Copom decepciona, Bradesco recua e Ibovespa perde 1,23%; só Petrobras escapa

O índice recuou 1,23% nesta quinta (6), aos 175.546 pontos, quebrando a estabilidade dos últimos dias com uma perda de 2,1 mil pontos.

Publicado em 06/08/2026 às 17:48h Publicado em 06/08/2026 às 17:48h por Matheus Silva
O dólar caiu 0,41%, a R$ 5,10, e os juros futuros subiram (Imagem: Shutterstock)
O dólar caiu 0,41%, a R$ 5,10, e os juros futuros subiram (Imagem: Shutterstock)
📉 O Ibovespa (IBOV) encerrou esta quinta-feira (6) com queda de 1,23%, aos 175.546,36 pontos, uma perda de 2.179,81 pontos. Após três pregões praticamente estacionados, o índice se moveu, mas na direção errada. 
O dólar comercial recuou 0,41%, a R$ 5,107, enquanto os juros futuros fecharam com altas predominando ao longo da curva.
O principal vetor de pressão do dia foi a reação ao comunicado do Copom divulgado na noite anterior. O Comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, mas deixou os próximos passos em aberto, sem sinalizar continuidade ou pausa no ciclo. A decisão levou o Brasil ao posto de segundo maior juro real do mundo.
O mercado não se empolgou. Para os analistas, o corte em si era o evento menos relevante do dia. O contexto de endividamento reforça o ambiente adverso, já que 82% dos brasileiros estavam endividados em julho, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Durigan culpa os juros pelo avanço da dívida

O tema dos juros também pautou a entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quinta. Na sua avaliação, o crescimento da dívida brasileira não decorre do aumento de gastos, mas das taxas de juros cobradas no país. 
Durigan argumentou que o governo Lula promoveu um ajuste de dois pontos percentuais do PIB no déficit primário, mas reconheceu que o nível da dívida segue como um desafio relevante para o equilíbrio das contas públicas.

Warsh sinaliza possível alta de juros nos EUA

No exterior, o cenário também não ajudou. Segundo fontes ouvidas pelo Financial Times, Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, estaria disposto a apoiar uma alta dos juros já em setembro, caso os próximos dados de inflação surpreendam para cima. 
Os contratos futuros apontavam cerca de 55% de probabilidade de elevação de 0,25 ponto percentual, segundo o CME Group.
Além da pressão dos juros americanos, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, descreveu o esforço para encerrar a guerra no Oriente Médio como "bagunçado" e que "vai levar algum tempo", numa das avaliações mais realistas feitas por um representante americano em cinco meses de conflito. 
O petróleo subiu com as incertezas em torno da administração do Estreito de Ormuz, após conversas entre Omã e Irã sobre o assunto. Na Europa, o otimismo prevaleceu e as bolsas fecharam em alta.

Petrobras sobe 0,48% com recorde de produção de diesel

No mercado acionário local, a Petrobras (PETR4) foi exceção positiva entre os grandes nomes, subindo 0,48%, sustentada pelo recorde de produção de diesel em julho. O banco divulga seus resultados do 2T26 nesta quinta.
Os grandes bancos sofreram. O Bradesco (BBDC4) foi o destaque negativo entre os pares, com queda de 1,94% após o balanço do 2T26. 
Apesar de os números terem chegado próximos ou levemente acima das expectativas, a deterioração de alguns indicadores de qualidade de crédito impediu uma leitura unanimemente positiva entre analistas. 
O Banco do Brasil (BBAS3) recuou 3,66%, o Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,30%, na mínima do dia, e o Santander (SANB11) perdeu 0,71%.
O varejo também sofreu, com a maioria dos grandes nomes divulgando balanços trimestrais ao longo do dia. Magazine Luiza (MGLU3) caiu 4,59%, Lojas Renner (LREN3) recuou 1,39% e Assaí (ASAI3) despencou 3,85%. 
A SmartFit (SMFT3) foi outro destaque negativo, com queda de 7,82%, após resultado que apresentou crescimento robusto de receitas e expansão de margens operacionais, mas trouxe pontos de atenção abaixo da linha do Ebitda. 
📉 A Vale (VALE3) cedeu 1,66%, mesmo com o minério de ferro ampliando ganhos no exterior.