FIIs contabilizam vantagens e reveses do fim da escala 6x1; entenda

O segmento de shoppings deve enfrentar pressão nas margens de lucro dos lojistas, que são inquilinos dos cotistas.

Publicado em 15/10/2026 às 15:15h Publicado em 15/10/2026 às 15:15h por Lucas Simões
Por outro lado, um dia a mais de folga remunerada pode aumentar o consumo em shoppings (Imagem: Divulgação)
Por outro lado, um dia a mais de folga remunerada pode aumentar o consumo em shoppings (Imagem: Divulgação)
Diferente do Ibovespa, que registrava queda de quase -1% nesta quinta-feira (15) diante do fim da escala de trabalho 6x1 aprovada no Senado Federal, o IFIX (índice que traz o desempenho médio dos FIIs mais negociados) registrava ligeira alta de +0,20% no mesmo instante, alcançando os 3.960,58 pontos. Então, o que esperar dos FIIs (fundos imobiliários) com o redesenho da rotina de 15 milhões de trabalhadores formais no Brasil?
O fim da escala 6x1, modalidade em que os empregados só tinham uma folga remunerada por semana, não traz apenas desvantagens aos rendimentos futuros dos FIIs.
É evidente, no entanto, que haverá impactos indiretos consideráveis na dinâmica dos negócios dos inquilinos, o que já dá um indicativo de que os FIIs de tijolo serão os mais suscetíveis a oscilações em custos operacionais, margem de lucro e taxa de vacância.
Nessa conjuntura, os FIIs de shoppings apresentam o maior nível de sensibilidade com o fim da escala 6x1, visto que as margens dos lojistas que pagam os aluguéis aos cotistas, especialmente aqueles de pequeno e médio portes, tendem a encolher com maiores custos trabalhistas.
Todavia, um dia a mais de folga remunerada ao contingente de 15 milhões de trabalhadores beneficiados com a Proposta de Emenda à Constituição aprovada pelo Congresso Nacional também abre aumento potencial do consumo no tempo livre gerado aos trabalhadores, que poderão frequentar mais shoppings, cinemas, parques e restaurantes.
Por ora, as cotas do XP Malls (XPML11) subiam +1,49% e valiam R$ 107,86 cada. Trata-se do maior FII de shoppings listado na B3, com valor patrimonial de R$ 7 bilhões. Não necessariamente, a valorização acima da média das cotas hoje tem a ver com o noticiário político, uma vez que o FII XPML11 acaba de encerrar o seu período de subscrição à 15ª emissão de cotas, evento que normalmente costuma destravar mais preço de tela.

Menor sensibilidade à 6x1

Na sequência, os FIIs de renda urbana e FIIs de logística terão sensibilidade média à nova jornada de trabalho, dado que haverá impacto direto na folha de pagamentos de supermercados, além de necessidade de adequação de turnos de trabalho em galpões logísticos.
Dado que a maioria dos contratos de aluguel em tais tipos de fundos imobiliários são da modalidade atípica, os cotistas estão muito mais salvaguardados em caso de saída antecipada dos inquilinos em dificuldades financeiras. O incentivo à automação de processos também tende a mitigar os gastos. As cotas do FII TRXF11 e do FII HGLG11, os maiores representantes das classes, operavam perto da estabilidade hoje.
Como a maioria dos funcionários de escritórios já adota a jornada 5x2 ou modelo híbrido, o fim da escala 6x1 traz baixo impacto aos FIIs de lajes corporativas, que também dispõe de contratos corporativos consolidados. O maior representante da categoria, o FII PVBI111, operava em alta de quase +1% neste pregão.

XPML11

XP MALLS FUNDOS
Cotação

R$ 107,84

Variação (12M)

11,97% Logo XP MALLS FUNDOS

Liquidez Diária

R$ 21,32 M

DY

10,23 %

P/VP

0,98