Copom decide por corte de 0,25 p.p. na Selic e taxa vai a 14% ao ano

No comunicado, o Banco Central evitou indicar o futuro e pregou cautela, condicionando novas decisões à evolução dos dados de inflação.

Publicado em 05/08/2026 às 18:55h Publicado em 05/08/2026 às 18:55h por Matheus Silva
A decisão foi unânime entre os sete membros do colegiado (Imagem: Shutterstock)
A decisão foi unânime entre os sete membros do colegiado (Imagem: Shutterstock)
📉 O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (5) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano. Essa foi a quarta queda consecutiva da taxa e a quinta reunião do comitê em 2026. 
A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado e foi unânime entre os sete membros do colegiado.
No comunicado, o BC deixou os próximos passos em aberto, afirmando que manterá "a restrição adequada" para garantir a convergência da inflação à meta. O tom cauteloso reforça que o ciclo de calibração seguirá dependente da evolução dos dados.
O Copom iniciou o atual ciclo de afrouxamento em março, após manter a Selic em 15% durante todo o segundo semestre de 2025. 
A consolidação da expectativa de corte nas últimas semanas foi sustentada pelos resultados mais amenos da inflação, que ajudaram a acomodar parte das expectativas inflacionárias, mesmo em meio às idas e vindas do conflito no Oriente Médio.

BC aponta riscos altistas e inflação

No campo doméstico, o Copom avaliou que os indicadores recentes sugerem uma moderação gradual da atividade econômica, ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores e mercado de trabalho aquecido. 
A inflação cheia desacelerou, mas segue acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes recuaram para patamar levemente abaixo desse limite.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem acima da meta, em 5,0% e 4,2%, respectivamente. A projeção do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,2% no cenário de referência.
O comitê manteve a avaliação de que os riscos inflacionários apresentam assimetria altista. Entre os fatores de alta, destacou a possível desancoragem das expectativas por período prolongado, a resiliência da inflação de serviços, o impacto de políticas econômicas internas e externas sobre o câmbio e os estímulos à demanda agregada acima do produto potencial. 
Do lado baixista, apontou uma possível desaceleração doméstica mais pronunciada, uma retração global decorrente dos choques de comércio e petróleo e uma eventual queda nos preços das commodities.

Magnitude total do ciclo será definida com base em novas informações

O Copom reafirmou que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, sem antecipar o próximo passo. 
"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária", diz o comunicado.
📊 Votaram pela decisão os membros Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Confira a carta na íntegra

"​O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.
Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira."