

O que explica a baixa?

A Vale tem se desvalorizado na Bolsa devido ao cenário desafiador enfrentado pelas empresas de mineração.
⚒️ O setor tem sofrido com a redução da demanda chinesa, que elevou os estoques e baixou os preços internacionais do minério de ferro. 
Não bastasse isso, a cotação do petróleo voltou a subir diante da guerra no Oriente Médio, elevando os custos de frete do setor.
A Vale não chegou a este ponto. Ao contrário, a maior mineradora da B3 anunciou recentemente a retomada parcial das operações na Mina de Fábrica, que estavam paralisadas desde o começo do ano.
Ainda assim, as ações da Vale seguiram a tendência de baixa que aflige o setor e entraram no radar dos analistas.

O que dizem os analistas?

⚠️ O baque da Vale ganhou força na terça-feira (29) depois que o UBS BB cortou o preço-alvo para as ações da companhia, de R$ 85 para R$ 77.
De acordo com o banco, a revisão reflete os custos mais elevados de frete e a perspectiva de menores embarques de minério de ferro ao longo do segundo semestre de 2026 e de 2027.
A avaliação dos analistas é de que esses fatores mais do que compensam a expectativa de que os preços do minério de ferro se recuperem no longo prazo.
"Embora a Vale continue oferecendo sólida geração de caixa e retorno aos acionistas, vemos uma relação risco-retorno mais equilibrada nos níveis atuais", afirmou o UBS BB, que mantém uma recomendação neutra para o ativo.
A XP também vê uma relação risco-retorno equilibrada e reiterou a recomendação neutra para as ações da Vale neste mês de setembro.
Neste caso, a leitura é de que a geração de caixa da Vale deve seguir pressionada no curto prazo, devido aos custos elevados e aos investimentos em projetos de crescimento da produção.
Porém, olhando mais adiante, a XP vê um importante vetor de criação de valor na Vale Base Metals, a subsidiária da Vale que produz minerais críticos para a transição energética, como cobre e níquel.
Já o Itaú BBA reduziu as projeções para os resultados e cortou o preço-alvo para as ações da Vale de R$ 95 para R$ 94 ao final de 2027, para incorporar os preços menores de minério de ferro. 
💡 Ainda assim, o Itaú BBA manteve uma recomendação de compra para o papel em relatório publicado em 18 de agosto.
Neste caso, a expectativa é de que a Vale consiga manter um bom fluxo de caixa e um bom retorno aos acionistas mesmo diante desse cenário e siga avançando com projetos de crescimento em cobre.
"Estimamos que a Vale encerrará 2026 com dívida líquida expandida de cerca de US$ 15,9 bilhões, o que deve permitir que a companhia complemente sua política mínima de dividendos com distribuições extraordinárias e programas de recompra", afirmou o Itaú BBA.
BTG Pactual e JP Morgan também mantiveram uma recomendação de compra para as ações da Vale em relatórios recentes, citando sobretudo a estratégia de fretes da companhia.
Diferente de outras mineradoras, a Vale tem contratos de longo prazo de frete. Por isso, conseguiu se blindar parcialmente da recente alta de custos e aparece melhor posicionada do que muitas rivais para lidar com o cenário atual, segundo os bancos.
"A Vale destaca-se pela qualidade superior dos seus ativos e mix de produtos, bem como pela sua estratégia de frete, que deverá proporcionar custos significativamente mais competitivos em comparação com os seus pares", afirmou o BTG.

VALE3

Vale
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