Morgan Stanley rebaixa o Brasil e vira a carteira para quem ganha em dólar

O banco rebaixou o Brasil de overweight para equal-weight na carteira latino-americana, citando riscos fiscais após a reeleição.

Publicado em 26/10/2026 às 21:56h Publicado em 26/10/2026 às 21:56h por Matheus Silva
Para o banco, exportadoras e grandes bancos limitam queda de lucros no país (Imagem: Shutterstock)
Para o banco, exportadoras e grandes bancos limitam queda de lucros no país (Imagem: Shutterstock)
🚨 A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma mudança de postura em um dos maiores bancos de investimento do mundo.
O Morgan Stanley reduziu a recomendação para as ações brasileiras em sua carteira modelo para a América Latina, passando o país de overweight, ou exposição acima da média, para equal-weight, que corresponde a uma posição neutra.
Segundo os estrategistas liderados por Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira, o banco enxerga uma probabilidade elevada de continuidade das políticas econômicas e um aumento dos riscos fiscais nos próximos anos.
O país, avaliam eles, pode enfrentar uma combinação mais desafiadora de câmbio depreciado, juros elevados e desaceleração da economia, em um ambiente que exigiria um reequilíbrio fiscal considerado improvável.
Com isso, a instituição espera uma redução do apetite dos investidores por risco, com efeito negativo sobre as avaliações das ações brasileiras. Em outro relatório, o banco já havia projetado dólar de até R$ 5,60 e queda de 30% da bolsa após a reeleição.

Banco evita underweight por causa de exportadoras e grandes bancos

Apesar do corte, o Morgan Stanley não chegou a recomendar uma posição abaixo da média para o Brasil. A justificativa está na composição do mercado acionário local. 
O peso das exportadoras e dos grandes bancos tende a limitar uma deterioração mais forte dos lucros corporativos.
“Neste momento, preferimos a face externa do mercado brasileiro, cujos motores de crescimento estão mais ligados aos preços das commodities do que à política doméstica”, afirmaram os estrategistas.

Carteira gira para empresas que geram caixa em dólar

O rebaixamento veio acompanhado de uma ampla rotação de papéis. O banco elevou a exposição a empresas exportadoras e mais beneficiadas por um real potencialmente mais fraco, aumentando posições em Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3) e JBS (JBSS32).
A principal novidade foi a volta da Suzano (SUZB3) à carteira modelo. A companhia foi adicionada para ampliar a exposição a empresas que geram caixa em dólar após o resultado inesperado da eleição. 
Suzano e Embraer, aliás, estiveram entre as poucas altas do Ibovespa na primeira sessão depois da reeleição, em um dia em que apenas oito ações do índice subiram.
Na composição atual da carteira latino-americana, o Morgan Stanley atribui peso relevante a Petrobras (PETR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Vale, Embraer, Suzano e JBS, mantendo viés favorável a companhias exportadoras e ligadas a commodities.

Empresas sensíveis a juros saem da lista

Do outro lado, o banco reduziu posições em empresas consideradas mais expostas à dinâmica dos juros e ao crescimento da economia brasileira. Entre os cortes estão B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), XP (XPBR31), Nubank (ROXO34), Mercado Livre (MELI34) e Sabesp (SBSP3).
As reduções mais expressivas ocorreram justamente em B3, BTG Pactual, XP e Nubank. O raciocínio do banco é que um cenário de juros mais altos por mais tempo e atividade mais fraca tende a dificultar o desempenho dessas companhias, sobretudo as ligadas ao mercado de capitais, ao crédito e ao consumo.

Chile e Argentina ganham preferência na região

Fora do Brasil, o Morgan Stanley enxerga oportunidades melhores em outros mercados latino-americanos. O banco mantém recomendação overweight para Chile e Argentina, citando menor risco político no caso chileno e perspectivas favoráveis de investimentos e de crescimento dos lucros corporativos.
No recorte por setores, as maiores preferências seguem concentradas em materiais básicos, energia e imobiliário, segmentos que devem continuar se beneficiando do ambiente global para commodities e da busca por ativos com receitas dolarizadas.
📈 Na avaliação dos estrategistas, a combinação de incertezas fiscais domésticas e de um cenário externo ainda favorável reforça uma estratégia mais seletiva no Brasil, com prioridade para exportadoras e empresas menos dependentes do ciclo econômico local.