Ambipar (AMBP3) passa a ter negociação restrita na B3; entenda

As ações da empresa agora só podem ser negociadas sob o regime de leilão na Bolsa.

Publicado em 01/09/2026 às 13:51h Publicado em 01/09/2026 às 13:51h por Marina Barbosa
A Ambipar já foi uma queridinha da Bolsa, mas hoje está no grupo das penny stocks da B3 (Imagem: Shutterstock)
A Ambipar já foi uma queridinha da Bolsa, mas hoje está no grupo das penny stocks da B3 (Imagem: Shutterstock)
As ações da Ambipar (AMBP3) foram excluídas do pregão regular da B3, passando a ser negociadas exclusivamente sob o regime de leilão.
⚠️ Isso significa que os papeis da empresa agora só são negociados por meio de leilões, com o fechamento dos negócios ocorrendo apenas no final do pregão.
O regime, chamado de negociação não contínua, foi imposto pela B3 devido ao atraso na apresentação de informações periódicas.

Balanços em atraso

A Ambipar não apresenta os seus resultados financeiros há mais de um ano: o último balanço foi o do segundo trimestre de 2025. 
Por isso, os investidores não têm conseguido acompanhar o desempenho dos negócios e das contas da empresa, que entrou em recuperação judicial em outubro do ano passado para tentar renegociar quase R$ 11 bilhões em dívidas.
De acordo com a Ambipar, o atraso se deve justamente ao processo de recuperação judicial, que teria impactado a conclusão dos trabalhos de apuração e elaboração das informações financeiras e contábeis.
No entanto, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) exige que as empresas publiquem seus balanços em um prazo de até 45 dias após o encerramento de cada trimestre. 
A única exceção é o balanço do quarto trimestre, que pode ser apresentado em até três meses, já que reúne as contas consolidadas do ano.

CVM também pode agir

A CVM já havia alertado a empresa e os investidores do problema, ao incluir a Ambipar na lista de empresas consideradas inadimplentes devido ao atraso na publicação de balanços financeiros e documentos regulatórios.
Chefe do mercado de capitais brasileiro, a CVM pode suspender o registro de emissor aberto das empresas que não cumprem essa obrigação por um período superior a 12 meses. Porém, a B3 decidiu agir primeiro no caso da Ambipar.
A B3 impôs o regime de negociação não contínua para as ações da Ambipar nessa segunda-feira (31). Porém, lembrou que as ações podem retornar para o pregão regular caso a empresa volte a estar "adimplente com a entrega de todas as suas informações periódicas".

A crise da Ambipar

As ações da Ambipar são negociadas por centavos na B3, mesmo depois de terem figurado entre as ações mais caras da Bolsa em 2024.
Os papeis entraram em rota de queda devido a preocupações com o alto endividamento da companhia, questionamentos sobre a governança e suspeitas de manipulação na cotação das ações, além do pedido de recuperação judicial.
Devido a essa situação, a Ambipar já havia sido excluída dos índices da Bolsa e perdeu a certificação B3 Ações Verdes em outubro de 2025.

AMBP3

Ambipar
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