EUA vão controlar petróleo da Venezuela por 100 anos? Entenda o acordo de Trump

Acordo prevê concessões de campos de petróleo e dá a Washington prioridade na compra da produção.

Publicado em 01/09/2026 às 14:32h Publicado em 01/09/2026 às 14:32h por Wesley Santana
Venezuela tem uma das maiores reservas de petróleo das Américas (Imagem: Shutterstock)
Venezuela tem uma das maiores reservas de petróleo das Américas (Imagem: Shutterstock)

Na semana passada, o presidente Donald Trump anunciou o que seria o maior acordo de petróleo da história. O documento, assinado com a Venezuela, prevê que Washington vai assumir o controle de até 65 milhões de barris de petróleo de reservas já certificadas em Caracas.

“Este acordo garante nosso domínio energético para o próximo século — tudo isso sem nenhum custo para os Estados Unidos”, afirmou a Casa Branca. O pacto criará “cadeias de suprimentos robustas, estratégicas e defensáveis em nosso hemisfério”, efetivamente afastando empresas russas e chinesas, acrescentou.

Uma das principais partes do acordo prevê a concessão de 18 campos de petróleo no país latino. Os espaços já contam com reservas de óleo comprovadas e serão explorados pela North American Blue Energy, empresa privada dos EUA, pelo período de 100 anos.

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Para o poder público estadunidense, a empresa concessionária vai fornecer 20% do petróleo a preço de custo. Além disso, o governo dos EUA vai ter direito de preferência para adquirir os 80% restantes.

A Casa Branca ainda garantiu uma participação acionária no negócio de exploração dentro da Venezuela. Com isso, receberá parte dos lucros dos barris que serão fabricados no país.

Para a Venezuela, o acordo significa uma rápida inovação do seu potencial petrolífero. Isso porque a empresa vai investir até US$ 100 bilhões em infraestrutura para exploração local, conforme previsto no documento.

A Venezuela é um dos países da América com as maiores reservas de petróleo já comprovadas. No entanto, dada a crise econômica e os embargos norte-americanos, o país não tem condições de explorar seu próprio potencial.

Acordo é criticado por venezuelanos

O presidente Trump tenta vender o acordo como benéfico para os dois lados, mas muitos analistas contradizem. Dentro da Venezuela, da oposição à situação, vários políticos foram contra o tratado.

Por meio das redes sociais, Ricardo Hausmann, professor da Escola de Governo Kennedy da Universidade Harvard, um venezuelano que fez sucesso ao se opor de forma ferrenha ao governo de Nicolás Maduro, enviou uma carta a Trump.

"Você decidiu usar o poder dos Estados Unidos não para libertar os venezuelanos, mas para se aliar aos nossos opressores. Optou por promover uma apropriação de ativos, um acordo inconstitucional com um governo ilegítimo e opressor, em vez de usar a liderança dos Estados Unidos para primeiro restabelecer a ordem constitucional e a democracia", escreveu ele, em referência à Delcy Rodriguez, que foi reconhecida pelos EUA como presidente da Venezuela depois da prisão de Maduro, de quem era vice.

Já Rafael Ramírez, ex-presidente da PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A), definiu o acerto como entreguista, abrindo caminho para um novo tipo de colonialismo. "Um acordo feito de costas para o país, evidentemente inconstitucional, que cede o controle do território e do petróleo a uma potência estrangeira", pontuou.