A
taxa Selic costuma ser a mãe da bolsa de valores brasileira. Quanto menor ela fica, mais espaço para valorização as empresas listadas na B3 conquistam. Desde março de 2026, a taxa de juros básica vem se afastando dos 15% ao ano e agora encontra-se em 13,75% ao ano, mas não são as companhias mais arriscadas que deveriam dominar as carteiras dos investidores, segundo o Itaú BBA.
Na verdade, a casa de análise dedicou um relatório inteiro só para falar sobre o momento oportuno das chamadas empresas geradoras de "beta", métrica que revela a volatilidade de preços de uma ação perante o seu índice de referência, neste caso o Ibovespa. Em outras palavras, os analistas preferem recomendar companhias brasileiras com histórico de qualidade e que apresentem nível de endividamento controlado.
A lista do Itaú BBA é formada por sete empresas que atendem melhor aos benefícios de juros reais menores no Brasil. Enquanto o Ibovespa rende 4,8% ao mês, em média, durante fortes recuos dos juros reais, as empresas geradoras de beta, sob recomendação da casa de análise, costumam entregar 8,4% ao mês.
Entre os nomes presentes na lista, a
B3 (B3SA3) justamente apresenta alta correlação com os juros. Para os analistas, o múltiplo da empresa pode avançar em um cenário mais favorável, ao mesmo tempo em que maior apetite por renda variável pode impulsionar volumes e receitas da bolsa de valores brasileira.
Aliás, é no
setor financeiro que se concentra boa parte do "beta seletivo" que tende a gerar muito dinheiro com uma taxa Selic cada vez menor, cenário que já encontra respaldo no mais recente Boletim Focus, indicando a taxa básica de juros em 10% ao ano em 2029. No caso,
XP Inc. (XPBR31) e
BTG Pactual (BPAC11) atendem a tais requisitos.
"A
XPBR31 aparece como a principal escolha porque combina dois motores em um eventual cenário otimista: espaço para expansão de múltiplos, já que ainda negocia abaixo de sua média histórica, e possibilidade de melhora operacional com juros menores. Já
BPAC11 tem o seu potencial mais dependente de revisões de lucros do que de expansão de múltiplos", comenta o time de research do Itaú BBA.
Construção, transporte e varejo
Historicamente, a
construção civil é diretamente beneficiada por um ambiente de juros menores que potencializam os financiamentos imobiliários. Só que os especialistas são seletivos na escolha das construtoras, reduzindo o horizonte para apenas
Cyrela (CYRE3) e
Eztec (EZTC3).
Acaba que
CYRE3 reúne ainda mais predicados, mesmo tendo Preço Sobre Valor Patrimonial (P/VP) de 1,08 atualmente. Nos cálculos da casa de análise, tal indicador fundamentalista poderia chegar a 1,40 em um cenário positivo de negócios e recuar para apenas 0,80 caso haja pessimismo. Como
EZTC3 é mais endividada, seu potencial é mais limitado que o da rival no segmento de alta renda.
No setor de transportes, as atenções se voltam para
Ecorodovias (ECOR3) e
Localiza Rent a Car (RENT3). Aqui, a queda da alavancagem é o principal ponto a favor da
ECOR3, dado que, a cada corte de 100 pontos base na taxa Selic, o seu potencial de valorização é de 25%.
Por sua vez,
RENT3 entrega mais beta por sua projeção de
Preço Sobre o Lucro (P/L) de 9 vezes para 2027 ante o atual patamar de 12,61 vezes, embora a locadora de veículos enfrente mais desafios de curto prazo em comparação à concessionária de rodovias.
Como cereja do bolo, as varejistas são sempre lembradas em momentos de queda da
Selic, mas, com ambiente ainda fértil de recuperações judiciais, todo o cuidado é pouco. Por isso, as recomendações do Itaú BBA se restringem a
Assaí Atacadista (ASAI3) e
Raia Drogasil (RADL3).
"Enxergamos a Dívida Líquida Sobre Ebitda do
ASAI3 em 2 vezes em 2026, podendo recuar para 1,7 vezes em 2027, o que favoreceria um crescimento médio anual de 28% do lucro por ação até 2030. No caso da
RADL3, o indicador fundamentalista R/L pode chegar a 25 vezes em cenário otimista em 2027", concluem os analistas, em relatório.
Lista de empresas betas recomendadas pelo Itaú BBA